O iPhone 17e é um smartphone que me deixou conflitado. Por um lado, sinto que tenho a obrigação moral de não recomendar para nenhuma pessoa que queira fazer uma compra racional. Por outro lado, pensando exclusivamente na realidade de preços do Brasil e no tipo de pessoa que sequer cogita comprar um smartphone que não seja da Apple, então as opções são: esse iPhone mais caro do que deveria ser, um iPhone velho ou um iPhone melhor e absurdamente mais caro.
Nesse caso, depois de passar cerca de 3 semanas usando ele como meu celular pessoal, decidi que esse pode oficialmente ser a melhor opção para muita gente. Deixando bem claro: se você está disposto a pagar mais de R$ 4 mil em um celular, há várias opções Android que superam o 17e em quase todos os quesitos, algumas custando um pouco menos, outras um pouco mais, mas com tecnologias muito melhores.
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No entanto, para uma pessoa que faz questão de ter um iPhone e ou não tem um ainda, ou tem um modelo já muito velho, então o 17e pode ser o upgrade com o melhor custo-benefício possível no momento. Nesta análise vou explicar tudo o que ele oferece, o que é melhor do que outros aparelhos e para quem faz sentido escolher esse aqui para comprar.
Design: em time que está ganhando (e economizando), não se mexe
Tirando o corpo do iPhone 17e é exatamente o mesmo que os do iPhone 16e, que por si já trazia uns 90% do seu design dos iPhones 13 e 14, exceto no módulo de câmeras da traseira. As dimensões e formatos com laterais retas são exatamente iguais, tanto que dá até para usar a capinha dos outros três no mais recente. A “banheira” do recorte das câmeras e outros sensores continua no topo da tela.
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Assim como no 16e, na esquerda a antiga chave física que ligava e desligava o modo silencioso foi trocada por um botão de ação que ainda pode ser usado para a mesma coisa, mas também pode ser customizado para outras funções que você achar mais úteis, incluindo atalhos de apps. E a porta de baixo segue sendo USB-C, assim como todos os iPhones desde o 15.
É um celular leve, relativamente pequeno e fácil de usar mesmo com uma mão.
- Dimensões (L x A x P): 7,15 x 14,67 x 0,78 cm (mais espesso na câmera);
- Peso: 169g.
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Os materiais do corpo incluem alumínio nas laterais e vidro na frente e traseira, com o da tela protegido pelo Ceramic Shield 2. A Apple diz que é 3x mais resistente a arranhões do que a geração anterior sem explicar que isso provavelmente significa que é um pouco menos resistente a rachaduras. Eu digo: vidro é vidro, então em um aparelho como esse, em que o vidro vem até a beiradinha, compre uma capinha que protege as bordas da tela se não quiser dor de cabeça. E uma boa película também não faz mal.
- Materiais: frente e traseira de vidro, corpo em alumínio;
- Proteções: Ceramic Shield 2 na tela, certificação IP68 contra poeira e líquidos.
Outro ponto é que, assim como todos os iPhones desde que eu me lembro, ele tem certificação IP68 contra poeira e água, o que significa que deve sobreviver a submersão. Dá para tirar fotos embaixo da água? Dá. Você deveria? Não.
Tela e Áudio: onde o tempo parou
Na tela também vemos o mesmo ótimo painel Super Retina XDR que já estava lá no iPhone 13. É basicamente um painel OLED, de 6,1 polegadas, com resolução um pouco acima do Full HD e taxa de atualização de 60 Hz. Tudo isso se traduz em imagens de ótima qualidade, com detalhamento, cores e tons de preto muito bons e com um movimento que quem vem de um celular com 120 Hz talvez ache um pouco lento nesse aqui. 60 Hz é menos fluído, com certeza, mas dá sim para reacostumar e depois de um tempo você não se incomoda mais.
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- Tela: Super Retina XDR (OLED) com 6,1”, resolução 2532x1170 pixels, 60 Hz, pico de brilho de 1.200 nits (800 HBM).
O brilho da tela promete pico de até 1.200 nits, mas o valor máximo mesmo é de 800 e isso quer dizer que fica ruim de ver a tela em algumas situações, especialmente sob luz direta do sol e conteúdos escuros. E a falta de uma boa camada antirreflexos também não ajuda. Nesse ponto a tela continua bastante defasada.
