O Sense é um scanner 3D criado pela 3D Systems, empresa especializada em soluções 3D, incluindo impressoras (como a Cube 3D, que nós já testamos), material de impressão, entre outros. O crescimento desse ramo está fazendo a empresa aumentar rapidamente, assim como a sua lista de produtos.

E como as impressoras 3D não são mais exatamente uma novidade no mercado, agora as companhias estão desenvolvendo scanners para que você possa digitalizar os objetos em três dimensões para depois imprimi-los em sua máquina. A Makerbot já lançou o Digitizer e agora é a vez da 3D Systems investir em um sistema desses.

O Sense foi desenvolvido para que qualquer pessoa — mesmo sem conhecimento prévio — possa digitalizar o que quiser. Nós testamos o Sense e vamos dizer se ele é mesmo eficiente.

Como funciona o Sense?

A primeira vista o Sense parece uma pistola de filme de ficção científica. O scanner tem um formato retangular, com um buraco no meio. Para manuseá-lo é preciso segurar como uma pistola mesmo, já que os três sensores ficam na parte frontal. Para fazer a digitalização os objetos é preciso “mirar” neles até que o Sense capture as imagens.

O Sense possui três lentes que servem para fazer a varredura. O primeiro, localizado na parte inferior, projeta uma luz infravermelha no objeto a ser lido. Essa luz IR é, depois, captada pela câmera posicionada logo acima.

Através disso o software instalado na máquina consegue modelar o objeto com base no que é captado pelo sensor. A terceira lente é uma câmera normal que tem como função adicionar as cores e texturas à superfície do objeto analisado.

Curiosamente, a tecnologia é a mesma encontrada na primeira versão do Kinect, o sensor de movimentos desenvolvido para acompanhar o Xbox 360.

Aplicativo Sense

A 3D Systems disponibiliza gratuitamente um software de gerenciamento do scanner em seu site. Ele é compatível com Windows e Mac e pode ser instalado em computadores e tablets com Windows.

A instalação é bem simples e a única tarefa mais complicada é o registro do produto. É preciso criar uma conta no site da 3D Systems ou conectar sua conta Google ou Facebook ao site, além de associar o número de série do Scanner a sua conta para ativar o software. Vale lembrar que esse processo é padrão da empresa e também é necessário para a instalação da Cube 3D (impressora 3D).

A utilização do aplicativo também é bem explicada: logo na primeira vez que é executado, ele mostra uma animação com os passos iniciais necessários para que você saiba como deve fazer para digitalizar os objetos.

A interface principal também é intuitiva: logo na tela inicial é possível escolher o tipo de objeto que você pretende digitalizar, desde itens pequenos, médios ou grandes e até mesmo pessoas.

Feito isso, é só iniciar o processo e se preparar para o trabalho.

Como funciona a digitalização

O processo de escaneamento é relativamente simples e não exige nenhum conhecimento avançado, basta ativar o aplicativo na máquina e mirar o Sense para o que você quer analisar.

O processo todo não demora muito tempo. Se você já tirou fotos panorâmicas com o celular, vai perceber que o sistema funciona de forma bastante parecida.

O processo de captação da imagem exige que você circule o objeto a ser analisado, o que pode ser um pouco trabalhoso dependendo do tamanho dele. Outro ponto em que é preciso ter cuidado é com o foco: se você mexer o sensor de forma brusca o sistema pode acabar se perdendo.

Caso isso aconteça, o software bloqueia o processo de digitalização até que você possa retomar o ponto exato em que o sistema falhou. E isso é algo extremamente difícil de fazer, sendo que, na maioria das vezes, escanear tudo de novo chega a ser mais rápido.

O fio também prejudica um pouco a movimentação: o Sense 3D precisa estar conectado à porta USB da sua máquina para funcionar, fazendo com que utilizar um tablet ou notebook seja mais prático na hora do trabalho.

Nesse ponto, talvez tivesse sido mais eficiente que a 3D Systems incluísse um sistema de transmissão de dados sem fios para agilizar o trabalho. É claro, isso encareceria um pouco o projeto e talvez tenha sido justamente esse o fator determinante por trás da escolha da empresa.

Tipos de objetos

O Sense 3D permite que você escolha entre três categorias diferentes de objetos no início: pequeno, médio e grande. Na categoria pequeno, ele cita como exemplos uma bola de futebol, um livro ou um notebook, ou seja, nada realmente pequeno. Isso porque o sistema tem muita dificuldade para captar detalhes, fazendo com que a análise de objetos menores seja algo mais difícil.

Na categoria pessoas o scanner se sai bem: o aparelho consegue distinguir relativamente bem os traços de um ser humano. O trabalho está longe de ser perfeito, mas é um excelente resultado para um scanner 3D “popular”.

Tratando os objetos

Depois de finalizar a digitalização é possível tratar as imagens no próprio software da 3D Systems. É claro que o tratamento é bem básico, resumindo-se a recortes de partes que possam estar sobrando na imagem e o preenchimento de pontos vazados.

Como quase sempre o Sense captura partes do “cenário” em torno do item, essas ferramentas são bastante úteis.

Caso você precise dar alguns retoques a mais aos objetos é preciso salvar o arquivo digitalizado para posteriormente abri-lo em um software de edição 3D.

Vale a pena?

Se você possui uma impressora 3D, sim, vale. Principalmente se modelagem em três dimensões não for o seu forte. Uma das vantagens do Sense em relação a outros scanners desse tipo é o preço. Lá fora esse dispositivo custa US$ 420. Aqui no Brasil o preço oficial é R$ 1.999. Um valor relativamente acessível para esse tipo de equipamento.

A facilidade de uso também pode ser apontada como uma vantagem do Sense, assim como o software de captura que oferece recursos de edição incrivelmente simples de usar.

Apesar de conseguir trabalhar bem com itens grandes e mais simples, o Sense tem problemas com objetos pequenos e detalhes mais complexos. Deste modo, esteja ciente de que antes de imprimir talvez seja preciso realizar algum tratamento nas imagens com a ajuda de um software de edição 3D.

Dificilmente você irá clonar perfeitamente algum objeto com o Sense, mas certamente esse produto é um acessório indispensável para quem gosta de trabalhar com impressão em 3D, seja profissionalmente ou apenas por diversão.

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