O humorista britânico John Oliver, apresentador do talk show americano “Last Week Tonight”, falou na última edição de seu programa sobre a tecnologia de segurança com a qual são mantidas as ogivas nucleares nos Estados Unidos. O texto de Oliver é conhecido por ser bem afiado e divertido, porém entre as risadas provocadas é impossível não ficar preocupado com a situação, que acaba afetando todas as nações do planeta.

Ele chama a atenção para o fato de que um dos países que mais possuem armas nucleares no mundo simplesmente não fala sobre o assunto. “Talvez nós devêssemos nos preocupar sobre as ogivas nucleares um pouco mais”, diz o apresentador sobre a nação que tem 4.804 delas — o motivo de tal número é incerto, pois não há sequer 4.804 países no mundo para se bombardear.

Como o próprio apresentador brinca, isso “não é apenas mais do que o suficiente para explodir a Terra, é mais do que o suficiente para oferecer aos marcianos um show de fogos de 4 de julho”.

Condições precárias

Algumas dessas armas não estão sendo guardadas de forma apropriada. Entre as situações absurdas, há o caso de um silo no estado de Wyoming equipado com um sistema de segurança tão antigo que usa disquetes de 8 polegadas.

As dúvidas que surgem são de interesse não apenas dos americanos, mas de todos nós, uma vez que é possível explodir o mundo por acidente com um padrão de segurança tão falho como esse. Como armas tão mortais não estão — pelo menos — protegidas com softwares mais sofisticados?  Seria uma forma de enganar hackers adolescentes que não sabem como funciona um disquete?

O número de irregularidades beira ao ridículo e envolve desde instalações caindo aos pedaços a generais mais interessados em fazer papelões em restaurantes e cassinos do que fazerem seu trabalho. Ainda que os inimigos dos americanos temam suas tantas armas nucleares, como Oliver diz, elas são como os braços de um tiranossauro: “São basicamente inúteis e você já tem bastante medo do animal sem eles”.

Ninguém parece ligar

O apresentador expõe a teoria de que, quando se trata de armas nucleares, “as pessoas simplesmente não dão mais a mínima”.  Se isso for verdade, talvez também esteja incluso em “as pessoas” aqueles que estão a cargo da responsabilidade de garantir que essas ogivas sejam mantidas em segurança.

As razões dessa situação crítica provavelmente permanecerão. Elas são de natureza financeira, institucional e política. Mas não são necessariamente uma boa desculpa para deixarmos que o mundo acabe por causa de erros primários — como o vídeo mostra que quase já aconteceu algumas vezes. “Se a humanidade será destruída por uma arma nuclear, que pelo menos aconteça de forma intencional”, ele comenta.

Se você acha que todas essas afirmações parecem exageradas ou alarmistas, todo o discurso de John Oliver usa fatos apresentados em reportagens de jornais diversos. Infelizmente ainda não há legendas para o vídeo, mas se você tem domínio da língua inglesa, assista, serão 15 minutos muito bem investidos. 

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