Quanto ao som, ele é estéreo e mantém ótima qualidade mesmo no volume máximo, que não é muito forte. Em algumas situações mais barulhentas fica difícil ouvir sem usar um fone - e para quem vem de iPhones mais antigos, o aviso: na caixa do 17e e de todos os iPhones novos não vem mais fone. Nem carregador tem. Vem só um cabo USB-C nas duas pontas, que pelo menos não é mais daquela borracha vagabunda que sempre acaba rachando, mas sim de um tecido plástico trançado de ótima qualidade. Pelo menos isso.
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Hardware e Desempenho: potência com ressalvas
Do lado de dentro, o iPhone 17e traz, pelo menos em nome, o mesmo chip do iPhone 17, que é o A19. A CPU, que lida com o processamento geral do celular, é realmente o mesmo chip, então tem um desempenho muito rápido no uso de aplicativos comuns, recursos do sistema, redes sociais, mensageiros e coisas do tipo.
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Hardware
- CPU: A19 (3 nm, hexa-core 2x4,26 GHz + 4x2,6 GHz);
- GPU: 4 núcleos.
Só que quando os chips estão sendo fabricados, às vezes alguns núcleos acabam saindo com defeito, então em vez de jogar fora ou usar nos iPhone 17, a Apple desativa esses núcleos na GPU e coloca essa versão do chip com núcleos a menos nos 17e. Esse processo se chama binning e é normal na indústria de chips como todo, mas como a Apple não explica isso em muitos detalhes, eu tenho que falar. É por isso que o A19 desse celular aqui tem só quatro núcleos na GPU, enquanto o A19 do iPhone 17 tem cinco.
O resultado é que, para tarefas gráficas mais intensivas, como rodar jogos, editar vídeos e coisas do tipo, o 17e precisa fazer bem mais esforço para conseguir o mesmo resultado. Não significa que ele é fraco para rodar jogos: eu conseguir rodar bem Diablo Immortal e Wuthering Waves com tudo no máximo, mas o iPhone 17e esquenta mais que os irmãos mais caros nessa hora. E isso impacta bastante na bateria, o que explico mais abaixo.
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Memórias
- RAM: 8 GB;
- Armazenamento: 256 ou 512 GB.
Assim como a maioria dos iPhones, o 17e vem com 8 GB de RAM. Só os 17 Pro e Pro Max que têm 12 GB. Para o funcionamento atual dos aparelhos, isso é mais que o suficiente com o sistema operacional da Apple. Mais RAM provavelmente só vai fazer falta quando a nova Siri alimentada pelo Gemini e outros recursos de IA avançados finalmente chegarem, o que não tem previsão nenhuma de quando vai acontecer.
Pelo menos no armazenamento o 17e começa em 256 GB, que é uma quantidade boa, e tem opção de 512 GB também se você estiver disposto a pagar R$ 1.000 a mais por isso - o que não faz o menor sentido na minha cabeça. A Apple não aumentou o preço do 16e para o 17e pelo mesmo tanto de memória, mas como essa ano não há um modelo de 128 GB, você basicamente perdeu uma opção um pouco menos cara na geração mais recente.
- Conectividade: 5G, WiFi 802.11 a/b/g/n/ac/6, Bluetooth 5.3 e NFC;
- Navegação: GPS, BDS, Glonass, Galileo, QZSS e NavIC.
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Na conectividade, o 17e traz basicamente tudo o que é necessário, mas para antes de chegar nas tecnologias mais avançadas. Então tem 5G, inclusive no Brasil mantendo tanto suporte a eSIM quanto a chip físico de operadora, e tem também WiFi 6, Bluetooth 5.3 e NFC, mas nada de WiFi 7, Bluetooth 6.0 e UltraWideBand. Esse último, aliás, é importante para quem quer entrar no ecossistema da Apple mesmo e comprar AirTags para rastrear objetos. Como o 17e não tem o UWB, você vai conseguir saber se o objeto rastreado com a tag está em determinada área, mas não vai conseguir usar o celular para descobrir precisamente onde.
Software: iOS 26 e o visual “Liquid Glass”
No lado do software, o 17e vem rodando já de fábrica o iOS 26, então para o bem e para o mal ele já vem com a interface baseada no conceito de Liquid Glass, em que todo o sistema parece ser feito de placas de vidro que se expandem e contraem. Pelo menos na versão 26.3, que é a que já vem aqui, os problemas de legibilidade já foram resolvidos, então não tive dificuldade de ler o que estava escrito nos apps e janelas do sistema.
