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O que sua inovação realmente entrega? — E por que você provavelmente não sabe responder

Descubra se sua inovação é apenas um gasto disfarçado de futuro.

Avatar do(a) autor(a): Igor Mazaki

schedule06/10/2025, às 09:15

updateAtualizado em 06/10/2025, às 19:23

Pergunte a si mesmo: se amanhã sua empresa extinguisse o departamento de inovação, o que realmente deixaria de existir? Para a maioria das companhias, a resposta é vaga e desconfortável, focada mais no processo do que no resultado. Traduzindo: pouca gente sabe, de fato, o que está fazendo quando o assunto é inovar.

A maioria das empresas não consegue dizer, de forma objetiva, se suas iniciativas geram resultados reais. E aqui não estamos falando de ideias interessantes, mas de impacto no negócio: geração de novas receitas — com produtos e serviços inéditos —, redução de custos, aumento de eficiência operacional e mitigação de riscos. Sem isso, inovação é apenas um gasto disfarçado de futuro.

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Quando inovar vira apenas um rótulo

Mas por que isso acontece? Porque, ao longo dos anos, esse investimento foi tratado como um rótulo — uma forma de parecer moderno aos olhos do mercado. Só que o cenário mudou. O ciclo do hype acabou. Em tempos de economia pressionada, com tarifas altas, juros elevados, cortes de orçamento e demissões em massa, a pergunta que realmente importa é: o departamento de inovação deveria ser o primeiro da fila a ser cortado?

Minha visão: depende. Se, na sua empresa, ele existe apenas “para inglês ver”, sim — corte sem dó. Mas, se entrega valor tangível, reduz custos e gera resultados, deveria ser blindado como qualquer outro departamento essencial, como vendas, marketing ou operações.

Da sobrevivência ao impacto: o novo papel da inovação

Olhe ao redor: grandes companhias brasileiras já estão fechando fundos, desativando labs e redirecionando verbas. Isso não representa o fim da transformação, mas um ajuste necessário para manter apenas o que funciona. O que sobrevive é a inovação aberta com startups, soluções que entregam resultados no curto prazo e comprovam ganhos de eficiência.

Os números confirmam esse movimento. A parcela de indústrias brasileiras que inovaram em produtos ou processos caiu para 64,6% em 2023, segundo a Pesquisa de Inovação (Pintec), do IBGE. O percentual vem diminuindo: era de 68,1% em 2022 e 70,5% em 2021. Ou seja, apesar do discurso, o ritmo da inovação está desacelerando.

Mas a resposta não é parar de inovar — e sim inovar de forma mais assertiva. Um estudo da McKinsey realizado no Brasil em 2024 com mais de 200 empresas listadas na B3 revelou que 81% das companhias com maior crescimento mantêm forte conexão com a inovação, por meio de mecanismos como hubs e Corporate Venture Capital (CVC). Investir de forma estruturada e alinhada ao negócio continua sendo um diferencial competitivo.

A provocação que deixo é simples: o que sua inovação entregou nos últimos 12 meses que você pode apresentar ao conselho, em números? Se a resposta for “não sei”, está na hora de mudar a rota.

No fim das contas, a pergunta que todo CEO deveria se fazer não é se deve ou não cortar a inovação, mas se ela está estruturada para resistir a qualquer corte. E essa resposta só aparece quando é possível mostrar impacto de forma clara.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza uma inovação com impacto real nos negócios?
Uma inovação com impacto real é aquela que gera resultados tangíveis para a empresa, como novas receitas por meio de produtos ou serviços inéditos, redução de custos, aumento de eficiência operacional ou mitigação de riscos. Ideias interessantes, sem esses efeitos concretos, não são suficientes para justificar o investimento.
Por que muitas empresas não conseguem justificar seus investimentos em inovação?
Porque, na maioria dos casos, o foco está mais no processo do que no resultado. Muitas companhias tratam a inovação como um rótulo para parecerem modernas, sem medir ou comprovar o impacto real das iniciativas. Isso leva a uma falta de clareza sobre o que seria perdido caso o departamento de inovação fosse extinto.
O que significa dizer que a inovação virou um “rótulo”?
Significa que, em vez de ser uma prática estratégica com foco em resultados, a inovação passou a ser usada como uma forma de marketing institucional — uma maneira de parecer atualizada e competitiva, sem necessariamente entregar valor concreto ao negócio.
Qual é o novo papel da inovação em tempos de crise econômica?
Em um cenário de pressão econômica, com cortes de orçamento e demissões, a inovação precisa ser mais assertiva e orientada a resultados. O foco deve estar em soluções que comprovem ganhos no curto prazo, como parcerias com startups e iniciativas de inovação aberta que entreguem eficiência e impacto mensurável.
O que é inovação aberta e por que ela tem ganhado destaque?
Inovação aberta é a colaboração entre empresas e agentes externos, como startups, para desenvolver soluções conjuntas. Ela tem ganhado destaque porque permite resultados mais rápidos e eficientes, sendo uma alternativa viável em tempos de restrição orçamentária.
O que os dados da Pintec revelam sobre o ritmo da inovação no Brasil?
Segundo a Pesquisa de Inovação (Pintec) do IBGE, o percentual de indústrias brasileiras que inovaram em produtos ou processos caiu de 70,5% em 2021 para 64,6% em 2023. Isso indica uma desaceleração no ritmo da inovação, apesar do discurso corporativo em favor da transformação.
Como empresas de alto crescimento estão lidando com a inovação?
De acordo com um estudo da McKinsey de 2024, 81% das empresas com maior crescimento na B3 mantêm uma forte conexão com a inovação, utilizando mecanismos como hubs e Corporate Venture Capital (CVC). Isso mostra que investir de forma estruturada e alinhada ao negócio continua sendo um diferencial competitivo.
Como saber se o departamento de inovação da minha empresa deve ser mantido?
O critério principal é o impacto gerado. Se o departamento entrega valor tangível, como redução de custos ou geração de receita, ele deve ser protegido como qualquer área essencial. Caso exista apenas para manter uma imagem moderna, sem resultados concretos, pode ser cortado sem prejuízo real ao negócio.