Desde o ano passado, a Samsung tem feito um esforço para organizar sua linha de smartphones e torná-la mais simples de entender e comparar para o consumidor.

Essa estratégia deu origem às linhas Galaxy A, Galaxy E e Galaxy J, sendo essa última a intermediária dos intermediários. O J7 é o melhor aparelho dessa linha em questão e de fato pode ser considerado um bom smartphone, especialmente para quem dá mais importância para telas e câmeras.

Apesar disso, ele está entrando em um território muito acirrado, dominado por marcas ascendentes, como Motorola e Asus, que construíram seu sucesso a partir dos intermediários de bom desempenho. As estrelas desse segmento são inevitavelmente os Moto G, os ZenFones e agora o brasileiro Quantum Go. Será que o aparelho da Samsung consegue bater de frente com eles?

Design

O Galaxy J7 tem aquele visual já conhecido dos aparelhos da Samsung, mas está longe de ser mal-acabado ou de ter um aspecto barato. Ele é até sofisticado na medida do possível, trazendo um acabamento muito bem feito e materiais de boa qualidade. As bordas dele são de plástico brilhante que imitam metal e possuem um formato arredondado, similar ao que temos nos novos iPhones.

O que mais chama atenção no corpo do Galaxy J7, entretanto, é a sua traseira. A tampa é construída também em plástico, mas tem uma textura fosca diferente do que você está acostumado a ver. É como se a Samsung tivesse jogado um jato de pedrinhas brilhantes no plástico. Isso acabou gerando um aspecto muito bonito e agradável ao toque.

Fora esses detalhes, o esquema de posicionamento dos elementos físicos é bem tradicional e segue o padrão da marca de perto. Vale notar que o conector para fones de ouvido fica no fundo, e no topo não há nada.

Desempenho

Este smartphone é um dos poucos da Samsung a trazer um processador feito pela própria empresa. Estamos falando do Exynos 7580, que seria equivalente a alguma coisa entre os Snapdragons 410 ou 615 da Qualcomm. Por isso, ele tem processamento superior a aparelhos como o Moto G 2015 e fica atrás do Moto X Play em alguns testes de benchmark, mas nunca muito.

Esse chip tem oito núcleos de 1,5 GHz e é acompanhado por 1,5 GB de RAM. Isso garante um bom desempenho para a maior parte das atividades diárias e também para alguns games mais exigentes. Conseguimos rodar Real Racing 3, Riptide Gp2 e Leo’s Fortune sem problemas, mas a taxa de quadros por segundo acabou sendo visualmente diminuída por conta da GPU Mali T720.

Não experimentamos travamentos significativos, mas foi possível conferir várias vezes pequenos engasgos na interface e demora em trazer de volta apps que tinham sido recentemente deixados em segundo plano. A Samsung poderia ter resolvido isso com mais meio GB de RAM, o que daria ao aparelho mais poder de fogo para bater de frente com os intermediários premium.

Benchmarks

Para a realização desta análise, submetemos o Galaxy J7 a cinco aplicativos de benchmark. São eles: 3D Mark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 5Basemark XGFX Bench (T-Rex HD Off Screen e T-Rex HD On Screen) e Vellamo Mobile Benchmark (HTML 5 e Metal).

Obs: O modelo que recebemos para testes foi um dual-chip com conectividade 4G e 16 GB de espaço de armazenamento nativo, que permite expansão para até 128 GB com cartões micro SD.

3D Mark (Ice Storm Unlimited)

O teste Ice Storm Unlimited, do 3D Mark, é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

AnTuTu Benchmark 5

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 4 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Basemark X

O Basemark X tem como foco principal mensurar a qualidade gráfica dos dispositivos. Baseado na engine Unity 4, o app aplica testes de alta densidade, mostrando qual dos aparelhos se sai melhor na execução de jogos. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

GFX Bench (T-Rex HD)

O GFX Bench é voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (fps). Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Vellamo Mobile Benchmark

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes no aparelho: HTML5 e Metal. No primeiro deles é avaliado o desempenho do celular no acesso direto à internet via browser. Já no teste Metal, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Tela

A tela do Galaxy J7 é uma Super AMOLED de 5,5 polegadas com resolução HD (1280x720), o que resulta em uma densidade de pixels de 267 ppi. Essa marca está longe de ser surpreendente ou qualquer coisa do tipo, já que não chega aos desejáveis 300 ppi, mas não podemos dizer que esta tela é ruim. Muito pelo contrário.

Estamos falando de um display muito bem calibrado, que reproduz com muita fidelidade as cores do conteúdo que exibe. Por isso, você não vai notar nenhuma saturação exagerada ou cores aguadas, como podemos ver em muitos aparelhos mais baratos. A Samsung realmente fez um bom trabalho nesse componente, o que é algo pouco comum em aparelhos dessa faixa de preço.