- Software: iOS 26.3 (expectativa de ao menos 6 anos de atualizações).
Com o recorte grande para os sensores no topo da tela, não sobra nada de espaço para ícones de notificações. Aí, se você é como eu, que costuma deixar o celular permanentemente no modo silencioso, então com certeza vai acabar perdendo qualquer notificação que apareça em um momento em que você não estava olhando para a tela. Você acaba precisando desenvolver o hábito de abrir a gaveta de notificações de tempos em tempos, e pelo menos isso está bem melhor do que antigamente com os recursos de priorização, organização e resumo que a Apple inseriu.
Em geral, o uso do sistema como um todo está muito bom e não deve ser difícil de acostumar mesmo para quem vem do Android. Você pode organizar seus apps em pastas ou esconder na biblioteca e pode personalizar bastante o visual do sistema. Eu continuo não entendendo porque o gesto de deslizar da beirada da tela para voltar só funciona se tiver algum botão de voltar visível no app que você estiver usando, mas se tudo que acontece aqui fizesse sentido o tempo todo eu diria que esse não é mais o iOS da Apple.
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Quanto a recursos de IA, a nova Siri continua ausente, mas você pode segurar o botão de energia com a câmera aberta ou usar o atalho do botão de ação para ativar o Visual Intelligence, e aí pode perguntar sobre o que está vendo. Na maioria das vezes o sistema vai jogar a pergunta para o ChatGPT e você terá uma resposta razoável, mas o sistema ainda não consegue usar informações desses papos para criar lembretes específicos ou seguir instruções mais complexas. Mesmo os sistemas Android mais avançados ainda pecam um bocado nisso, mas em IA a Apple continua particularmente atrasada.
Câmeras: o retorno da lente única
As câmeras são um ponto em que o 17e está bem longe do ideal e ao mesmo tempo provavelmente faz muito bem tudo o que a maioria das pessoas se importa de verdade. Em uma situação que não acontecia em um smartphone que eu testei desde o iPhone XR e o Galaxy S9, esse aqui só tem uma câmera de cada lado. A frontal é a clássica de 12 MP que vem acompanhada dos sensores do FaceID, e a traseira é de 48 MP com abertura de f/1.6 e estabilização óptica.
- Câmera traseira: 48 MP, f/1.6, 26 mm, OIS e PDAF;
- Câmera frontal: 12 MP, f/1.9, 23 mm e PDAF.
Quer dizer que pelo menos a traseira é a mesma do principal que a gente vê no iPhone 16 ou no 17? Não. Primeiro, porque a estabilização desse aqui é o OIS comum, não o Sensor Shift mais rápido e preciso dos irmãos mais caros. Segundo, porque o tamanho físico do sensor é bem menor no 17e, o que reduz a quantidade de luz que ele consegue pegar de uma vez e afeta detalhamento, desfoque natural e vários outros pontos.
Tá, mas e as fotos? A realidade é que mesmo sendo mais limitado que os irmãos mais caros, o iPhone 17e ainda faz um ótimo trabalho em geral em todas as situações. As fotos na traseira saem com bom detalhamento, cores e HDR tanto de dia quanto de noite, graças ao modo noturno. Por padrão, as fotos saem com 24 MP, mas nas configurações você pode reduzir para 12 MP para melhorar a exposição e deixar as imagens mais leves, ou liberar a captura com todos os 48 MP, o que melhora o detalhamento, mas deixa as imagens pesadas.
Nas selfies diurnas, até é possível perceber a falta de detalhamento ao aproximar as imagens, mas sem fazer isso elas saem boas o suficiente para compartilhar nas redes sem medo. As selfies no escuro sofrem mais, mostrando bastante ruído e com mais dificuldade para focar se você deixar o modo noturno ativado, mas desligando isso e usando a tela como flash, o resultado ainda é compartilhável.
Pessoalmente, sinto falta de uma câmera ultrawide, que permitiria capturar cenários mais amplos, e de uma teleobjetiva, para fotos e vídeos em shows. Eu não cogitaria comprar um celular de R$ 4 mil que não oferece ao menos isso. Só que para a maioria das pessoas, que só quer conseguir pegar o celular e tirar umas fotos de vez em quando, em momentos especiais, o 17e provavelmente vai entregar resultados no mínimo bons em qualquer situação. Daria para ser melhor, mas está bom o suficiente.
