Mostrando que não está brincando em serviço quando o assunto é investir no mercado brasileiro de tecnologia – em suas mais variadas vertentes –, a Samsung organizou um evento na manhã desta terça-feira (26) em sua sede em São Paulo para anunciar o lançamento de um novo produto no país. Voltando seus olhos um pouco mais para o ambiente corporativo, a empresa mostrou do que é capaz o Galaxy Tab Active, sua nova aposta em um nicho de tablets com foco na produtividade e que esbanjam robustez.

Para abrir a apresentação, Fernando Sentomo, diretor de B2B da área de mobile da Samsung Brasil, deu uma geral sobre os números da companhia no país. Quarto maior braço da sul-coreana, a filial brasileira tem mais de 12 mil funcionários, possui a segunda maior fábrica do mundo – situada em Manaus e que dá conta de grande parte dos produtos nacionais – e ostenta a marca de empresa com o maior volume de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil.

Isso tudo para dizer que, para achar as soluções necessárias para seus principais focos no país – entre varejo, mercado financeiro, educação e outros –, a Samsung busca implementar as inovações tanto com soluções da casa como através de projetos de parceiros. Essa ajuda externa é feita através do Samsung Enterprise Alliance Program (SEAP), que conta com mais de mil empresas globalmente, com 40 delas no Brasil. Esse grupo trabalha continuamente no desenvolvimento de novidades e funcionalidades para a Samsung.

Esse programa, inclusive, é uma base forte de recursos para o Galaxy Tab Active, que chega às mãos do público corporativo com um software dedicado a transformar totalmente a interface do dispositivo – e o que é possível fazer com ele –, tudo de acordo com as necessidades desses clientes.

Ouvindo o mercado

Para falar especificamente sobre o aparelho, quem tomou o comando do evento foi Renato Citrini, gerente sênior de marketing de produtos da Samsung, que fez questão de deixar o Galaxy Tab Active ir ao chão diversas vezes seguidas, demonstrando “casualmente” a sua resistência. Segundo o executivo, foi preciso dois anos de planejamento para que fossem definidas todas as especificações do projeto.

“Selecionamos 25 das 500 maiores empresas da Fortune de 12 diferentes verticais, fizemos workshops, sentamos com eles e tentamos lidar com as necessidades que eles têm como empresa”, explicou Citrini. A ideia inicial por trás dessa pesquisa era coletar dados sobre o que é necessário em um dispositivo para superar um modelo bastante comum internacionalmente e também aqui no Brasil chamado “Bring Your Own Device”, no qual o próprio funcionário leva seu aparelho pessoal para o serviço e o empregador se preocupa em torná-lo mais seguro.

O objetivo da Samsung com o Galaxy Tab Active é permitir que a empresa possa suprir diretamente a seus comandados um tablet ideal para qualquer que seja a sua função. “Fomos levantando quais as principais ‘dores’ dessas companhias”, afirmou o gerente, dizendo que entre os principais pontos mencionados estão a necessidade de uma alta resistência a impacto ou situações adversas, boa autonomia de bateria para pessoas que trabalham em campo diariamente e principalmente segurança das informações contidas dentro do aparelho.

Segundo ele, a sul-coreana foi além e também resolver abordar a questão do tamanho, peso e design, para que o tablet possa ser carregado para qualquer lado sem dificuldades e operado de forma simples. Para dar uma força nesse sentido, a Samsung e seus parceiros desenvolveram acessórios como um suporte veicular recheado de recursos – que pode ser usado em viaturas, por exemplo –, uma alça móvel pronta para carregar o dispositivo ao lado do corpo ou posicioná-lo em uma das mãos do trabalhador e uma série de outros itens.

Aguentando o tranco

Com base no que já havia no mercado, a Samsung diz ter percebido que o design nunca foi o ponto forte nesse segmento de aparelhos mobile mais robustos. Assim, a companhia resolveu projetar algo com um visual mais puxado para o premium, entregando um equipamento com display de 8 polegadas, relativamente fino para o que ele se propõe e pesando menos de 400 gramas. Esse conjunto de características, aliado a uma textura que melhora bastante a pegada do Galaxy Tab Active, visam garantir um manuseio mais preciso e seguro do produto.

Porém, se ele der uma escorregada e for ao chão também não há problema. Quer dizer, depende da altura, já que o tablet aguenta quedas de até um metro de altura naturalmente ou de cerca de 1,2 metro com a capa protetora emborrachada. A robustez dele é turbinada por uma certificação IP67, que confere um bom funcionamento mesmo a temperaturas mais hostis – de -20º C a 60º C –, capacidade de ser submerso a um metro de profundidade por 30 minutos e uma bela resistência a respingos, poeira e outros detritos.

Além de o proprietário poder trabalhar sob condições adversas, ele vai poder fazer isso por um longo tempo, já que a Samsung quer dar uma ajudinha à produtividade com uma bateria de 4450 mAh que dura até 10 horas e é removível. Um conector lateral e uma base de recarga opcional Pogo Pin facilitam ainda mais o processo de alimentar os dispositivos, eliminando a necessidade de cabos e permitindo que clientes corporativos mantenham uma leva de tablets “espetados” no acessório, pronto para serem usados a qualquer momento.