Os níveis de brilho são bons, permitindo ao usuário usar o celular tranquilamente sob a luz do sol, e há um atalho na área de notificações que possibilita aumentar a iluminação da tela para 100% com apenas um toque, o que pode ser útil em alguns momentos.

Interface

A interface TouchWiz que a Samsung aplica sobre o Android (5.1.1 neste caso) para seus aparelhos tem sido motivo de críticas há muitos anos. Contudo, a marca vem evoluindo nesse sentido, tornando-a mais leve e bonita. Ela não tem mais um monte de efeitos bregas, cheios de falsas transparências e movimentos desnecessários, mas ainda vem com muitos apps extras instalados.

Além do pacote Google, que é nativo do Android, você ainda recebe três itens da Microsoft (OneDrive, OneNote e Skype) cinco jogos pré-instalados, três apps de “ferramentas” e mais alguns que podem ser úteis, mas não precisavam estar pré-carregados: Roteador, Recarga Certa, Gerenciador Inteligente, Evernote e +Apps Clube. Ou seja, temos 16 apps dispensáveis instalados no smartphone.

Claro que alguns deles podem realmente beneficiar o usuário, mas a Samsung poderia apenas oferecer a instalação deles em algum momento depois que a pessoa se conecta pela primeira vez ao WiFi, já que um aparelho com apenas 16 GB de armazenamento precisa economizar espaço ao máximo. No fim das contas, é possível desativar alguns desses itens, mas nunca removê-los por completo.

Câmeras

A maioria dos smartphones intermediários e tops de linha da Samsung têm boas câmeras, e o Galaxy J7 herda essa tradição trazendo um conjunto considerável para o consumidor. Você consegue fazer boas fotos tanto com a câmera de trás como com a da frente, mesmo em condições mais desafiadoras. O destaque é o flash frontal, que ajuda você a fazer selfies em ambientes mais escuros, como bares e baladas.

O sensor traseiro tem 13 MP e, em nossos testes, mostrou um desempenho interessante para a categoria dos intermediários. A reprodução das cores é normalmente muito boa, com um equilíbrio de saturação agradável.

Apesar disso, o foco não é muito preciso, e você tem que ter um pouco de paciência para conseguir aquela foto bem nítida, especialmente em paisagens com elementos em movimento. Fotos com pouca luz não perdem tanta qualidade quanto em concorrentes mais simples.

Além do flash na parte da frente, o Galaxy J7 tem um sensor de 5 MP para seus autorretratos, e os resultados são medianos. Confira a galeria.

Bateria

Este smartphone tem uma bateria de 3.000 mAh, o que é bastante interessante para um aparelho da sua categoria. Isso garante uma boa autonomia para o uso cotidiano, mas o J7 não tem um bom gerenciamento de energia durante uso mais intenso.

Em um teste metódico, conseguimos drenar toda a carga do aparelho com 4 horas e 10 minutos de execução de vídeo no YouTube com WiFi ligado e brilho da tela no máximo. Essa marca está bem na média para o segmento, mas poderia ser bem melhor considerando-se a bateria de 3.000 mAh.

Apesar disso, em uso comum, interagindo em redes sociais, mandando mensagens, tirando algumas fotos e fazendo poucas chamadas, não conseguimos acabar com a carga do aparelho em um dia inteiro. Ele certamente não vai durar mais de um dia longe das tomadas, mas também não deixará você na mão antes de voltar para casa.

Vale a pena?

O Galaxy J7 é um smartphone que pode agradar a vários usuários no que diz respeito às câmeras e à qualidade da tela, mas pode também decepcionar no desempenho. Ele tem um conjunto de câmeras melhor do que o encontrado no Moto G 2015 e no Quantum Go, por exemplo, mas não consegue competir com eles em questão de preço e desempenho cotidiano.

É possível fazer uma comparação parecida usando o Zenfone Selfie e o Moto X Play, mas, nesse caso, o produto da Samsung praticamente não vale o preço que a fabricante cobra. Isso quer dizer que esse aparelho não consegue se posicionar muito bem no mercado de intermediários, apesar de não ser um smartphone ruim.

Ele forma um bom conjunto no geral, mas peca em alguns quesitos nos quais aparelhos mais baratos já mostram excelência. Com os R$ 1.300 desse modelo (pode ser encontrado por até R$ 1.069), você consegue comprar smartphones bem melhores tanto em desempenho quanto em câmera.

Por conta disso, não podemos recomendar o Galaxy J7 enquanto ele não estiver custando menos de R$ 900. Nessa faixa de preço, ele conseguiria competir muito melhor com a concorrência. Mas, nesse momento, simplesmente não vale o investimento. 

O smartphone Samsung Galaxy J7 pode ser conferido na loja Cissa Magazine através deste link.

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