O término de um relacionamento amoroso é algo realmente difícil. Tanto que, muitas pessoas não sabem o que devem fazer quando chega essa hora. Por isso, é cada vez mais comum o uso da internet e outros meios digitais para terminar ou dar um fora em alguém.

Essa prática está cada vez mais popular, sobretudo nas gerações mais novas que se relacionam de maneira aberta nas redes sociais. No entanto, de acordo com os psicólogos, quanto mais exposição na web, mas dor o ex vai causar.

Segundo Luciana Ruffo, psicóloga do NPPI (Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática) da PUC-SP, o término é sempre doloroso e a tecnologia só potencializa esse momento: “Vai doer sempre, porém digitalmente dói mais porque muitas vezes você não ouve nem a voz do outro”. Ela ainda afirma que quanto “mais presencial for o processo, mais fácil ele será entendido”.

Geralmente, quem realiza o “fora digital” é aquela pessoa que tem dificuldade em lidar com conflitos. Afinal, quem faz isso pela internet teoricamente terá a vida mais fácil, afinal não vai precisar enfrentar discussões e choro.

De acordo com a psicóloga, aquelas pessoas com menos de 25 já acham normal terminar um relacionamento amoroso através do WhatsApp ou Facebook, por exemplo. Isso acontece, porque essa geração mais nova considera a internet como uma extensão da sua vida real. Enquanto isso, “os mais velhos veem a internet apenas como um meio de comunicação”, finaliza.

Pesquisas ajudam a esclarecer o tema 

Recentemente, o site Vouchercloud.net realizou uma pesquisa com 2.712 pessoas entre 18 e 30 anos, mostrando que 56% dos entrevistados já haviam terminado por redes sociais, mensagens ou emails. Entretanto, 75% disseram que ficariam tristes se alguém fizesse o mesmo. 

Além disso, Ilana Gershon, que é professora da Universidade Bloomington em Indiana, desenvolveu um estudo que mostra bem essa diferença entre as gerações mais velhas em relação à internet. 

A pesquisa foi realizada entre os anos de 2007 e 2008, época em que as redes sociais já eram populares entre os jovens, mas ainda não algo tão importante para eles .

Durante o processo, Gershon entrevistou estudantes universitários com média de idade de 20 anos na época, que afirmaram terem ficados ofendidos ou chateados com o fora pela internet. Segundo a professora, “a maioria das pessoas daquela época disse que terminar de forma online era algo covarde e que o único modo aceitável para isso seria fazê-lo pessoalmente”. 

Desse estudo. foi publicado o livro "The Breakup 2.0: Disconnecting over New Media" ("O Término 2.0: desconectando-se pela nova mídia", em tradução para o português). No entanto, ele ainda não foi lançado no Brasil. 

Sem exposições 

Apesar da aceitação dessa prática entre gerações diferentes, o modo como o término acontece por meios digitais ainda influencia na maior dor do ex. Isso ocorre, porque enquanto algumas pessoas utilizam mensagens privadas em aplicativos e redes sociais, outras fazem isso de maneira pública.

É comum sabermos de posts no Facebook anunciando uma traição, fotos no Instagram com o ex cortado e assim por diante, inclusive com pessoas famosas. Ou seja, isso não é um término, mas uma exposição, avalia Luciana, psicóloga do NPPI.

Para finalizar, ela recomenda que o ex-casal corte as relações digitais, apesar que isso seja complicado em alguns casos, sobretudo se eles possuem muitos amigos em comum em redes sociais. Dessa maneira, fica mais fácil cicatrizar a “ferida”, já que, quanto menos uma pessoa sabe, menos ela sofre.

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