- Vídeo: 4k@60fps traseira e frontal.
Nos vídeos, a história é a mesma. Você consegue fazer gravações em 4K a 60 fps com boa qualidade e estabilização. Não é o melhor, mas funciona bem também.
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Bateria: o ponto fraco da eficiência
Na bateria, ele tem reservas de 4.005 mAh, o que no papel é maior até do que o iPhone 17. Só que na utilização, o resultado foi pior do que eu esperava. Em dias de utilização mais moderada, em que eu não joguei, não gravei vídeos e usei apenas mensageiros, um pouco de streaming de vídeos, redes sociais e leitura de quadrinhos online, o 17e consistentemente morria no fim do dia com pouco mais de 7 horas de tela ligada. Seria um resultado OK até uns 3 anos atrás, mas para hoje em dia esse é um número ruim para um padrão de uso tão leve.
Usando menos, é possível aguentar o dia inteiro longe da tomada, mas um usuário um pouco mais intensivo tem motivos para ficar menos sossegado. Nos dias em que eu usei o aparelho de forma mais intensiva, incluindo jogos exigentes como Diablo Immortal e Wuthering Waves com tudo no máximo, o esforço que a GPU mais fraca do iPhone 17e fez empurrou o consumo para mais de 25% de bateria por hora.
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Ou seja, dá para matar o celular em menos de 4 horas jogando, o que é bem ruim. Aí, se você costuma jogar games não muito levinhos no smartphone, vai precisar de um carregador sempre à mão. E como eu falei, a Apple só manda o cabo na caixa.
- Bateria: 4.005 mAh + recarga MagSafe (15W).
Um pequeno lado bom nessa geração é que, diferente do 16e, o 17e inclui os ímãs necessários para que ele seja compatível com acessórios de recarga Magsafe ou no padrão Qi2. É uma variante de 15W, mais potente que os 7,5W da versão sem imãs de recarga wireless, mas um pouco menos potente e portanto mais lenta que os 25W dos iPhones mais caros.
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Mas não dá para negar que é muito mais vantagem ter um jeito prático, ainda que um pouco mais lento, de carregar sem cabos com consistência. Uma vez que você começa a comprar e usar carregadores magnéticos, é difícil voltar a depender de outros.
Veredito: Vale a pena?
O preço do iPhone 17e que você vê hoje no site oficial da Apple é o mesmo absurdo completo que ele tinha no lançamento, que começa por R$ 5.220 à vista pelo modelo com 256 GB de armazenamento. Você teria que ser completamente maluco para pagar isso por ele.
Preços oficiais:
- 256 GB: R$ 5.219,10 à vista ou R$ 5.799 em até 12x;
- 512 GB: R$ 6.569,10 à vista ou R$ 7.299 em até 12x;
- Preço real no varejo online: a partir de R$ 4.051.
Em varejistas online, hoje é possível encontrar o iPhone 17e a partir de R$ 4.051. Esse não é um valor barato, e como escrevi mais acima, com esse mesmo nível de grana você consegue comprar opções Android competitivas, incluindo até o Galaxy S26.
Só que olhando apenas para o mundo dos produtos da Apple, esse acaba sendo um valor bastante vantajoso. É a mesma média atual em que você encontra o iPhone 14, só que por um modelo deste ano, com processador melhor, bateria um pouco melhor e que entrega bons resultados em basicamente tudo.
Pagar mais caro por um iPhone 15 ou 16 não traz vantagens o suficiente pela diferença de preço. E o salto de valor para o iPhone 17, sem falar nos Pro, é muito grande só para conseguir competir em um nível mais próximo com o dos top de linha Android. Aí, se você está decidido sem sombra de dúvida de que vai migrar para um celular da Apple, ou então quer atualizar de um iPhone 13 ou mais antigo para um modelo recente, então o 17e é simplesmente a única opção sensata. Acreditem, eu mesmo me surpreendi de chegar nessa conclusão.
Discorda? Escreva nos comentários o que você achou do iPhone 17e! Tem algum ponto importante que eu deixei de considerar? Vamos debater! E para mais novidades do mundo da tecnologia e avaliações sinceras sobre produtos, continue acompanhando o TecMundo.
*O aparelho foi emprestado pela Apple para realização do teste.
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