Nos últimos anos, tem sido comum ver por aqui notícias sobre uma espécie de cruzada da justiça dos Estados Unidos contra a criptografia. Tanto é que o FBI, a polícia federal de lá, já falou abertamente contra a proteção de mensagens privadas e até mesmo tentou forçar a Apple a criar um backdoor para o iPhone.

Para tentar convencer a opinião pública de que isso era necessário, o órgão citou o expressivo número de 7,8 mil aparelhos que não poderiam ser acessados ao longo de uma investigação porque estavam bloqueados e criptografados. Contudo, segundo reportagem do Washington Post, esse número é exagerado.

A publicação afirma que a quantidade, já alardeada algumas vezes até mesmo pelo diretor do FBI Christopher A. Wray, supera em algumas vezes o número real, que  seria de cerca de 1,2 mil aparelhos segundo uma fonte interna. O órgão percebeu o erro no último mês e realiza uma auditoria para tentar chegar a um número exato, mas, agora, acredita-se que ele não passe de 2 mil.

Número de celular que não podem ser investigados por causa da criptografia pode ser mais de quatro vezes menor do que o informado inicialmente pelo FBI

“A avaliação inicial do FBI é de que erros de programas resultaram em uma contagem exagerada de dispositivos móveis”, assumiu a polícia federal dos EUA nesta terça-feira (22). Ainda de acordo com o Post, o órgão alegou o uso de três base de dados distintas durante a contagem para chegar a um número tão exagerado de 7,8 mil aparelhos. Além disso, a metodologia utilizada durante uma avaliação em abril 2016 não teria sido capaz de identificar o erro de forma antecipada.

Se cerca de 2 mil aparelhos ainda marca um número significativo, ele é quase quatro vezes inferior à quantidade apresentada pelo FBI para tentar “convencer” empresas do setor mobile e de tecnologia a criarem vias de acesso oficiais para a polícia em seus próprios produtos.

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