Imagine um laptop fino, leve, resistente, com ótima construção, processador que combina poder e eficiência, bateria ótima, tela OLED excelente… e bastante caro, mas que ainda seria a máquina perfeita para quem tem condições de gastar quanto quiser se não fosse por um ponto que o elimina para todo mundo exceto um tipo muito específico de pessoa. É exatamente esse o caso do Zenbook S 14 de 2026, o primeiro notebook a chegar no Brasil com chip Panther Lake, da mais nova, poderosa e eficiente linha de chips da Intel.
A ASUS emprestou sua nova máquina para usar como se fosse meu pelas últimas duas semanas, e nesse review explico tudo o que ele tem de excelente, e de não tão excelente assim, e porque mesmo assim eu acho que ele faz sentido para pouquíssimas pessoas comprarem mesmo se tiverem dinheiro de sobra.
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Design: o que é o Ceraluminium e como ele impacta o uso?
Antes de mais nada, não deixe o exagero de adesivos te assustar: o Zenbook S 14 tem sim um design de alta qualidade. Como um bom notebook premium de 14 polegadas, ele é bem fino, com pouco mais de 1 centímetro de espessura, e bastante leve também, pesando 1 kg e 200 gramas.
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- Dimensões (L x P x A): 31,03 x 21,47 x 1,1 cm;
- Peso: 1,2 Kg.
Nos materiais, a ASUS combinou o corpo em liga de alumínio com a tampa em ceraluminium, que é um material à base de alumínio adotado pela marca com a promessa de aumentar a resistência contra riscos e arranhões, além de corrosão e impacto. Ele tem um toque suave, que quase não parece metal.
E tem mais alguns detalhes que se somam para aumentar o nível da experiência com ele. O nível de rigidez da dobradiça e os recortes no corpo tornam muito fácil tanto abrir o notebook com uma mão só quanto ajustar o ângulo da tela. A grelha de passagem de ar acima do teclado tem detalhes finos muito precisos e o touchpad é o maior possível para o tamanho do corpo, é preciso, responsivo e conta com gestos inteligentes para ajustar brilho, volume e avançar ou voltar telas. Ainda não substitui um mouse dedicado, mas quebra bem o galho.
O teclado vem no padrão ABNT e é retroiluminado com três níveis de brilho. As teclas são bem espaçosas e com digitação suave, silenciosa e confortável. Não tem teclado numérico dedicado, mas se isso é essencial para você dificilmente um laptop de 14 polegadas vai servir, independente do modelo ou marca. Pontos que me incomodaram um pouco no teclado foram: a ausência de uma tecla de print screen, que para mim seria mais útil do que a tecla dedicada para o software de configurações rápidas da ASUS; e a falta de indicações de que as setas também funcionam como teclas Home, End, Page Up e Page Down se você segurar o Fn antes de apertar. Até que eu me lembrasse dessa possibilidade, admito que apanhei um pouco na produtividade.
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As saídas principais de ventilação ficam voltadas para a traseira do aparelho e para baixo. E a câmera de vapor ultrafina que a ASUS colocou aqui faz um excelente trabalho, já que mesmo rodando benchmarks intensivos o calor do Zenbook S 14 não chegou a ficar perceptível nos dedos.
Nas conexões, a opções incluem do lado esquerdo uma porta HDMI 2.1, duas USB-C Thunderbolt 4, que também servem para conectar o carregador do notebook, e uma entrada para fone com microfone. Do lado direito temos só uma porta USB-A 3.2 de segunda geração. É uma boa variedade, mas eu gostaria de um leitor de cartões SD e mais uma USB-A, o que eliminaria totalmente a necessidade de um HUB para mim.
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- Portas: 1x USB-A 3.2 Geração 2, 2x USB-C Thunderbolt 4, 1x HDMI 2.1 TMDS e 1x entrada P3 de 3,5 mm para fone e microfone.
Vale ressaltar que ele não tem leitor de digitais. A opção de desbloqueio via biometria fica por conta do infravermelho da câmera via Windows Hello, que na minha experiência funcionou bem todas as vezes.
Tela e Som: o painel OLED de 120 Hz é o melhor da categoria?
A tela do Zenbook S 14 inclui um excelente painel OLED de 14 polegadas, com resolução 2,8K, taxa de atualização variável entre 30 e 120 Hz e pico de brilho de 1.100 nits, o que ajuda em ambientes externos e com conteúdos HDR. Os tons de preto e contraste são excelentes, como esperado de um OLED, e nas cores, ele também suporta 100% do padrão DCI-P3, o que é ótimo tanto para consumo de conteúdo em geral quanto para quem exige cores precisas para trabalho, por mais que essa aqui não seja uma máquina indicada para tarefas gráficas. Mais sobre isso alguns parágrafos abaixo.
- Tela: OLED 16:10 de 14” com resolução “2,8K” (2880x1800 pixels), HDR, VRR (30 a 120 Hz), 1 ms de tempo de resposta, pico de brilho de 1.100 nits (500 nits em uso típico) e suporte a 100% do padrão DCI-P3 de cores.
