Mostrar somente a hora não é mais suficiente na era "smart". (Fonte da imagem: Reprodução/Kickstarter)

Já não é mais novidade encontrar, praticamente em qualquer esquina, dispositivos portáteis capazes de desempenhar funções alternativas. Parece que uma nova era anunciada pelo prefixo “smart” foi inaugurada: os tão conhecidos smartwatches (relógios inteligentes) agora usam a mesma linguagem de sistemas operacionais presentes em smartphones, tablets e gadgets do tipo.

E o que pode caracterizar um dispositivo como “inteligente” (smart)? Se um ou outro aparelho desempenha tarefas adicionais àquelas projetadas inicialmente, ele pode então ser considerado inteligente. Dessa forma, pode-se dizer que – pelo menos no que diz respeito à história dos mostradores de hora – o primeiro smartwatch surgiu há mais de 70 anos... Curioso, não?

Acompanhe, neste artigo, a evolução dos relógios inteligentes e entenda como os computadores de pulso ganharam a forma que têm hoje. De um cronômetro acoplado a um mostrador de horas a dispositivos integrados a redes WiFi. Como, em mais de meio século, esses aparelhos foram desenvolvidos? Dê um rápido passeio pela história dos relógios portáteis e observe algumas possíveis respostas à tal pergunta.

A evolução

O relógio capaz de cronometrar o tempo

O primeiro relógio inteligente apareceu por volta da década de 1940. Entretanto, não se sabe ao certo qual foi a primeira empresa a produzir o tal smartwatch. Na imagem abaixo, um Broad Arrow datado de 1940 é mostrado. Além de exibir as horas, este relógio era capaz de cronometrar o tempo (“função secundária” que fez do dispositivo o precursor de modelos que estariam por vir).

O primeiro smartwatch é datado de 1940. (Fonte da imagem: Reprodução/MWForum)

De acordo com James Dowling, membro do fórum MW, este mostrador de horas foi importado pelo Reino Unido a um estaleiro de Royal Navy (ramo naval das forças armadas do Reino Unido fundado no século XVI e extinto em meados do século XX).

Calculadoras de pulso

Em 1975, o Pulsar Time Computer veio à tona. Lançado pela empresa Pulsar, o dispositivo contava com quatro baterias: duas delas dedicavam-se à iluminação da tela de LED; o outro par era usado exclusivamente pelo recurso de cálculos automáticos.

Acesso ao teclado somente via uso de caneta. (Fonte da imagem: Reprodução/WikimediaCommons)

Como bem se pode notar na imagem, o modelo era acompanhado por uma caneta – que servia como ferramenta de digitação, uma vez que dava ao usuário acesso ao teclado miúdo do relógio. Foi a partir da aparição do Pulsar Time Computer que outras empresas começaram a investir no desenvolvimento de relógios de pulso cada vez mais dinâmicos.

Bons exemplos dessa expansão na produção de relógios de pulso robustos são os modelos Seiko D409, datados de 1982 (que contava com 112 bytes de memória e tinha a capacidade de armazenar determinados dados), o Epson RC-20, de 1985 (que possibilitava a exibição de fusos horários diversos), e o Casio CFX-400 (equipado com recursos de cálculos avançados – um tipo de “calculadora científica de pulso”).

Um dos modelos da "calculadora científica" acoplada a um relógio de pulso. (Fonte da imagem: Reprodução/Watchlyzer)

Recebendo beeps e monitorando dados

Em 1991, o primeiro relógio capaz de receber mensagens de texto foi lançado. Juntamente com ele, a Casio apresentou ao mundo o famoso F-91W. No ano de 1994, o DataLink, da Timex, tornou-se a “marca oficial dos astronautas”. Isso porque o tal relógio suportava a transferência de dados por computador sem a necessidade de conexão via cabo. A NASA, assim, aprovou a utilização do mostrador de horas de pulso no espaço.

E quando o primeiro híbrido entre relógio e telefone surgiu? Já em 1999. O modelo SPH-WP10, lançado pela Samsung e tido como o menor e mais leve gadget da época, não possuía teclado – todos os comandos eram dados por meio de uma única tecla localizada abaixo do display. Essa pérola era capaz de fazer e receber chamadas – um verdadeiro passo largo no campo da tecnologia portátil do final da década de 1990.Modelo SPH-WP10, lançado pela Samsung em 1999. (Fonte da imagem: Reprodução/MobileReview)

Um modelo lançado pela empresa Garmin em 2006 tornou-se referência no quesito monitoração de batimentos cardíacos. O Forerunner 205, além de ter feito sucesso entre atletas, recebeu melhorias em seu sistema primordial de GPS – ampliando ainda mais as possibilidades desses aparelhos de pulso.

Nota: é importante salientar que os relógios citados por este passeio histórico não foram os únicos a disponibilizar funções extras aos usuários ao longo das décadas passadas. Os dispositivos listados aqui, todavia, representam alguns pontos-chave da evolução dos smartwatches, mas não são, portanto, os expoentes isolados da evolução destes gadgets de pulso.

E hoje?

Diversos modelos de relógios inteligentes ocupam as prateleiras das lojas atualmente. Assim, é extremamente imprudente afirmar que este ou aquele aparelho de pulso – que, eventualmente, mostra também as horas – é o mais avançado do momento (os usuários desses tipos de gadgets têm necessidades diferentes; uma ou outra pessoa pode, então, preferir dispositivos portáteis bastante diversas).

Conectividade é a bola da vez. (Fonte da imagem: Reprodução/GetPebble)

Para que possamos listar algumas das principais características trazidas pelos modelos atuais de smartwatches é preciso, óbvio, que ao menos um aparelho seja mencionado. E o computador de pulso da vez é o Pebble, um dos relógios inteligentes que têm chamado a atenção não apenas pela capacidade de execução de várias tarefas; esse gadget é capaz também de se comunicar com o iOS e com o Android.

Conectividade total via pulso

A tal era anunciada pelo prefixo “smart” tem se estendido a todos os ramos dos eletrônicos. Hoje, ter um relógio capaz de enviar e receber notificações dos mais diversos tipos não é mais novidade. Ainda assim, o poder de conectividade desses computadores de pulso é, sem dúvidas, algo digno de admiração (confira aqui um artigo completo sobre o que esperar das próximas gerações de smartwatches).



O relógio inteligente Pebble possui um sistema capaz de se comunicar tanto com o iOS quanto com o Android. Além disso, a fabricante do dispositivo oferece a qualquer desenvolvedor a oportunidade de criação livre de aplicativos para o aparelho.

Monitoramento de performance cardíaca, marcação de velocidade e distância percorrida, GPS integrado e a emissão de um sinal vibratório ao pulso do usuário a cada mensagem recebida, por exemplo, via Facebook, são algumas das tarefas executadas pelo Pebble.

E como sincronizar o relógio às redes sociais? A tecnologia IFTTT (em inglês, “if this than that”) faz com que os dados do usuário, por meio de um simples cadastro via site, sejam facilmente identificados pelo relógio. Outra função interessante é o uso do recurso ePaper (similar ao usado pelos eReader atuais) feito pelo display de Pebble.

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De cronômetros atrelados a um simples marcador de horas a um relógio capaz de funcionar como GPS e controle remoto de smartphones. Qual será o próximo passo desses pequenos computadores de pulso? E mais: exibir a hora certa é, hoje, a principal tarefa dos tão populares smartwatches? Ou essa função, antes preponderante, passou a ser apenas um recurso adicional disponibilizado pelos relógios inteligentes de pulso?        

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