No início da semana, o grupo ativista de direitos civis American Civil Liberties Union (ACLU) acusou a Amazon de fornecer a sua tecnologia de reconhecimento facial para algumas autoridades regionais dos Estados Unidos. Hoje (25), a cidade de Orlando confirmou oficialmente a utilização do sistema Rekognition.

Quem deu razão às denúncias da ACLU foi John Mina, chefe de polícia da cidade localizada no estado da Flórida, ao sul dos EUA. Em entrevista coletiva, ele revelou que a polícia local tem três câmeras IRIS com a tecnologia de reconhecimento facial da Amazon espalhadas pela cidade, contrariando sua fala anterior de que as câmeras estariam apenas no quartel da polícia e sendo usadas em caráter de testes.

Mina, entretanto, afirmou que o equipamento ainda está sendo apenas testado e não é capaz de monitorar ninguém. O chefe da polícia de Orlando garantiu que somente policiais que se voluntariaram para participar da fase de testes é que são reconhecidos pelo software quando passam diante das câmeras.

Durante a coletiva, o chefe de polícia garantiu que a localização das três câmeras seria revelada ao público, mas o departamento de polícia voltou atrás e não informou onde estão os dispositivos. Mina disse que existe a possibilidade de esse sistema ser usado em larga escala no futuro, mas a cidade de Orlando ainda está bem distante de tal cenário. Por fim, ele afirmou não ter certeza se as imagens capturadas são enviadas para algum servidor da Amazon.

Carta a Bezos

Após a descoberta de que a Amazon estaria fornecendo a sua tecnologia avançada de reconhecimento facial para autoridades, 41 entidades que lutam por direitos e liberdades civis nos Estados Unidos assinaram uma carta endereçada a Jeff Bezos, o criador e presidente da Amazon, pedindo que a empresa interrompesse esse tipo de negociação.

Eles pediam ao executivo para "agir rapidamente e se posicionar ao lado dos direitos e das liberdades civis, incluindo as de seus próprios clientes, e retirar o Rekognition da mesa dos governantes".

Em contato com o TecMundo por meio de sua assessoria de imprensa, a Amazon afirmou exigir que seus clientes façam uso responsável de suas ferramentas sempre respeitando as leis. A companhia alegou, ainda, que suspende o fornecimento sempre que identifica alguma prática ilegal, apesar de não ter se manifestado especificamente sobre o caso denunciado pela ACLU.