O eterno medo do burn-in é combatido tanto pelo ótimo sistema de resfriamento da ASUS quanto por recursos como o OLED Care, ativado no software MyASUS embarcado de fábrica. Vale também dizer que a tela é sensível ao toque, mas como a máquina não é um 2-em-1, que viraria tenda ou tablet, eu acho isso meio inútil. Depois dos testes iniciais, eu só lembrava que existia quando ia ajustar o ângulo da tela e acabava tocando no X e fechando janelas sem querer.
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O som vem de quatro alto-falantes nas laterais, mas voltados para baixo do laptop. No colo eles são altos o suficiente, mas brilham mesmo quando em uma superfície lisa e rígida. Aí, o som é rico e imersivo, por mais que não substitua totalmente um headphone bom. Já se você usar o notebook sobre uma toalha grossa de mesa ou apoiado em um sofá ou cama, aí o áudio pode acabar abafado. Não que isso seja recomendado em qualquer laptop, já que quase sempre tampa as entradas e saídas de ar, o que pode danificar a máquina.
- Áudio: 4 alto-falantes e 2 microfones.
A câmera embutida tem resolução Full HD, o que é bom, mas não impressiona tanto quanto uma webcam 4K dedicada.
- Câmera: Full HD com infravermelho (Windows Hello).
Software: os recursos Copilot+ PC compensam falhas do Windows 11?
O software que vem rodando é o Windows 11 Home, e a implementação foi muito boa, livre de aplicativos desnecessários. O Zenbook S 14 é um Copilot+ PC, então vem também com os recursos de IA embarcados para todo lado do sistema pela Microsoft. Isso inclui o polêmico recurso Relembrar, que em inglês chama Recall e fica salvando capturas da tela em segundo plano para ajudar a lembrar coisas depois, mas eu mesmo acho que não vale a invasão de privacidade, então desativei nas configurações de privacidade e segurança do sistema.
- Software: Windows 11 Home.
O aplicativo MyASUS que vem instalado facilita tanto a visualização dos recursos da máquina como um todo quanto a instalação de atualizações e ajuste de configurações avançadas. O design do programa é intuitivo e o funcionamento é liso, então palmas para a ASUS.
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Em geral, minha experiência com o sistema foi ótima, em linha com o que já estava acostumado em laptops Windows de alto nível. Os incômodos ficam só por conta da insistência do software de tentar empurrar o uso do Bing, Edge e Copilot sempre que possível, ou dos bugs que vêm infestando a plataforma da Microsoft desde que a IA se tornou o foco da empresa. Eu mesmo cheguei a ser afetado por um bug durante o teste do Zenbook que travou uma atualização no meio e me fez perder umas boas 2 horas até ter coragem de ignorar a mensagem que me falava para não desligar a máquina, e aí passar pelo processo de reparo do sistema depois. Nesse caso, para mim é zero culpa da ASUS e total da Microsoft.
Hardware: o chip Panther Lake foca em poder ou eficiência?
O Zenbook S 14 foi oficialmente o primeiro notebook a chegar oficialmente ao Brasil com um dos chips Intel Core Ultra Série 3, com a arquitetura Panther Lake. Isso importa porque essa geração de processadores da Intel é a mais promissora em anos no sentido de conseguir competir em desempenho e eficiência energética em comparação com os chips das rivais, principalmente Apple e Qualcomm.
Aqui no Brasil, a ASUS prometeu trazer basicamente duas configurações: uma com o Core Ultra 7 355, 16 GB de RAM e 512 GB de armazenamento no SSD, e outra com o Core Ultra 9 386H, 32 GB de RAM e 1 TB de espaço interno no SSD. Ambos são chips muito poderosos para uso em geral, mas como não são as variantes com X antes do número, não tiram proveito dos gráficos mais poderosos inspirados na tecnologia das GPUs Battlemage da Intel.
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- CPU: Intel Core Ultra 7 355 ou Core Ultra 9 386H (16 núcleos e 16 threads, até 4,9 GHz, 18 MB Cache);
- GPU: iGPU com 4 núcleos Xe3 e suporte a ray-tracing;
- NPU: NPU 5 com 50 TOPs;
- Memória: 16 ou 32 GB LPDDR5X (8.533 MTps);
- Armazenamento: SSD NVMe M2 PCIe 4.0 com 512 GB ou 1 TB.
A versão que recebi para testar foi a mais poderosa das duas. Com ela, velocidade de processamento não faltava, com o Zenbook S 14 tirando de letra todas as minhas tarefas básicas do cotidiano. Edição de textos, planilhas, navegação na internet com múltiplas abas abertas no Chrome, edição de imagens com várias camadas… tudo isso ele conseguia fazer rápido e sem sinais de dificuldades. E se você, diferente de mim, já entrou na onda de rodar modelos de IA localmente, a NPU dele consegue superar os 50 Trilhões de Operações por Segundo, então ele vai dar conta desse tipo de utilização também.
