Hoje, no terceiro capítulo de nossa minissérie, conheceremos o Empresta Aí, uma rede colaborativa de empréstimos entre pessoas da comunidade, e também o Sistema Gerenciador de Água Quente, um aparato que promete de forma simples e eficiente trazer mais conforto e economia corrigindo desperdício de água durante o banho. Caso não tenha visto os episódios anteriores nas duas últimas semanas, você pode se atualizar clicando aqui e aqui.

Empresta Aí

Criado pelo designer e empresário Herom Canova, a plataforma colaborativa de empréstimo de produtos foi idealizada com objetivo de despertar o consumo consciente e resgatar o senso de cidadania das pessoas. Segundo Herom, nossa sociedade está condicionada a consumir de forma desenfreada, sem pensar no que realmente precisa.

“Nós só utilizamos uma furadeira em média de 6 a 13 minutos em toda nossa vida e ela foi feita pra durar milhares de horas”, exemplifica o empresário. “Consumir dessa forma acaba acarretando em um acúmulo de coisas que ficam encostadas em nossas casas que acabam perdendo sua utilidade, quando isso acontece jogamos no lixo. Não paramos para pensar que esse produto poderia estar sendo utilizado por outra pessoa.”

Percebendo o problema, Herom elaborou uma hipótese: e se, em vez de continuarmos nesse ciclo descontrolado de compras, nós emprestássemos? E se tivéssemos uma plataforma de empréstimos? A partir desses pressupostos, começou a ser desenvolvido o site Empresta Aí.

Mas como funcionaria isso?

O conceito é relativamente simples: o usuário entra na plataforma e faz seu cadastro através de seu Facebook ou sua conta Google, depois diz o que tem de disponível para empréstimo e informa à plataforma o que necessita. O site, por sua vez, encontra usuários que possuem esse item e assim o usuário A solicitará o empréstimo ao usuário B.


A entrega do produto poderá ser feita via serviço do courrier, pelo qual o usuário pagaria uma taxa, ou através dos Pontos de Troca. Os Pontos de Troca consistirão em armários espalhados pela cidade em pontos estratégicos, que só poderão ser destravados através de uma senha recebida pelo celular.

Desafios de implantação

Para Herom, o maior obstáculo para que o projeto seja implantado é nossa própria cultura. “Não estamos acostumados a emprestar as coisas para desconhecidos, por isso temos que ter cuidado com sua motivação”, comenta. “É necessário ativar a rede por meio de cluster sociais  — universidades, centros comunitários, associação de moradores, igrejas, empresas, etc. Com isso o empréstimo acontecerá de forma natural.”

“A cultura de compartilhar vai transcender o ambiente virtual. Coisas como compartilhar seu carro e bicicleta já são realidade em países da Europa, é uma questão de tempo para vivermos isso aqui no Brasil.”

O designer está desenvolvendo sua ideia junto a seus colegas de trabalho, funcionários da empresa especializada em Experiência do Usuário Huna. O projeto ainda está em fase de testes internos. “Estamos em busca de parceiros de logística para viabilizar o serviço de entrega conosco e procuramos investidores para alavancar a ideia”, explica.

Caso você tenha se interessado e queira de alguma forma colaborar com a equipe do Empresta Aí, é possível entrar em contato através da fanpage da Huna ou dos contatos listados no site oficial da empresa.

Sistema Gerenciador de Água Quente (SGAQ) 

É comum que as pessoas, ao ligarem o chuveiro, deixem a água cair por algum tempo até que a temperatura esteja quente e agradável. Porém, com isso, gasta-se diariamente uma quantidade de água que, em uma escala massiva de residências, representa um desperdício imensurável. Foi pensando nessa questão que três estudantes de Engenharia Eletrônica na PUC-PR tiveram a ideia de desenvolver o Sistema Gerenciador de Água Quente ou SGAQ.

O SGAQ é mecanismo composto por uma eletroválvula acoplada a um sensor, com saída para um cano de retorno ao reservatório. Ao receptar a água, o sensor analisa sua temperatura e verifica se ela está adequada para utilização. Se não estiver, o sistema encaminha a água, por meio da gravidade, para um cano de retorno ligado ao reservatório.

Ao identificar a temperatura adequada da água para o banho, o sistema libera a válvula da saída de água para o chuveiro, interrompendo o fluxo de retorno da água fria pelo cano para o reservatório. Assim, somente a água aquecida será utilizada pelo usuário. Eles descrevem com mais detalhes neste vídeo gravado durante o CICI 2014.

Quais seriam os benefícios?

“O benefício para a comunidade é a economia no bolso e o conforto para não ficar dentro do box vendo toda aquela água gelada ir pelo ralo além de morar em um prédio com hábitos sustentáveis”, explica o trio de estudandes Aleksander Hinça, Augusto de Oliveira e Daniel da Silva.

Eles sugerem o seguinte cálculo: se em um prédio de 100 apartamentos, em que a média de moradores de apartamento seja de 3 pessoas que tomam 2 banhos por dia, deixa-se o chuveiro aberto por 1 minuto, em um período de 24 meses (2 anos) gasta-se mais de R$ 33 mil reais.

Aleksander diz que gostaria que todas as residências, prédios, hotéis, que utilizam aquecimento central, instalassem nosso produto para evitar o desperdício significativo de água. “Nossos principais aliados são as construtoras, para instalar esse produto no momento em que o prédio está sendo construído”, afirma. “A ideia já foi patenteada. Quero aproveitá-la para fazer meu TCC ano que vêm.”

Status do projeto

Atualmente, o projeto encontra-se em estágio inicial. A equipe já tem um protótipo acadêmico, construído para apresentar a ideia na universidade, mas ainda falta a criação de um protótipo comercial, visando a instalação em residências ou prédios e testar assim seu real funcionamento.

O grupo busca investidores, colaboradores e patrocínio para levarem a ideia adiante. Se você ficou interessado na iniciativa e deseja ajudar, basta entrar em contato com o Aleksander através de seu perfil pessoal no Facebook.

No próximo episódio...

Conheça o projeto de uma plataforma digital, voltada para pequenos empreendedores, que propõe desenvolver novos negócios em bairros e comunidades locais e também a interessante proposta de arquitetos e designers de Curitiba para a reformulação das famosas estações tubo, marca registrada da capital paranaense, transformando-as em modernos pontos de ônibus autossustentáveis em energia. Não perca na semana que vem a quarta e última parte de Ideias tecnológicas inovadoras que podem mudar o Brasil.

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