Ultimamente, nós do TecMundo temos publicado uma série de notícias sobre fontes de alimentação. Os textos são frutos de diversas experiências que os experts Ronaldo “rbuass” Buassali e Jacson “bros” Schenckel vem fazendo.

Desta vez, o pessoal do TecLab colocou em prova a mais importante certificação relacionada a fontes de alimentação: a ‎80 PLUS.

Cientes dos procedimentos necessários para sua obtenção, presentes neste documento, a equipe do TecLab, embasada  por conhecimento e equipamento profissional,  pôde demonstrar que, para manter a credibilidade, a 80 PLUS necessita de atualizações e modificações urgentes.

No vídeo, eles testaram uma fonte Xigmatek Vector S (Stealth) 750W, com certificação 80 Plus Silver, que, conforme a tabela, deveria garantir a eficiência de 85% (110V) ou 87% (220V) a 100% de utilização, conforme nos mostra a tabela abaixo.

Não foi o que aconteceu. A fonte sequer alcançou a eficiência mínima, necessária para a certificação 80 Plus (popularmente chamada de Branca ou White) e, ainda por cima, atingiu altíssimas temperaturas, o que pode colocar em risco o equipamento até o local onde estiver instalado, bem como o utilizador do computador.

Contudo, não é somente isso. Segundo Ronaldo, a certificação é relacionada à eficiência, e não à qualidade dos produtos, o que implica em várias outras análises “paralelas”. Para uma fonte ser boa, não basta somente um bom projeto, mas sua construção deve ser baseada em bons componentes. Capacitores, dissipadores, sistema de retificação, de modulação e proteção bem dimensionadas e detalhes que fazem toda a diferença.

Isso tampouco é avaliado pela certificação, mas tornam o produto mais confiável, e consequentemente mais caro. É possível ter uma fonte com certificação Gold, mas para que ela suba um degrau, ou seja, consiga uma “Platinum”, é necessário realizar muitas modificações. Isso quer dizer que a partir de certo ponto, é muito mais difícil de conseguir melhor eficiência, e aí sim, são necessários além do projeto, componentes mais caros e de melhor qualidade.

Podemos ter como exemplo disso, as poderosas fontes da EVGA Supernova 1600W, disponível em certificações Gold, Platinum e Titanium, todas com a mesma potência, pouca diferença em relação à porcentagem de eficiência, porém bastante diferentes em seus preços.

Apesar de tudo isso, temos listada a Xigmatek Vector S 750W com a certificação 80 Plus Silver. Mediante essa “falta”, os especialistas do TecLab enumeram uma lista de eventos que, segundo eles, necessitam de reparos imediatos.

Amostragem

Não existe um padrão correto para a amostragem, nem garantias para que sejam idênticas às vendidas para o consumidor final. Isso quer dizer que o fabricante (marca) pode enviar um bom modelo para fabricação, e depois de certificada, produzir um de pior qualidade. Com os testes da fonte em questão, não sabemos se houve erro na execução da certificação ou se a fonte avaliada e certificada difere do modelo vendido no mercado.

Para o pessoal do TecLab, isso é um erro grave, sendo que todo e qualquer modelo para testes do Ecova deveria ser “comprado” no mercado (varejo), em locais aleatórios e sem conhecimento do fabricante, e ainda em unidades (maior a amostra, maior a precisão, porém considerar no mínimo 3 unidades).  Isso protegeria o consumidor final de comprar um produto diferente do certificado, e protegeria a Ecova de ter que enfrentar essa situação agora.

Validade da certificação

A fonte em questão foi certificada em lá em 2009 (no começo de dezembro, para ser mais específico). Desta forma, não se sabe quantos lotes já se passaram a partir do início de sua fabricação. Soma-se a isso o fato de ser comum fabricantes OEM produzirem para outras marcas, neste caso, pode ser que a Andyson tenha alterado os componentes diante de sua conveniência, afinal já possuíam sua documentação.

Para isso, nossa sugestão seria uma reanálise periódica (duas ou três vezes ao ano), seguindo os mesmos padrões de amostragem indicados acima. Não seria necessário grande trabalho para isso, mas apenas comparativo visual e teste em simulador de carga, o que pode ser feito em poucos minutos (afinal, a fonte já está descrita e classificada).

Outra sugestão importante para esse caso é a punição para as empresas que “quebrarem” esse procedimento, fabricando (ou mandando fabricar) de forma diferente o produto já certificado. Esse passaria a constar em uma espécie de “lista negra”, desencorajando esse tipo de atitudes.

Metodologia de certificação

As fontes 80 Plus são certificadas a 23 °C ± 5°C. Isso dá uma margem de trabalho de 10°C, permitindo os testes entre 18 °C e 28 °C, o que a nosso ver, não tem sentido. É sabido que o calor é prejudicial aos componentes das fontes e que é muito mais difícil de manter a eficiência em ambientes mais quentes.

É por isso que empresas conceituadas testam suas melhores fontes em ambiente controlado a 50 °C. Outra coisa a relatar é que não vivemos no Canadá (exemplo), por isso, isso foge aos padrões que precisamos para o nosso país (e para muitos outros).

As fontes, mediante bons fabricantes, de acordo com seus modelos, são testadas a 25 °C, 40 °C ou 50 °C, e uma “certificadora oficial mundial” deveria ter um ambiente controlado “fixo”, para maior precisão e credibilidade nos testes. A equipe do TecLab realiza testes em ambiente controlado e já verificou que uma fonte com 18 °C ou 28° C promove uma boa diferença nos resultados.

Fiscalização

Uma fiscalização rigorosa seria importante não somente para a validade de suas certificações, mas para a integridade de sua marca. Fontes com certificação 80 Plus falsas são facilmente encontradas no mercado, vendidas livremente e em grande quantidade. Não se trata de um mercado “escondido”, mas até em grandes lojas é possível encontrar fontes “falsas”.

Hantol, Casemall, Coolmax, Kmex, Mtek, Multilaser e outras praticam essa ilegalidade abertamente. Isso deve ser motivo de punição. Se não for assim, mais pessoas podem ser prejudicadas por comprar 80 Plus falsas pensando ser algo decente, do que usuários beneficiados pela eficiência de fontes certificadas.

Esses são, entre outros, os requisitos que consideramos mais urgentes. A Ecova há pouco tempo realizou uma atualização, acrescentando para as certificações Titanium (a mais alta que existe), a necessidade de manter alta eficiência mesmo a 10% de utilização de potência.

A maioria das pessoas não sabe, mas é difícil uma fonte manter boa eficiência com pouco requerimento, e a melhor faixa de uso em termos de eficiência, gira em torno de 50%. Isso quer dizer que a Ecova reviu seus procedimentos para atualizar as fontes de altíssima certificação, mas deixou a desejar em outros quesitos mais importantes.

O TecLab comenta que reconhece o pioneirismo deles, pois foram os primeiros a implementar uma certificação com tal abrangência, mas assim como tudo o que é relacionado ao hardware, é preciso se atualizar.

E você, o que acha de tudo isso?

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