Escrever no Word, o editor de texto da Microsoft, é uma rotina para um bom número de pessoas em todo o Brasil, mas o que pouca gente sabe é que um dos principais recursos do programa foi desenvolvido aqui mesmo, em território nacional. O embrião do corretor que hoje indica palavras e sentenças escritas fora da norma padrão do nosso idioma foi criado dentro do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo, localizado em São Carlos.

Inicialmente projetado para ser comercializado em CD, o corretor foi criado a pedido da Itautec, uma tradicional fabricante brasileira de computadores. A ideia inicial era simplesmente de um corretor ortográfico para empresas, mas o projeto, apelidado de ReGra, evoluiu e se tornou capaz de realizar correções gramaticais e de estilo.

Ele foi criado em 1993 e, sete anos depois, a Itautec o licenciou para a Microsoft, que desejava incluí-lo em todos os programas do pacote Office. “Em 2008, a Itautec vendeu definitivamente os direitos do produto à Microsoft e, portanto, o projeto chegou ao final, com bastante sucesso, por sinal”, afirma em entrevista à BBC Maria das Graças Volpe Nunes, do ICMC, coordenadora do projeto.

1º do mundo feito para o português

O corretor desenvolvido pela equipe de Nunes foi o primeiro do mundo feito para o português, conta um dos participantes do projeto, o físico Osvaldo Novais de Oliveira Junior, do Instituto de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFScar). "Quase na mesma época, uma empresa em Portugal, ativa até hoje, desenvolveu um revisor para a versão do idioma como é falado lá. O lançamento do deles deve ter ocorrido pouco depois do nosso”, comentou.

Atualmente, o corretor usado no Word e nos demais programas do Office são “100% Microsoft”, garante a companhia. 

“Inicialmente, a Microsoft realizou acordos para a utilização de licenças de corretores ortográficos de terceiros para muitos idiomas ao redor do mundo, mas gradativamente todos eles foram migrados para a plataforma da empresa”, afirmou a empresa em nota. “A ferramenta brasileira fez essa migração na versão do Office 2010, o que significa que a tecnologia presente no produto já é 100% Microsoft.”

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