A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, nesta semana, o inquérito sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na madrugada de 4 de janeiro de 2026, na Praia Brava, em Florianópolis. A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei e pela Delegacia de Proteção Animal, contou com apoio de uma força-tarefa estadual e utilizou o software francês Mercure V4.2, desenvolvido pela empresa Ockham Solutions, do grupo ChapsVision, para cruzamento e análise de dados.
Segundo a corporação, os investigadores analisaram mais de mil horas de imagens captadas por 14 câmeras de segurança da região, ouviram 24 testemunhas e investigaram oito adolescentes ao longo da apuração.
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A ferramenta francesa foi empregada para examinar informações extraídas de celulares, dados de geolocalização e metadados de comunicação, permitindo visualizar deslocamentos em mapas e reconstruir conexões entre investigados. A tecnologia é usada por órgãos de segurança na Europa em investigações forenses e inteligência policial.
De acordo com a Polícia Civil, o sistema ajudou a identificar inconsistências no depoimento do adolescente apontado como autor do ataque. Imagens indicam que ele deixou o condomínio onde mora às 5h25 e retornou às 5h58, embora tenha afirmado que permaneceu na piscina e não saiu do local.
O jovem viajou ao exterior no mesmo dia em que os suspeitos foram identificados e retornou ao Brasil em 29 de janeiro, quando foi interceptado no aeroporto. No momento da abordagem, familiares teriam tentado ocultar peças de roupa consideradas relevantes para a investigação.
Andamento das investigações
O inquérito da morte do cão Orelha foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, com pedido de internação do adolescente suspeito, medida equivalente à prisão no sistema adulto. Três adultos também foram indiciados por coação a testemunha. A defesa afirma que as provas divulgadas são circunstanciais e que não há conclusões definitivas.
O caso chamou a atenção não apenas pela repercussão social, mas pelo uso de tecnologia internacional para análise de grandes volumes de dados em investigações locais.
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