Quando o presidente dos Estados Unidos Donald Trump usa o seu iPhone pessoal para fazer ligações, espiões russos e chineses escutam tudo, afirma uma reportagem publicada pelo New York Times na última quarta-feira (24). A informação teria sido confirmada ao jornal por oficiais ativos e ex-oficiais de segurança frustrados de alertar o mandatário sobre tais riscos e não obter resultados.

Agentes de inteligência verificaram que essas interceptações existem e, pior, são favorecidas pela teimosia e pelos descuidos de Trump, que não segue alguns ritos básicos especialmente para um chefe de estado.

Segundo a reportagem, Trump tem três iPhones, sendo dois oficiais e um pessoal. Os oficiais (um para usar aplicativos e outro para ligações) foram modificados e ganharam aprimoramentos de segurança para reduzir as chances de invasão hacker e interceptações. Já o terceiro aparelho é pessoal e o fato de ser um iPhone é considerado uma conquista de seus assessores, porque antes ele usava um Android, considerado menos seguro.

TrumpLigações de Trump são monitoradas por espiões russos e chineses, afirma NYT. (Fonte: Gage Skidmore)

Os iPhones oficiais deveriam ser totalmente substituídos, sem qualquer tipo de backup, a cada 30 dias, mas isso raramente acontece. Além disso, os oficiais sugerem a Trump use exclusivamente a linha fixa segura da Casa Branca, mas o presidente dos EUA ainda insiste em fazer ligações usando um smartphone.

Vulnerabilidade

Segundo a reportagem, a questão das interceptações de chamadas telefônicas seria um problema inerente a todos os telefones celulares, daí os riscos de se utilizar esse tipo de aparelho para comunicações sensíveis e oficiais.

“As chamadas a partir de telefones são interceptadas conforme viajam por meio de torres de celular, cabos e switches que compõem as redes móveis nacionais e internacionais”, informa o jornal. “As chamadas feitas de qualquer telefone celular — iPhone, Android ou um telefone flip old-school da Samsung — são vulneráveis.”

Espionar chamadas do telefone pessoal de um chefe de estado pode parecer inútil, afinal é plausível imaginar que temas sensíveis não são tratados de uma chamada feita a partir desse tipo de dispositivo. Mas a tentativa, neste caso, seria captar informações privilegiadas compartilhadas por Trump com amigos e parentes com os quais ele se comunica por meio do iPhone pessoal.

Em comparação com Barack Obama, seu antecessor, Trump é bem descuidado. Obama usava um iPhone durante o seu segundo mandato, mas não realizava ligações a partir dele e recebia emails apenas por meio de um endereço específico conhecido apenas por pessoas íntimas e alguns assessores. Quando precisava fazer ligações de um celular, o ex-presidente dos EUA utilizava o aparelho de algum assessor.

Prática comum

Esse expediente de tentar interceptar ligações feitas por chefes de estado, porém, é recorrente no mundo da espionagem e rotineiro inclusive na inteligência dos Estados Unidos. “As agências de inteligência dos EUA consideram [a interceptação telefônica] uma ferramenta de espionagem essencial e rotineiramente tenta captar telefones de líderes estrangeiros”, revela o NYT.

Diante disso, é natural imaginar que outras potências também estejam com os ouvidos atentos ao que Trump diz em seu celular pessoal. Em um mundo cada vez mais conectado e mobile, os cuidados com segurança e privacidade devem ser ainda mais intensos e “infalíveis” quando se trata de chefes de estado.

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