E na conectividade o notebook também está bem servido, oferecendo suporte a WiFi 7 e Bluetooth 6.0.
- Conectividade: WiFi 7 e Bluetooth 6.0.
O único ponto em que o desempenho não é ideal é realmente na parte gráfica. Com o hardware que o Core Ultra 9 sem o X no nome oferece, a máquina até consegue quebrar um mínimo galho graficamente, mas nada além disso. Edição de vídeos é possível, mas não será realmente rápida. Jogos como Death Stranding e Diablo IV até rodam, mas só com todas as configurações no mínimo e com taxas de quadros oscilando entre os 24 e 30 frames por segundo. Tecnicamente jogável, mas no limite. Aumentar qualquer configuração para o médio já transforma os jogos em uma apresentação de slides. Não valeu nem a pena testar Cyberpunk 2077.
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Benchmarks: como vai o Intel Core Ultra 9 386H em testes?
A seguir, confira o desempenho do Zenbook S 14 (2026) com Intel Core Ultra 9 386H nos benchmarks PCMark e 3DMark (Night Raid, Time Spy, Steel Nomad Light e Solar Bay).
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Bateria: ele realmente aguenta um dia inteiro longe da tomada?
Pelo menos a bateria de 77 Wh mais do que dá conta do recado aqui. O laptop aguentou tranquilamente meu dia de trabalho inteiro de 8 horas, incluindo tarefas como navegação na internet em múltiplas abas, edição de documentos em texto e planilhas, vídeos via streaming, edição de imagens para thumbnails e download e upload de vídeos no YouTube, tudo isso com o brilho da tela acima da metade, o aparelho no modo Equilibrado e sem ficar abaixo dos 20%. Reduzindo o brilho para o mínimo e usando o modo de Melhor Eficiência de Energia, não seria impossível completar dois dias de trabalho sem recarregar.
- Bateria: 77 Wh;
- Carregador: 68W com conector USB-C.
Quanto à recarga, o carregador USB-C de 68W incluso consegue completar 50% da carga em cerca de 40 minutos e chega a 100% em pouco menos de uma hora e meia. É um resultado bom, mas que não chega a impressionar. Aliás, tem gente que prefere o carregador grande na parte do plug, mas com o cabo sem interrupções, como o dos laptop Samsung, mas eu acho esse formato que vem junto com o Zenbook, com a fonte no meio, mais interessante porque facilita encaixar em qualquer tomada sem problemas, mesmo que seja em uma régua que está cheia de outros conectores, por exemplo.
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Veredito: vale a pena investir até R$ 17 mil no Zenbook S 14?
Quando a ASUS anunciou as variantes do Zenbook S 14 de 2026 aqui no Brasil, no começo de abril, os preços divulgados começavam em R$ 9.900 à vista para a versão com o Core Ultra 7 355 e menos memórias, e chegavam até R$ 16 mil em até 12 vezes por esse aqui, com o Core Ultra 9 386H e tudo no máximo. Já seriam preços salgados, mas em apenas algumas semanas a coisa piorou.
Primeiro, porque o modelo mais básico desse ano nem parece estar disponível, com a única opção mais “acessível” sendo o Core 7 Ultra 258 do ano passado. Segundo, porque esse que eu testei, com o Core Ultra 9 386H, 32 GB de RAM e 1 TB de armazenamento já teve aumento de preço para R$ 15.300 à vista ou R$ 17 mil parcelado.
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Preços:
- Intel Core Ultra 7 355, 16 GB de RAM e SSD de 512 GB: R$ 9.899,10 à vista*;
- Intel Core Ultra 9 386H, 32 GB de RAM e SSD de 1 TB: R$ 15.299,10 à vista ou R$ 16.999 em até 12x.
* indisponível no site da marca
Vai parar por aí? Provavelmente não. Mesmo que a crise das memórias passe logo, o que não tem muitos sinais de que vai acontecer em breve, é provável que os preços demorem mais que o normal para cair. E aí a recomendação desse modelo se torna ainda mais difícil, por mais que ele seja sim um notebook excelente em quase todos os pontos.
Mesmo que o preço magicamente baixasse e chegasse em patamares mais sensíveis para o poder aquisitivo do brasileiro médio (vulgo eu e você), ainda assim o Zenbook S 14 só faz sentido para um nicho muito específico de pessoas que fazem questão de uma máquina fina e leve, mas sem abrir mão de robustez e desempenho para tarefas básicas ou IA, e que ao mesmo tempo não precisem executar tarefas gráficas mais pesadas e que não se importem muito com jogos no laptop.
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Para qualquer outra pessoa, outras opções tanto de rivais quanto da ASUS são mais interessantes nessa faixa de preço. Por exemplo, o Zenbook Duo que eu testei ano passado está custando basicamente a mesma coisa, e ele tem desempenho gráfico superior e toda uma segunda tela touch de tamanho cheio. Eu vejo mais vantagem.
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