Pensando em outras possibilidades de uso, a sul-coreana incluiu uma câmera traseira de apenas 3,1 megapixels, mas otimizada para a leitura de código de barras e outras atividades do tipo. Uma caneta capacitiva chama C-Pen vai inclusa no kit básico, presa em um local específico do case protetor. Ela deve permitir que mesmo quem trabalha de luvar possa continuar usufruindo das funções touch do dispositivo, sem precisar desproteger as mãos. Conexões WiFi, 4G e NFC complementam a experiência e facilitam a comunicação.

Segurança e funcionalidade

O astro para as empresas que querem cuidar dos dados que ficam na rua, no dispositivo dos colaboradores, é o Samsung KNOX, a plataforma de segurança mobile desenvolvida pela companhia há alguns anos. Além de aplicar diversas camadas de proteção ao software e aos arquivos guardados no tablet, o serviço permite que a interface do sistema operacional seja completamente alterada, modificando ou acrescentando novas funcionalidades ao equipamento.

O KNOX Customization pode fazer com que o tablet se torne uma ferramenta simples e focada em funções específicas para cada tipo de comércio, como um terminal de check-in para companhias aéreas ou um cardápio virtual somado a anotação do pedido do cliente em um restaurante, por exemplo. Essas modificações são feitas por meio de um SDK disponibilizado gratuitamente aos desenvolvedores, através de projetos criados por parceiros do SEADP ou até mesmo em um trabalho em conjunto com a própria Samsung.

Apesar de ser voltado especialmente para o mercado corporativo – ou seja, você não vai achar o produto no varejo – esse aspecto de customização do Galaxy Tab Active dá a oportunidade para que ele seja utilizado no setor de educação, que tem despertado bastante interesse e atraído diversas ações da gigante sul-coreana no Brasil. Segundo Sentomo, o tablet está sendo estudado para integrar iniciativas em escolas, mas que ainda há uma resistência das instituições, que preferem apostar em dispositivos mais baratos – e frágeis.

O preço da economia

Falando em preço, o Galaxy Tab Active está com preço sugerido de R$ 2.199, podendo ser adquirido através de pontos de vendas para clientes empresariais ou através das próprias operadoras brasileiras que tenham planos ou programas para esse tipo de consumidores. O aparelho é produzido no Brasil, na fábrica de Campinas, e faz parte dos projetos da companhia para aumentar globalmente sua fatia B2B. Atualmente, essa vertente é responsável por 10% dos negócios da Samsung, mas deve chegar em 20% até 2020.

Apesar de parecer alto para o consumidor comum, a ideia é que o valor do tablet seja, na verdade, uma economia para corporações cujos funcionários coloquem a resistência do dispositivo à prova constantemente – mandando para o além encarnações mais humildes do gadget. De acordo com o diretor de B2B, o diferencial do produto é exatamente o fato de ele ser uma solução acessível que integra hardware, software e serviços, custando até um terço de concorrentes do mesmo porte. Confira abaixo as configurações do equipamento:

Especificações Técnicas

  • Tela: 8 polegadas
  • Resolução de tela: WXGA (1280x800 pixels)
  • Sistema operacional: Android 4.4 (KitKat)
  • Processador: quad-core de 1,2 GHz
  • Memória RAM: 1,5 GB
  • Armazenamento interno: 16 GB
  • Armazenamento externo: cartões micro SD de até 64 GB
  • Câmera traseira: 3,1 MP
  • Câmera frontal: 1,2 MP
  • Conectividade: 4G LTE, Bluetooth 4.0, WiFi a/b/g/n, porta micro USB 2.0, NFC
  • Apps exclusivos: Smart Tutor, ChatON, Flipboard, Group Play, S Translator, Samsung Link, Story Album, TripAdvisor, Businessweek+, Side Sync, Barcode Scanner, Hanshow, Hancell, Hanwrite
  • Recursos exclusivos: Samsung KNOX e KNOX Customization
  • Bateria: 4.450 mAh (removível e com até 10 horas de uso)
  • Peso: 393 g
  • Dimensões: 126,2 mm de largura x 213,1 mm de altura x 9,75 mm de espessura

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Um dos aspectos que mais chamou atenção nas configurações foi o fato do aparelho chegar ao mercado com o já ultrapassado Android KitKat. Questionado sobre o motivo que teria levado a Samsung a despachar o tablet com o sistema desatualizado, a resposta foi de que, além de ele ter sido desenvolvido há dois anos e homologado com essa versão do SO da Google, o foco no setor corporativo exige soluções mais estáveis e com maior tempo de suporte.

Assim, para evitar que projetos de clientes parem de funcionar de uma hora para a outra ou precisem ser reformulados rapidamente, as atualizações do sistema são feitas com uma cadência menor. De qualquer modo, Sentomo garantiu que o Galaxy Tab Active deve receber em um futuro próximo a edição Lollipop do Android.

Para o usuário comum, a pedida é economizar uma graninha e ir de Galaxy Tab, que tem exatamente as mesmas configurações de hardware, mas em um corpinho mais delicado.

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