Um grupo de pesquisadores da Universidade de Washington, nos EUA, publicou um artigo científico no qual descrevem uma experiência feita com uma sequência de DNA alterada que escondia um código malicioso para computadores. Ao inserir o material uma sequenciadora para fazer a leitura e “digitalização” do DNA, os pesquisadores conseguiram invadir o sistema da máquina e obter dados sensíveis da rede invadida.

“Nós analisamos as práticas de segurança digital de programas gratuitos e populares para sequenciamento genético e descobrimos que eles não seguem as melhores práticas de segurança”, discorre o artigo. O problema, segundo os pesquisadores é basicamente proveniente da forma como os softwares foram escritos.

Muitos desses programas foram desenvolvidos em linguagens conhecidas por apresentarem falhas de segurança rotineiramente

“Muitos desses programas foram desenvolvidos em linguagens conhecidas por apresentarem falhas de segurança rotineiramente, e nós encontramos indicações de problemas de segurança e de código vulnerável”, completa o texto.

Contudo, os pesquisadores explicam que esse tipo de software quase nunca é o foco de ataques hackers, mas alertam para a necessidade de melhorar a segurança e prevenir invasões catastróficas e vazamentos de dados sigilosos por negligência.

Vírus de comutador em DNA?

Essa ideia pode parecer bastante absurda para quem não tem muito conhecimento na área, mas essa é uma possibilidade teórica conhecida há um bom tempo. O que os pesquisadores norte-americanos fizeram foi provar que a vulnerabilidade pode ser explorada. “Nós demonstramos pela primeira vez que a síntese do DNA — quando sequenciada e processada — dá a um criminoso a possibilidade de executar código remotamente e sem autorização”, diz o trabalho.

O código foi traduzido em uma sequência de DNA, que é constituído de duas cadeias formadas por até quatro nucleotídeos diferentes. Esses elementos são representados pelas letras A, C, T, e G na biologia, e os pesquisadores traduziram um código de apenas 176 letras para incluir no DNA alterado que infectou um computador através do seu software de sequenciamento.

Sequenciadoras de DNA podem ler código de computador malicioso escondido e infectar sistema

Ou seja, uma amostra de DNA comprometida propositalmente pode ser lida em uma máquina especial e, a partir disso, dar acesso a informações sigilosas de hospitais, laboratórios e delegacias a criminosos. Contudo, os próprios pesquisadores afirmam que esse é um golpe muito elaborado, e os hackers provavelmente poderiam invadir esses sistemas por outras vias de forma mais simples. Até porque a sequência de DNA alterada poderia ficar ilegível para as máquinas utilizadas nesses locais depois das alterações malfeitas. 

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