(Fonte da imagem: Reprodução/Microsoft)

Ano passado, a Microsoft deu o primeiro passo rumo à integração entre o Windows e opções de hardware especialmente projetadas para seus softwares.

O Surface RT e o Surface Pro ganharam as manchetes, pois eram dois aparelhos com proposta distintas que estavam entrando no mercado para competir diretamente com o iPad.

Um ano se passou e, mesmo atacando a Apple incansavelmente, a Microsoft não teve muito sucesso. Agora, em uma tentativa de trazer mais competitividade ao jogo, a companhia lançou novos gadgets: o Surface 2 e o Surface Pro 2.

Os novos aparelhos são mais finos, leves, poderosos, capacitados e inteligentes, mas a batalha não vai ser fácil para a Microsoft. Conforme as previsões publicadas pelo Digitimes, pode ser que essas ações não sejam suficientes para levantar as vendas. Por quê? Isso e muito mais é o que vamos comentar neste artigo.

Uma aposta tardia

A Microsoft tem longa experiência em gadgets portáteis. Sua aposta em celulares começou no ano 2000 com o sistema Windows Mobile. Acontece que a empresa não evoluiu com o tempo, acabou perdendo mercado e foi ultrapassada pelas concorrentes.

(Fonte da imagem: Reprodução/Microsoft)

Em 2007, o jogo mudou completamente, com a Apple entrando com o iOS. No ano seguinte, a Google lançou o Android e complicou ainda mais o meio de campo. A chegada do Windows Phone resolveu parte do problema, mas a Microsoft demorou a pensar em combater outros gadgets que traziam os sistemas concorrentes: os tablets.

O Surface chegou dois anos depois do iPad e do Galaxy Tab, o que complicou tudo para a Microsoft. Combater dois sistemas bem estabelecidos (e que têm uma grande base de usuários) no mercado e sem ter novos atrativos é muito difícil. Aparentemente, não bastou simplesmente dizer que é Windows, pois as pessoas sabiam que esses gadgets não eram PCs.

Por chegar tarde, a MS parece ter pensado em recuperar possíveis lucros perdidos jogando o preço lá em cima, mas isso apenas complicou as vendas. Vale lembrar ainda que as especificações razoáveis não convenceram os consumidores — e não diga que isso não muda nada, pois todos querem o melhor hardware possível.

Windows RT: uma causa perdida

Quando tratamos de pioneirismo, a Microsoft nem sempre está entre as empresas mais notáveis, mas certamente ela tem capacidade para entrar em um mercado e competir tranquilamente com outras grandes marcas (Xbox está aí para provar).

Todavia, no caso da briga no mercado de tablets, a companhia talvez tenha dado uma grande mancada. Diferente de suas concorrentes — o iOS tem certo parentesco com o OS X, mas são coisas distintas —, a MS quis apostar em um sistema de desktop para tablets, o que possivelmente prejudicou a popularização de seus equipamentos.

(Fonte da imagem: Reprodução/Microsoft)

Os analistas da Digitimes sugerem que o fraco ecossistema da Microsoft é o principal fator para o Surface não ter feito o sucesso que deveria. Basicamente, o consumidor não pensou em pular de cabeça no tablet com Windows RT, pois não era a mesma experiência que ele tinha no Windows Phone.

E a aposta para o novo Surface RT não é das melhores. A maioria dos analistas pensa que, com o prejuízo gerado (algo próximo de US$ 900 milhões) pelos tantos produtos que ficaram em estoque e com tantos desenvolvedores pulando fora do Windows RT, o sistema tem cada vez menos chances de sobreviver.

Conforme nota o site BGR, o lançamento do Surface RT é um grande passo, pois é um tablet que atende aos principais desejos dos consumidores que experimentaram o primeiro modelo. Acontece que poucas pessoas adquiriram o gadget lançado no ano passado, o que leva a crer que esta pode ser uma jogada pouco inteligente.

E o Surface Pro?

Enquanto o Surface RT sofre com a falta de uma proposta bem definida, o Surface Pro tem diversas vantagens que podem mantê-lo vivo. Primeiro, devemos notar que ele conta com um hardware bem preparado para diversos apps, o que pode torná-lo quase tão útil quanto um computador comum. Todavia, essa não é a característica mais notável do produto.

(Fonte da imagem: Reprodução/Microsoft)

O sistema aqui é o Windows 8. Superando um problema do modelo mais básico, este aparelho tem em sua loja uma série de apps. Os desenvolvedores já trabalham nesses softwares para suprir as necessidades dos consumidores que usam o sistema nos desktops, notebooks e afins.

Claro, essa vantagem não quer dizer que ele vai ser um estrondo de vendas, afinal o antecessor não teve muito sucesso, o que pode indicar que o mercado não quer ter o poderio de um computador nas mãos ou que simplesmente as pessoas realmente buscavam a integração entre o smartphone e o tablet.

Será que um Surface mini seria a salvação?

Em meio ao fracasso da Microsoft, uma onda de rumores vem sugerindo que a empresa lançará o Surface mini. De acordo com as informações do ZDNet, a versão menor do gadget teria uma tela de 7,5 polegadas e seria lançada no outono (primavera nos EUA) de 2014 com uma atualização posterior à do Windows 8.1.

(Fonte da imagem: Reprodução/Windows Blog Italia)

O jornalista Ross Rubin, da Cnet, aposta nessa ideia, sugerindo que um tablet menor custaria menos e, consequentemente, poderia vender mais. De acordo com as ideais dele, um produto menor poderia mostrar ao consumidor que se trata de um Windows semelhante ao que ele conhece nos smartphones com WP8.

A grande questão a se levantar é: será que vale a pena apostar em uma versão menor de um produto que não vende? Ao que parece, a Microsoft não quer se dar por vencida e dizer que todo seu esforço foi em vão — o que ela já provou ao lançar os novos Surfaces.

Talvez, insistir em uma versão reduzida de seu gadget evitaria a abertura de precedentes para que todas as rivais falassem sobre sua incompetência em criar hardware de qualidade. No entanto, isso também poderia levar a Microsoft a ter mais prejuízos (ela até tem dinheiro para se arriscar desse jeito, mas talvez essa jogada não seja tão inteligente).

Um tablet Nokia poderia resolver o problema

Sinceramente, eu considero que a entrada da MS no território dos tablets foi tardia e muito errada. A questão do tempo não há como corrigir, mas, em minha opinião, a melhor solução agora seria aproveitar toda a bagagem da Nokia (e os possíveis protótipos que já foram projetados) e lançar um tablet que siga a linha do Windows Phone 8.

(Fonte da imagem: Reprodução/genk)

Além de ganhar o público com a marca da Nokia, a Microsoft poderia vender mais usando os diversos apps já disponíveis para WP8 como propaganda. Quem sabe este tablet possa até ser uma versão mini, mas uma mudança de nome talvez seja o mais coerente, visto que o público não vai captar a mensagem de que se trata de um produto novo.

Seja como for, alguma medida deve ser tomada, pois continuar investindo em melhoria de hardware e alguns recursos não muito atraentes não vai levar a companhia para frente. O que você acha do Surface? Acredita que a Microsoft tem chance de se salvar neste mercado?

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