Não, não estamos brincando de 1984. Na verdade, apesar de não ser tão escancarado como na história de George Orwell, somos observados de maneira bem mais sofisticada. E quem resolveu tocar neste assunto delicado foi o pessoal da ONG Safernet.

"Qualquer câmera num dispositivo com acesso à internet é vulnerável, o que muda é o grau de complexidade da invasão", comentou Thiago Tavares, que é presidente da Safernet, à Folha de S. Paulo. A companhia recebe denúncia de crimes cibernéticos, o que confere respaldo suficiente para Tavares indicar precisamente o que acontece.

Sim: isso significa que pode ter olhos por trás da webcam de seu notebook, de seu PC, da câmera no seu smartphone, da câmera na porta do prédio/casa em que mora e até da babá eletrônica que fica no quarto. Se existe uma câmera e existe conexão com a internet, existe a possibilidade de invasão e vigília.

Durante a entrevista, Tavares comentou que existem relatos de invasões do tipo no Brasil desde 2008. Ou seja, não é coisa que acontece apenas nos EUA — muitos menos apenas nos filmes.

Sorria, você está sendo filmado

Como as invasões acontecem

Segundo Tavares, as câmeras mais suscetíveis são as de segurança privada e as babás eletrônicas. Isso porque elas, normalmente, são protegidas por senhas fáceis. Por exemplo, muitos pessoas não alteram aquele padrão de fábrica "123456".

Links via WhatsApp e apps em lojas não oficiais podem infectar o celular

Essas falhas de sistema e redes desprotegidas são portas de entrada para os crackers. Para aproveitar uma falha de sistema e invadir a câmera de PCs, os cibercriminosos utilizam arquivos maliciosos que são baixados quando o usuário mais desatento clica em links desconhecidos (que podem aparecer no seu email ou em mensagem em redes sociais) ou baixa programas de sites que não são confiáveis.

Smartphones também são presa fácil: links via WhatsApp e aplicativos de jogos presentes em lojas não oficiais podem infectar o aparelho. Além disso, é preciso notar que dificilmente o antivírus vai te salvar caso você comenta um erro. Por isso, tenha em mente que o melhor antivírus em qualquer dispositivo é você, a maneira como navega e o cuidado que toma.

Proteger a webcam não é desespero

Como denunciar e não ser invadido

Uma coisa certa que já citamos em diversos artigos e que você pode conferir nesta página é: sempre utilize senhas fortes. Ou seja, abuse na combinação alfanumérica e não tenha preguiça. Se possível, adicione símbolo. Ainda, busque sempre alterar as senhas de tempos em tempos.

Outro ponto interessante é manter a rede WiFi em modo oculto e, caso tenha algum antivírus instalado no gadget, não custa garantir que ele sempre esteja atualizado.

Saiba que colar um papel na lente da webcam não é desespero

Mais uma dica: não clique em links suspeitos, confira sempre o link completo e tenha certeza de que a pessoa que enviou o endereço é confiável. Além disso, simplesmente não faça o download de aplicativos fora da Google Play ou da App Store — entendemos que muitos "apks" se encontram fora dessas lojas, mas seja "ligeiro" ao fazer esses downloads.

Caso você desconfie que possa ter cometido um erro e seu gadget foi invadido, busque na internet algum órgão especializado, como a Safernet ou até a polícia civil mais próxima de você.

Agora, se você já fez tudo isso e ainda está desconfiado, existe um método antigo e extremamente confiável para garantir que ninguém vai te observar pela webcam: cole um pedaço de papel na lente. Engraçado? Saiba que até o diretor do FBI, James Comey, faz isso.

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