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Segurança

Dois criminosos esvaziaram caixas eletrônicos usando malware e acesso físico

: Operação combinava força bruta e tecnologia para contornar segurança bancária. Caso revelou rede criminosa com 54 pessoas usando mesma técnica nos EUA

Avatar do(a) autor(a): Cecilia Ferraz

schedule24/01/2026, às 14:00

updateAtualizado em 24/01/2026, às 15:32

Dois venezuelanos foram condenados à prisão e deportação após orquestrarem um esquema de invasão a caixas eletrônicos que drenou centenas de milhares de dólares de bancos em pelo menos quatro estados nos Estados Unidos. A operação combinava acesso físico às máquinas com um malware customizado para contornar sistemas de segurança.

Luz Granados (34) e Johan Gonzalez-Jimenez (40) foram sentenciados por conspiração e crimes relacionados a computadores após investigação conjunta do Serviço Secreto dos Estados Unidos e da Divisão de Polícia da Carolina do Sul (SLED). 

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O Departamento de Justiça dos EUA divulgou os detalhes da operação criminosa que atingiu instituições financeiras na Carolina do Sul, Geórgia, Carolina do Norte e Virgínia.

O modus operandi

O esquema explorava uma vulnerabilidade crítica em caixas eletrônicos mais antigos. Durante a noite, a dupla abria fisicamente o exterior das máquinas em cidades como Columbia e Rock Hill, conectando um laptop diretamente ao sistema interno do equipamento.

Em seguida, carregavam um malware que forçava os caixas eletrônicos a distribuir dinheiro aos criminosos até que os fundos do caixa eletrônico se esgotassem , segundo o DoJ.

A técnica contornava completamente os protocolos de segurança bancária ao atacar o próprio hardware da máquina, transformando o que deveria ser um cofre digital em um dispensador automático de dinheiro para os criminosos.

Clientes não foram afetados diretamente

Um detalhe importante revelado pela investigação é que as contas bancárias dos clientes nunca estiveram em risco. O dinheiro roubado pertencia aos bancos proprietários dos caixas eletrônicos, não aos usuários individuais. Isso significa que informações pessoais e saldos de contas permaneceram protegidos durante toda a operação criminosa.

Ramificações nacionais

A investigação revelou que o caso vai muito além da dupla condenada. As evidências coletadas permitiram que o Distrito de Nebraska apresentasse acusações contra outras 54 pessoas envolvidas em uma operação semelhante, sugerindo uma rede criminosa organizada atuando em escala nacional.

Esse desdobramento indica que o esquema pode ter sido parte de uma estrutura maior de crime cibernético, com múltiplas células operando simultaneamente em diferentes regiões do país usando a mesma técnica de invasão.

As sentenças vão além da deportação

A juíza distrital Mary Geiger Lewis determinou penas severas para ambos os acusados. Granados está atualmente detida aguardando deportação e foi condenada a pagar US$ 126.340 em restituição. Gonzalez-Jimenez recebeu 18 meses de prisão federal, uma conta de US$ 285.100 em restituição e será deportado para a Venezuela imediatamente após cumprir sua sentença.

O procurador-adjunto dos Estados Unidos, Scott Matthews, responsável pelo caso, confirmou que investigações sobre esse tipo de assalto bancário com alta tecnologia continuam sendo uma prioridade máxima para as autoridades federais. A mensagem é clara: mesmo esquemas tecnicamente sofisticados serão rastreados e seus perpetradores enfrentarão consequências severas.

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