Mark Zuckerberg foi ao Parlamento Europeu nesta terça-feira (22) para ser sabatinado por eurodeputados na esteira dos escândalos de privacidade envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica. Apesar do potencial abrasivo, digamos assim, do evento, o fundador e presidente da rede social mais famosa do mundo deu poucas respostas e deixou muitas dúvidas no ar.

O formato escolhido pelo Parlamento Europeu para realizar a sabatina, porém, é o grande responsável por isso. Isso porque lá primeiro perguntam todos os deputados e, depois, o sabatinado responde às perguntas sem ser interpelado até o fim de sua exposição. De qualquer maneira, aqui vão alguns destaques da audiência de ontem.

Pedido de desculpas

Assim como fez em seu depoimento ao Congresso dos Estados Unidos, Zuckerberg começou sua fala pedindo desculpas aos europeus que tiveram seus dados obtidos pela Cambridge Analytica a partir do Facebook. “Não tivemos uma visão ampla de nossa responsabilidade [sobre os dados dos usuários] e isso foi um erro, eu sinto muito por isso”, afirmou o executivo.

Diante desse cenário, Zuckerberg numerou algumas ações planejadas pela companhia para evitar novos problemas como esse e também para garantir a segurança de seus utilizadores, como limitar o acesso de terceiro a dados privados presentes na rede social e duplicar o número de funcionários na área de segurança.

Monopólio e regulamentação

Quando a palavra estava ao lado das autoridades europeias, Zuckerberg novamente ouviu questionamentos ardilosos sobre uma alternativa europeia à rede social.  O eurodeputado alemão Manfred Weber pediu ao executivo que o convencesse a não quebrar o monopólio do Facebook em solo europeu.

“Penso que é o momento de discutir a quebra do monopólio do Facebook, porque é muito poder em uma única mão”, afirmou Weber. "Então, eu simplesmente pergunto a você, e esse é o meu questionamento final: você pode me convencer a não fazê-lo?"

ZuckerbergZuckerberg falou ao Parlamento Europeu nesta terça-feira (22).

O tema posteriormente foi retomado pelo belga Guy Verhostadt, que perguntou se Zuckerberg toparia colaborar com as autoridades europeias de regulamentação de mercado para averiguar se, de fato, o Facebook é um monopólio. Em caso positivo, o questionamento foi se a rede social toparia em separar o Messenger ou o WhatsApp para mudar o panorama.

“Nós atuamos em um espaço muito competitivo no qual pessoas usam várias ferramentas diferentes para comunicação. Uma pessoa usa em média oito aplicativos diferentes, então, na minha visão, sinto que há novos tipos de mídia [surgindo] todo o tempo”, comentou Zuckerberg.

Ele não tocou no ponto de que os dois principais apps de mensagens do mundo, Messenger e WhatsApp, pertencem à sua empresa, e não falou se considera separar as companhias para diminuir o seu poder.

Posicionamento político

O eurodeputado belga conservador Nigel Farage perguntou se o Facebook tinha um posicionamento político, alegando se sentir discriminado dentro da rede. Essa foi uma das perguntas respondidas por Zuckerberg durante a sua exposição.

“Nós fizemos uma série de mudanças este ano para garantir que mostramos os conteúdos de amigos e familiares mais do que conteúdos em geral”, afirmou o presidente do Facebook. “Isso não significa direcionamento de qualquer ideologia política específica.”

Eleições

Falando sobre o tema das eleições, bastante em voga após a revelação de que a Cambridge Analytica utilizou dados privados para direcionar publicidade política nas eleições dos Estados Unidos e do Brexit em 2016,  Zuckerberg garantiu que evitar esse tipo de problema é uma de suas prioridades.

“Essa é uma de nossas principais prioridades: impedir que qualquer um possa interferir em uma eleição, como os russos fizeram em 2016”, garantiu.

Respostas virão futuramente

Em suma, ficou claro que Zuckerberg não se aprofundou de maneira específica em nenhum tema, mas tratou apenas em linhas gerais sobre tudo, além de ter deixado uma série de perguntas sem respostas.  Apesar de não ter respondido a todas os questionamentos durante os seus 30 minutos de fala, o presidente do Facebook garantiu que responderá por escrito a todos eles em breve.

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