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Grupos pedem que Meta não use reconhecimento facial em óculos inteligentes

Especialistas e ativistas dizem que aparelhos como os Meta Ray-Ban facilitam crimes como abuso sexual e outras formas de assédio; Meta não comentou o caso.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule15/04/2026, às 10:00

Um grupo formado por mais de 70 organizações não governamentais e entidades de direitos civis pede que a Meta não lance um polêmico recurso para os óculos inteligentes da companhia. A demanda envolve a função de reconhecimento facial, que estaria em fase de testes e avaliação para modelos lançados sob marcas como Ray-Ban e Oakley.

De acordo com a Wired, as entidades envolvidas na campanha incluem ativistas de direitos humanos no geral, associações LGBTQ+, trabalhistas, de auxílio a imigrantes e contra violência doméstica. Até o momento, nem a Meta e nem a EssilorLuxottica, que é a dona das marcas de óculos e fabricante dos dispositivos, se pronunciaram sobre o assunto.

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O grupo publicou uma carta que foi enviada ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg e é assinada por todos os participantes do projeto. Você pode conferir o texto na íntegra no site da American Civil Liberties Union de Massachusetts (em inglês).

O perigo dos óculos inteligentes

Na carta, as entidades pedem que a companhia abandone os planos para lançar o chamado Name Tag, recurso de reconhecimento facial dos óculos inteligentes que foi revelado em fevereiro de 2026 em uma reportagem do The New York Times.

  • Na matéria, documentos internos indicam que a Meta planejou lançar o recurso em um momento de "ambiente político dinâmico" nos Estados Unidos, justamente para que grupos da sociedade civil tenham "outras preocupações" e não ataquem tanto a ferramenta;
  • A carta menciona a reportagem como uma das fontes e acusa a Meta de tirar vantagem de um "autoritarismo crescente" no país e o "desrespeito ao estado de direito" da atual presidência;
  • O grupo diz ainda que a espionagem feita por esses aparelhos não pode ser resolvida “por meio de alterações no design do produto, formas de optar por exclusão ou proteções incrementais”.

Com essa função, segundo a denúncia, donos mal intencionados desses óculos poderiam identificar pessoas e receber informações sobre elas a partir da assistente de inteligência artificial (IA) embutida no aparelho, usando esse cruzamento de dados para os mais variados crimes.

"As pessoas deveriam poder se movimentar ao longo da rotina diária sem o medo de que perseguidores, golpistas, abusadores, agentes federais e ativistas de todos os espectros políticos estejam silenciosamente e invisivelmente verificando as suas identidades e potencialmente pareando seus nomes com uma gama de informações prontamente disponíveis sobre hábitos, gostos, relacionamentos, saúde e comportamentos", diz o grupo.

Alguns exemplos de uso criminoso dos óculos da companhia já foram registrados, como uma modificação feita por universitários para identificar pessoas na rua com um software não oficial e a gravação de casos de assédio em casas de massagem.

Além disso, uma denúncia feita no mês passado alega que a Meta "vaza" vídeos íntimos gravados com esses dispositivos para moderadores humanos, que ajudam no treinamento da IA do produto. No Brasil, casos de pessoas filmadas sem autorização e que tiveram o material postado em redes sociais também já foram registrados.

O que diz a Meta

Apesar de não ter comentado oficialmente a carta enviada pelas entidades, a Meta já se pronunciou anteriormente sobre o potencial uso criminoso dos óculos.

No caso de assédio relatado, a companhia diz que baniu as contas envolvidas. Além disso, ela se defende da perda de privacidade sob o argumento de que os acessórios têm "uma luz LED que se acende sempre que alguém captura conteúdo, deixando claro que o dispositivo está gravando, e incluem recursos para impedir a gravação quando a luz é obstruída".

O que achamos do Ray-Ban Meta Gen 2? Confira o review completo e em vídeo do TecMundo!