A teletela, do livro 1984, era um televisor que observava as casas das pessoas: todos os passos e ações eram vigiadas 24 horas, 7 dias por semana. Agora, um aplicativo que a Polícia Federal quer instalar como vírus em celulares de investigados consegue até ligar a câmera frontal do aparelho e gravar o que acontece na sua frente — isso sem alertar o usuário.

De acordo com a Folha, a ação da Polícia Federal busca ampliar o acesso às informações armazenadas em dispositivos grampeados com autorização judicial. Atualmente, as operadoras já compartilham mensagens SMS e ligações de voz. Contudo, o novo "app vírus" tem problemas para ser aceito pelas empresas de telefonia. Elas comentam que não têm acesso a mensagens e dados criados por outros aplicativos que usam a internet, como o WhatsApp.

Um exemplo da cooperação entre Polícia e empresas de telefonia é o início da Operação Lava Jato. Com uma parceria com a BlackBerry, foi possível conseguir acesso às conversas realizadas por meio do BBM.

Como funciona o app

O aplicativo seria instalado como um app oculto e, então, repassaria para uma central todas as informações de dentro do celular. A porta de entrada desse "vírus" seria um SMS, um email ou qualquer alerta de atualização — seria possível transmitir o app oculto até se o usuário atender uma chamada.

Os apps ocultos de vigilância são desenvolvidos por empresas americanas, israelenses e indianas. Eles podem captar listas de contado da agenda, mensagens de texto (até do WhatsApp e outros mensageiros), ligações feitas e recebidas, descobrir senhas, emails, comentários em redes sociais, vídeos e fotografias. Ou seja, tudo.

A dificuldade

Porém, querer não é poder. A Polícia Federal encontra barreiras na implementação desse novo sistema de grampos. Ela quer que as empresas de telefonia e operadoras façam essa ponte e deem o acesso aos dados. Por sua vez, as companhias temem complicações jurídicas por causa disso — e ainda teriam que gastar um bom dinheiro com o sistema. Outro problema é que o app vírus estaria conectado com a internet, então também consumiria o pacote de dados contratado pelo investigado.

Mesmo que a ideia esteja restrita a investigados, ações como essa mostram que, sim, estamos cada vez mais afundados em um círculo vicioso de falta de privacidade.

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