Imagem de: Redes de extrema-direita espalharam 533 milhões de fake news na Europa

Redes de extrema-direita espalharam 533 milhões de fake news na Europa

2 min de leitura
Avatar do autor

Um relatório do movimento Avaaz apresentou o funcionamento de redes de extrema-direita europeias no Facebook: foram publicados e compartilhados nos últimos três meses cerca de 533 milhões de conteúdos maliciosos que envolvem notícias falsas (fake news), frases falsificadas, discursos de ódio e vídeos contra imigrantes. Tudo isso funcionando em cerca de 500 páginas na rede social de Mark Zuckerberg.

Milhões de europeus foram expostos às mentiras, manipulação e ódio, e a esmagadora maioria deles nunca descobrirá sobre isso

“A Europa está se afogando na desinformação”, afirmou o diretor da Avaaz, Christoph Schott, ao DW. "O que vimos é um vasto uso de contas falsas e um vasto uso de táticas enganosas. Então, são mais táticas de desinformação que estão sendo usadas para fingir que uma questão específica que é frequentemente muito odiosa ou muito racista ou anti-migrante é mais popular do que realmente é”.

Das 500 páginas, 77 já foram removidas do Facebook — apenas as 77 páginas possuíam 5,9 milhões de seguidores. Elas aglutinam propaganda de extrema-direita voltada para países como França, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Polônia e Itália. Vale notar que, as páginas de partidos ditos como extrema-direita na Europa [espanhol Vox, alemão AfD, italiano League, polonês PiS, francês Rally e britânico Brexit Party] não possuem o mesmo número juntos, alcançando apenas 2 milhões de seguidores.

Eles fizeram uma operação de emergência, mas a mídia social está tão doente que isso não é suficiente

Entre as táticas utilizadas nos grupos para inflamar os usuários, a Avaaz notou que até cenas de filmes são mostradas como se fossem atos reais — um deles mostrava, por exemplo, imigrantes destruindo um carro policial. Mesmo que a cena tenha sido revelada como falsa diversas vezes, a cena continuava sendo compartilhada exaustivamente. Outra tática envolve a criação de grupos com nomes ‘comuns’, como “Veja filmes de graça” e, gradualmente, alterar o nome para um lema nacionalista como “Lute pela Espanha”.

“Eles fizeram uma operação de emergência, mas a mídia social está tão doente que isso não é suficiente", disse o gerente de campanha da Avaaz, Schott, à DW. "Você tem que fazer uma varredura de corpo inteiro, fazer o trabalho sozinho e não ter alguns 'elfos' maravilhosos que funcionam para você. E é isso que pedimos para o Facebook para fazer. Milhões de europeus foram expostos às mentiras, manipulação e ódio descritos neste relatório, e a esmagadora maioria deles nunca descobrirá sobre isso. E nem os bilhões que serão expostos durante a próxima eleição, e a próxima depois disso — a menos que o Facebook aja agora”.

Comentários

Conteúdo disponível somente online
Veja também
Redes de extrema-direita espalharam 533 milhões de fake news na Europa