O Centro de Pesquisa Conjunta da Comissão Europeia está desenvolvendo uma ferramenta que usa posts do Twitter e Inteligência Artificial para coletar dados em tempo real sobre áreas inundadas. O protótipo recebeu o nome de Social Media for Flood Risk (SMFR) e foi divulgado em um estudo realizado pelos cientistas Carlos Castillo, Milan Kalas e Peter Salamon, da União Europeia.

Segundo o texto, o SMFR pode ser usado para que agentes de emergência avaliem melhor a situação de áreas inundadas, determinando quais pontos necessitam de ajuda imediata. Para que isso seja possível, o recurso funciona em colaboração com o Sistema Europeu de Conscientização Contra Enchentes (EFAS), que identifica locais com maior risco de alagamentos. Depois, ele aciona a ferramenta, que passa a coletar tuítes relacionados a esse tipo de ocorrência.

Treinamento com IA

É muito comum informações confusas ou pouco confiáveis serem publicadas na rede social, especialmente pelo fato de que a EFAS cobre um espaço em que são falados mais de 27 idiomas. Para lidar com esse problema, os pesquisadores usaram recursos de IA para treinar a SMFR, de forma que ela pudesse identificar palavras-chave interligadas ao termo inundações ou enchentes em quatro idiomas: inglês, alemão, espanhol e francês.

Nesse caso, 7.000 posts foram utilizados como base de análise — entre 1.200 e 3.000 por idioma. Os tuítes com pelo menos 90% de probabilidade de relação com o tema proposto, em áreas onde isso aconteceu, foram separados como modelos representativos para o treinamento da SMFR.

Para avaliar a eficácia do recurso, foi feito um teste na região da Calábria, na Itália, em outubro de 2018, onde ele coletou 14.347 tuítes ao longo de dois dias. Após a classificação por relevância, os dados de geolocalização foram enviados com sucesso. A expectativa dos cientistas é que a ferramenta possa ser explorada em outras línguas até mesmo para acompanhar melhor sua precisão.

No Brasil, o SMFR poderia ser um recurso extra para a Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, já que o número de enchentes tende a ser maior durante o verão. Exemplo disso foram temporais que caíram nos estados de São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul no início de 2019, quando foram registrados diversos casos de alagamentos e acidentes, em especial nas capitais e cidades próximas.

O Centro de Pesquisa Conjunta da Comissão Europeia espera que EFAS possa usar os tuítes integrado a outros tipos de recursos, como imagens de satélite. O mesmo caminho tem sido seguido por outras plataformas, como o Facebook e Google, que pretendem utilizar IA para coletar dados de inundação e fornecê-los a agentes de emergência.