"O Grande Irmão está te observando". A frase, tirada da obra 1984, de George Orwell, indicava que o Estado estava sempre de olho naquilo que os cidadãos andavam fazendo, fossem coisas boas ou ruins, certas ou erradas. Essa sensação de vigilância certamente divide opiniões entre as pessoas: há aquelas que acreditam que isso pode trazer mais segurança e evitar que pessoas mal-intencionadas realizem atos condenáveis, enquanto outras entendem que isso lesa a liberdade individual e pode ser usado como meio de controle de massas.

Independentemente das opiniões que rolam por aí, a polícia americana já possui um banco de dados de reconhecimento facial com cerca da metade dos adultos norte-americanos. Isso representa uma soma impressionante de 117 milhões de pessoas que podem ser identificadas através de uma rede imensa que utiliza, entre outras fontes, as fotos das carteiras de motorista emitidas nos Estados Unidos.

Sorria, você está sendo identificada

Do total de 50 estados, 26 permitem que essas buscas sejam feitas legalmente nos bancos de dados de fotos de carteiras de motorista

A briga dentro da terra do Tio Sam é grande: como lá os estados têm autonomia para decidirem certas leis, a maioria diverge quando se trata de permitir que a polícia tenha acesso a esse tipo de identificação. Do total de 50 divisões federativas, 26 permitem que essas buscas sejam feitas legalmente nos bancos de dados de fotos de carteiras de motorista, entre elas o Texas, o Novo México, a Flórida, Illinois, Ohio e as duas Carolinas (do Sul e do Norte). É daí que vem o número: 117 milhões de pessoas nos EUA poderiam ser reconhecidas.

Cara, crachá!

Para realizar as identificações, a polícia pode usar vídeos capturados em câmeras de segurança de todo tipo e comparar as imagens com as fotos dos bancos de dados. Um estudo feito pelo Centro de Privacidade e Tecnologia da Universidade de Georgetown considerou o processo “altamente problemático” pelo grande potencial de reconhecimento errado e, com isso, a chance de condenar uma pessoa inocente.

É muito mais difícil reconhecer negros, mulheres e pessoas com idades entre 18 e 30 anos através desse processo

Outro estudo, este com coautoria do próprio FBI, a força policial federal americana, indicou problemas mais profundos no sistema de identificação facial da polícia: segundo essa análise, é muito mais difícil reconhecer negros, mulheres e pessoas com idades entre 18 e 30 anos através desse processo. Ou seja, praticamente todo mundo.

Reconhecimento facial para todos!

Tecnologia em desenvolvimento

Os dispositivos e programas que realizam o processo de reconhecimento fácil avançaram anos-luz nos últimos tempos, não há como negar. Porém, aparentemente, ainda estão muito aquém da precisão necessária para se acusar alguém de um crime simplesmente com base nesses dados. Imagine a quantidade de detenções erradas e acusações de pessoas inocentes que poderiam acontecer.

É muito provável que nos próximos anos esse recurso possa, ao mesmo tempo, solucionar muitos crimes e dar muita dor de cabeça para os inocentes

Outra grande dúvida que surge é em relação às redes sociais de hoje em dia, que também possuem uma relação gigantesca de imagens de rostos das pessoas e, inclusive, já realizam um trabalho impressionante de identificação facial quando marcam as pessoas automaticamente (e quase sempre corretamente) nas fotos publicadas. Poderia isso servir de alguma maneira como um controle sobre as pessoas?

A discussão sobre privacidade e segurança está longe de ser encerrada e ainda vai dar muito pano para manga nos próximos anos, com o avanço das tecnologias envolvidas. Com o acesso a tantos rostos pela polícia norte-americana, é muito provável que nos próximos anos esse recurso possa, ao mesmo tempo, solucionar muitos crimes e dar muita dor de cabeça para os inocentes. E para você, qual é o preço da sua segurança?

"O Grande Irmão zela por ti"

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