Você sabe quando os negócios vão bem para uma empresa quando ela recebe uma multa de US$ 975 milhões – cerca de R$ 2,7 bilhões – e comemora o fim do processo a qual estava sendo submetida. Esse foi o valor cobrado da Qualcomm após uma investigação de 14 meses do governo chinês, que autuou a fabricante de chips norte-americana por práticas que violam as leis antimonopólio do país. A companhia decidiu não recorrer da decisão da China e deve rever todos os valores dos contratos feitos com parceiros e clientes.

Ainda que o valor da multa seja um recorde na história dos processos corporativos na China, pouca coisa deve mudar na prática para os negócios da Qualcomm. Muito famosa por seus componentes feitos sob medida para aparelhos mobile, não é novidade que grande parte dos ganhos das empresas venha de royalties pagos por outras fabricantes, que utilizam os itens em seus aparelhos. O problema é que a Qualcomm criou pacotes de algumas das patentes para forçar um pagamento mais recheado – prática obviamente ilegal.

Para adquirir a licença das tecnologias 3G e 4G para celulares, por exemplo, muitos dos clientes precisavam desembolsar uma grana alta, já que elas supostamente estavam atreladas a outros recursos que foram incluídos no conjunto. Após a intervenção da Justiça chinesa, a Qualcomm vai passar a oferecer esses chips para conexão dos smartphones separadamente e com um custo reduzido – o que deve acabar popularizando ainda mais os produtos da companhia.

A boa notícia para a empresa é que agora ela vai poder operar sem preocupações e dentro das leis no gigante asiático, que é responsável por metade da receita de US$ 26,5 bilhões da Qualcomm. “O resultado é que estamos mais bem posicionados como companhia na China”, afirma Steve Mollenkopf, CEO da fabricante, que acredita que o fim do processo removeu qualquer incerteza da marca no país. Os números indicam que ele está certo, já que as ações da empresa subiram 3,1% assim que as primeiras confirmações da decisão foram divulgadas.

O caso mostra que o governo chinês está levando muito a sério a investida de grandes companhias de tecnologia em suas terras, principalmente quando ferem negócios e operadoras locais. Um exemplo disso é que a Microsoft também segue um processo de investigação parecido com o que foi aplicado na Qualcomm desde junho do ano passado, com seus escritórios sob forte vigilância da Justiça local.

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