Um estudo realizado pelos pesquisadores Karsten Müller e Carlo Schwarz, da Universidade de Warwick, indicou que, quanto mais popular e intenso é o uso do Facebook, mais existe a possibilidade de ocorrerem ações antirrefugiados. A pesquisa durou 2 anos e tem relação com os ataques contra imigrantes ocorridos na Alemanha, nesse período.

Para comprovar a teoria, Müller e Schwarz observaram o comportamento em várias páginas populares do Facebook alemão, e especificamente aquelas ligadas à extrema direita. Nessa direção, o foco foi a página da facção anti-imigração mais conhecida por lá, chamada de "Alternativa para a a Alemanha", que não possui controle sobre os comentários nas publicações.

Após isolar as mensagens com teor anti-imigração, os pesquisadores concluíram que "os crimes de ódio contra refugiados aumentam desproporcionalmente (cerda de 50%) em áreas com maior uso do Facebook, durante os períodos de maior comoção online contra eles. Esse efeito é especialmente explicitado por incidentes violentos, como incêndios criminosos e agressões. Levado em consideração, isso sugere um papel para as mídias sociais na transmissão do sentimento antirrefugiados em toda a Alemanha".

Müller e Schwarz não afirmam, com isso, que as redes socias são a causa dos ataques em si, mas que elas, principalmente o Facebook, favorecem a propagação de um surto de ódio.

De acordo com a psicóloga social Betsy Paluck, da Universidade de Princeton, as pessoas instintivamente seguem as normas sociais de sua comunidade, que normalmente constituem um freio aos maus comportamentos. Entretanto, é sabido que o Facebook desregula esse processo, uma vez que alimenta nosso feed de notícias, por meio de seu algoritmo, nos direcionando a grupos que pensam como nós, o que pode promover conteúdos que incentivam nossas emoções negativas.

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