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Samsung quis ‘sair na frente’ da Apple com Z Fold 8? Empresa fala sobre concorrência

Exclusivo — TecMundo entrevistou executivo da Samsung sobre o novo formato do Galaxy Z Fold 8 e sobre a concorrência com a Apple.

Avatar do(a) autor(a): Wellington Arruda

schedule30/07/2026, às 09:30

updateAtualizado em 30/07/2026, às 09:36

O lançamento do novo Galaxy Z Fold 8 marcou um momento importante para o segmento de smartphones dobráveis. Este é o primeiro modelo comercial com alcance global que utiliza um formato diferente: mais quadrado e centrado no consumo de mídia. Além disso, especula-se que este seja o concorrente mais direto do primeiro iPhone dobrável, que ainda caminha no campo dos rumores.

Até então, a Samsung vinha lançando apenas dois formatos de dobráveis: o Z Flip e o Z Fold, um modelo mais esticado (e que passou a ser chamado de “Ultra” na nova geração). Já o Z Fold 8 traz um aspecto diferente e, aparentemente, chega para ser um dispositivo padrão e com mais destaque dessa geração:

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  • Com aparência mais quadrada, a sua tela externa tem 5,5 polegadas e proporção de 10:16;
  • Já a tela dobrável, com 7,6”, tem proporção de 4:3 na horizontal e facilita o consumo de vídeos e filmes. Quando na vertical (3:4), facilita a leitura de textos.

Especula-se que a Apple trabalha em um smartphone de proporções similares para o seu primeiro dobrável e esse tipo de questão tem sido levantada: estaria a Samsung se antecipando a um possível rival de sua principal concorrente? Para a empresa, a resposta é não.

O TecMundo conversou com exclusividade com Rafael Aquino, diretor de Produto de Mobile Experience da Samsung Brasil. Segundo Aquino, a empresa enxerga essa concorrência como parte “natural do mercado” e que não tentou se antecipar a um provável competidor em um cenário futuro.

"Para a Samsung, o que mais importa é o cliente, o consumidor. Então a concorrência é algo natural do mercado que enxergamos de forma positiva. Quanto mais concorrência, melhor para o consumidor. O consumidor vai ter mais opções", diz.

O executivo reconhece que os dobráveis ainda são "uma tecnologia mais restrita, são produtos que não são amplamente conhecidos" em comparação aos modelos tradicionais. De fato, os dobráveis costumam ser mais caros:

  • No ano passado, o Z Fold 7 foi lançado por a partir de R$ 14.599, enquanto o Z Flip 7 teve preço inicial estipulado em R$ 8.199;
  • O Razr Fold, por sua vez, chegou por aqui custando R$ 16 mil;
  • O Honor V3, lançado em 2025 no Brasil, custava R$ 20 mil.
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A nova linha de celulares dobráveis da Samsung conta com os modelos, da esquerda para a direita, Z Fold 8 Ultra, Z Fold 8 e Z Flip 8. (Foto: Wellington Arruda/TecMundo)

O executivo diz que o cliente se interessa pelo formato dobrável, reconhece que “é natural que o produto mais barato venda mais e que o mais caro venda menos”, e afirma que nesses oito anos — desde o primeiro Fold, anunciado em 2019 — a categoria não parou de se desenvolver.

Segundo Aquino, com o passar das gerações, a Samsung identificou que o consumo de mídia é um ponto forte desses modelos e que o novo Z Fold 8 seria “um meio do caminho”. “Existem consumidores que têm interesse [nos dobráveis], mas têm resistência para esse novo formato”, diz, acrescentando que a empresa “entende que tem demanda no mercado”.

A corrida dos dobráveis

A concorrência no campo dos dobráveis não é nova. Samsung, Huawei (que, inclusive, tem um smartphone bem parecido com o Z Fold 8), Xiaomi, Honor, Google e outras marcas já possuem algumas gerações do tipo no mercado.

Com esse mercado se expandindo, vimos a Motorola lançar o seu segundo formato com o Razr Fold. Ainda é difícil falar sobre o iPhone dobrável, que ainda é um produto hipotético, mas fontes da indústria afirmam que a Apple avança em seu desenvolvimento. E é justamente esse segundo modelo que pode aquecer um pouco mais o cenário.

Um relatório da Counterpoint Research aponta que o mercado global de smartphones dobráveis deve atingir um aumento de 21% na distribuição de unidades em 2026. A consultoria ainda afirma que a chegada da Apple pode intensificar a disputa: a empresa pode abocanhar cerca de 25% da fatia total de dobráveis já em sua primeira edição.

Segundo estimativa da Counterpoint, a Samsung atualmente detém 40% do mercado de dobráveis. Ela é seguida por Huawei (30%) e Motorola (12%).

Z Fold 8 “furou” a fila do iPhone dobrável?

Quando questionado sobre o possível movimento da Samsung estar se antecipando a algum concorrente, Aquino diz “que isso é muito difícil” porque “você não desenvolve um celular do dia pra noite. São anos de desenvolvimento”.

“Eu diria que o [desenvolvimento] do Z Fold 8 começou quando a gente fez o Fold 1, porque tem coisas que você não consegue implementar no primeiro. Existem desafios de projeto, engenharia, materiais e disponibilidade. Então as decisões são sempre correlacionadas com o tempo de lançamento”, afirma.

O executivo aponta o interesse do consumidor, e não a competição, como norte para o lançamento. Ele ainda cita projetos da divisão Samsung Display, que desenvolve telas que se dobram, expandem e afins.

Então pra gente vale muito mais o nosso movimento de antecipação para entregar ao consumidor do que mapear ou entender o que os competidores estão fazendo”, diz Aquino.

O novo Galaxy Z Fold 8 será lançado no Brasil em 6 de agosto. Seu preço local ainda não foi revelado, mas nos EUA ele custa a partir de US$ 1.899. Em conversão direta e livre de impostos, o valor em Real seria de aproximadamente R$ 9,7 mil.