O Facebook começou a testar em outubro do ano passado um novo formato para o Feed de Notícias de usuários da rede social em países como Bolívia, Camboja, Eslováquia, Guatemala, Sérvia e Sri Lanka. A intenção era fazer com que o conteúdo compartilhado por amigos e familiares ficasse mais acessível, deixando postagens de páginas relegadas a uma guia específica chamada “Explorar”. De acordo com uma reportagem do New York Times, entretanto, parece que o Facebook acabou impulsionando a disseminação de notícias falsas — vulgas fake news — e prejudicando o tráfego de publicações que eram muito dependentes de acessos via redes sociais.

Autoridades locais precisaram emitir um comunicado oficial desmentindo a história

Segundo o jornal norte-americano, um dos mais recentes resultados dos testes desse novo formato de Feed de Notícias foi o caso da disseminação de uma notícia falsa na Eslováquia. A postagem dizia que um transeunte qualquer havia devolvido a carteira perdida por um muçulmano. Em agradecimento, esse homem teria avisado à pessoa sobre um atentado terrorista que estava sendo planejado nas redondezas. O post foi tão compartilhado na comunidade de usuários do Facebook na Eslováquia que as autoridades locais precisaram emitir um comunicado oficial desmentindo a história.

Acontece que, como o comunicado foi feito no Facebook a partir de uma página, ele não teve sequer uma fração dos acessos entregues pela rede social à notícia falsa. Isso porque o Feed de Notícias na Eslováquia separa o conteúdo compartilhado diretamente por amigos das postagens vindas de páginas. Dessa forma, as notícias falsas e sensacionalistas — que tendem a apelar mais pelo clique e pelo compartilhamento — ganham tração e aparecem para mais pessoas, enquanto informações de fontes profissionais ou oficiais permanecem essencialmente escondidas do grande público.

Audiência

Na Bolívia, editores do jornal Página Siete, um dos maiores noticiários do país, explicou que perdeu cerca de 20% do tráfego total em seu site depois que o Facebook começou a testar a novidade. A publicação explica ainda que chega a ter picos de 60% a menos de acessos, considerando que metade de sua audiência chega majoritariamente pelas redes sociais.

O New York Times contatou o Facebook, mas a empresa essencialmente repetiu o que já havia dito quando começou a testar o novo formato nos países indicados. “Nós temos uma responsabilidade com as pessoas que leem, assistem e compartilham notícias no Facebook, e todo teste que realizamos é feito com essa responsabilidade em mente”, comentou ao jornal Adam Mosseri, chefe de desenvolvimento do Feed de Notícias.

Usuários estão pensando que o Facebook baniu postagens sobre política da rede social

A rede social explica que não tem planos para expandir esses testes para outras localidades além dos países onde eles já estão sendo feitos e também não garante que nada disso será ou não implementado globalmente em algum momento. A forma como a mudança está ocorrendo, entretanto, vem gerando polêmica em todas as localidades afetadas. De acordo com um editor de um jornal no Camboja, os usuários da rede social no país não perceberam que as notícias foram alocadas para uma nova guia. Em vez disso, estão pensando que o Facebook baniu postagens sobre política da rede social.

Não há informações sobre quando terminam os testes do novo formato, e o Facebook ainda não revelou se os usuários estão de fato mais satisfeitos com o conteúdo pessoal mais acessível.

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