Uma situação bastante controversa vem se desenrolando nas relações entre Rússia e Estados Unidos, mais uma vez envolvendo um caso de possível roubo de dados. Segundo uma longa reportagem do BuzzFeed, o governo de Vladimir Putin pode ter acesso a dados biométricos de milhões de cidadãos dos EUA.

Isso aconteceria graças a uma trama que começa com uma companhia francesa chamada de Sagem Sécurité (antes conhecida como Morpho), responsável por fornecer o software usado pela polícia federal dos EUA, o FBI, e também por outras 18 mil agências de aplicação da lei em todo o país norte-americano.

Conforme a reportagem, parte do software vendido para as autoridades dos EUA foi adquirida de uma empresa russa chamada Papillon AO. Essa companhia nunca fez questão de esconder a sua atuação em ações desenvolvidas para diversos setores do governo da Rússia, como o Ministério da Defesa e o Serviço de Segurança do país (FSB).

Tal associação levanta a possibilidade de que autoridades russas podem, de alguma forma, ter acesso a informações biométricas de cidadãos dos EUA. Isso poderia, aponta o BuzzFeed, ameaçar o bom funcionamento de todo o sistema computadorizado de agentes da lei nos Estados Unidos.

Uma porta aberta?

O ex-diretor de políticas da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA disse que ficou “nervoso” ao saber que parte do código do software usado por FBI e departamentos de polícia havia sido desenvolvido por russos. Um ex-funcionário da Morpho afirmou que ficaria “um tanto preocupado” ao com esse fato. Ninguém, contudo, afirma que há uma backdoor no programa que pode estar sendo explorada por espiões russos.

Eles não tiveram contato com o código, alerta a reportagem, mas a Papillon garante não ter nada de errado com o seu código licenciado para a companhia francesa. Além disso, o FBI garante também eu todo programa adquirido pelo órgão passa por uma análise minuciosa em busca de possíveis brechas e ameaças de segurança antes de ser colocado em uso.

Guerra Fria virtual

Desde o ano passado as tensões entre Rússia e Estados Unidos vêm aumentando gradualmente graças a questões virtuais. As coisas vão desde uma possível influência russa nas eleições presidenciais do ano passado até a as acusações feitas pelo governo do país norte-americano de que o programa antivírus russo Kaspersky estaria espionando os EUA.

Após problemas ao longo de todo o ano, a situação chegou ao extremo neste mês, quando o presidente Donald Trump baniu o software dos EUA. A Kaspersky Labs, responsável pelo antivírus, respondeu processando a administração de Trump.

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