Entre todos os animais mais temidos e respeitados do mundo, os Rinocerontes certamente estão bem alto na lista; tanto que isso os torna alvos constantes de caçadores há anos. O resultado disso é que, mesmo que a prática seja proibida em praticamente todo o mundo, mais e mais dessas criaturas morrem a cada dia, colocando-as à beira da extinção.

Mas o fato é que, por mais que os governos pelo mundo façam muito para tentar protegê-los, manter um animal tão grande e agressivo como esses protegido é uma tarefa ridiculamente difícil – até porque eles não gostam muito da presença de humanos.

Um grupo chamado Protect, por sua vez, parece ter encontrado uma solução bastante inusitada para garantir a segurança dos rinocerontes. No lugar de manter soldados armados vigiando-os constantemente, como ocorre em alguns casos realmente emergenciais, a equipe está simplesmente carregando os animais com tecnologia de ponta.

Tecnologia anti-caça

O sistema, chamado RAPID (sigla para “Dispositivo de Inteligência Anti-Caça em Tempo real”, em inglês) consiste em um trio de aparelhos que você encontra em praticamente qualquer dispositivo móvel comum. Primeiro, a equipe prende um transmissor GPS no pescoço da criatura; junto disso, um monitor de batimentos cardíacos analisa qualquer mudança brusca no ritmo de batimentos do rinoceronte.

Assim, ao menor sinal de perigo – digamos, por exemplo, algo que o fez fugir em disparada, um dardo tranquilizante ou um tiro de uma arma –, a velocidade dos batimentos do animal faz com que os aparelhos enviem um pedido de ajuda, com a localização da criatura para que as autoridades entrem em ação.

Não podemos esquecer, é claro, do mais curioso de toda a tecnologia: uma câmera é inserida no chifre do rinoceronte, para que seja possível analisar que tipo de ameaça ele está enfrentando. A ideia, por mais estranha que seja, tem tudo para funcionar e ainda nos dá a visão de como é a vida desses animais, como você pode conferir no vídeo abaixo.

Um mal necessário

Antes que os ativistas contra a agressão aos animais peguem as tochas e ancinhos, vale notar que o processo, por mais peculiar que seja, não é perigoso para a vida do rinoceronte. De fato, ele não faz qualquer mal à vida da criatura e é totalmente indolor: chifres de rinocerontes são feitos apenas de pelos unidos e colados, então os chifres deles não apenas crescem de volta, como também quebrá-los ou perfurá-los não fere o animal. Sim, ainda é uma solução um tanto invasiva, mas mesmo assim é muito melhor do que deixá-los à mercê de caçadores ilegais.

Segundo Steve Piper, um dos diretores da ONG Protect, a ideia é que simplesmente o fato de um rinoceronte possuir um colar desses seja suficiente para impedir um caçador de matar o animal. “Ele age como um obstáculo para que ladrões percebem que qualquer animal que tem um desses colares ou unidades presos a ele estão basicamente fora da lista. Não há ponto em atacá-lo, não há sentido em matá-lo, porque você nunca vai fugir com as partes valiosas do animal”, disse ele ao site The Verge.

Apenas o começo

Se você achou a ideia interessante, saiba que o grupo não pretende parar por aí. O objetivo da Protect é dar fim a toda e qualquer prática de caça ilegal; logo, eles pretendem expandir a ideia para diversos lugares. Em seu site, a ONG já deixa claro que quer usar o RAPID para proteger os gatos-selvagens ainda em 2015, enquanto tem como alvo as tartarugas-marinhas do Caribe e todo o ecossistema da Sumatra em 2016.

Antes disso tudo, porém, a equipe tem que terminar seu projeto na África, que apenas passou da prova de conceito: ainda é preciso fazer ajustes para os primeiros protótipos de campo para os rinocerontes. Só então, nos próximos meses, o RAPID deve ser adaptado a tigres e elefantes do território africano.

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