(Fonte da imagem: Reprodução/SeaOrbiter)

Alguns anos atrás, quando o projeto do SeaOrbiter desenvolvido pelo arquiteto francês Jacques Rougerie apareceu, ele parecia mais um delírio futurista e uma ideia saída de uma obra de ficção científica do que uma proposta que pudesse ver a luz do dia.

O observatório oceânico serviria como um grande laboratório para cientistas estudarem a vida marinha, o fundo dos oceanos e a influência dos mares nas condições climáticas e ambientais do planeta.

O projeto do SeaOrbiter passou os últimos 12 anos em estudo, com fases de planejamento, design, testes e financiamento, e está finalmente se tornando realidade com a construção do primeiro modelo, orçado em US$ 52,7 milhões e com previsão de ser lançado em breve ao mar, em Mônaco – o mesmo lugar em que o lendário oceanógrafo Jacques Cousteau começou seus trabalhos.

A torre de estudos oceânicos

O SeaOrbiter é um inovador navio de pesquisa em formato vertical, com 51 metros de altura, sendo que 38 metros da estrutura ficarão submersos no oceano. Essa parte abriga um centro de coleta de espécies, deck para lançamento de equipamentos e câmaras de observação da vida marinha.

(Fonte da imagem: Reprodução/SeaOrbiter)

O projeto tem utilização preferencial para a comunidade científica: “Ele foi projetado para explorar o oceano de uma maneira inédita, passando mais tempo no mar, dando às pessoas a oportunidade de viver submersas por períodos mais longos para observar e realizar missões de pesquisa com a biologia marinha, estudar a oceanografia e as questões climáticas”, diz um dos diretores do SeaOrbiter, Ariel Fuchs.

A proposta é aumentar o tempo de medição e observação da vida marinha, de forma continuada e sem as restrições operacionais de navios convencionais – que dependem de manutenção e de abastecimento de tempos em tempos.

À deriva

A embarcação deve se movimentar de acordo com as correntes oceânicas e vai gerar grande parte da energia necessária para seu funcionamento de maneira sustentável e renovável, com produção de energia solar, eólica e até pela força das ondas.

O fato de ter mais de dois terços da sua estrutura submersa é o que dá flutuabilidade à torre e segurança mesmo em meio a tempestades e mares agitados. No vídeo abaixo, que mostra em detalhes o conceito do SeaOrbiter, é possível conferir os testes de simulação com um protótipo em miniatura dentro de um tanque de água.

Além dessas características de flutuação, locomoção e sustentabilidade, há uma fonte alternativa de energia – por biocombustível – em desenvolvimento para auxiliar o navio na realização de tarefas e em eventuais deslocamentos marítimos.

Simbiose com os oceanos

O conceito por trás do SeaOrbiter é permitir a observação contínua da vida nos oceanos, reduzindo o impacto e a intrusão da atividade humana nos ecossistemas. A busca pela simbiose com os oceanos tem como objetivo compreender melhor os processos inerentes da vida marítima sem a interferência do homem.

O projeto espera estabelecer um novo padrão de comunicação científica, permitindo aos pesquisadores rastrear e monitorar os oceanos em tempo real. Os laboratórios da embarcação contarão com transmissões via satélite para enviar informações precisas e atualizadas sobre as condições marítimas, a qualidade dos mares e os resultados das pesquisas sobre a mudança climática.

(Fonte da imagem: Reprodução/SeaOrbiter)

Um dos estudos que a comunidade científica espera realizar a bordo do SeaOrbiter é entender melhor o papel dos oceanos na absorção de gás carbônico, e como os mares ajudam a reduzir o efeito estufa do planeta. Já a parte da estrutura que fica acima do mar contém um terraço de observação ao ar livre que vai permitir aos tripulantes documentarem também a migração de aves e pássaros.

O primeiro SeaOrbiter deve entrar em operação até 2015 e poderá contar com 18 cientistas vivendo no navio. Se tudo sair como planejado, a equipe vai possuir uma embarcação de pesquisa de última geração capaz de fornecer acesso fácil ao reino submarino e com menor impacto ao ecossistema em alto-mar.