Desde quando surgiu para desktop, o Popcorn Time encantou uma legião de pessoas: o serviço pirata para assistir a filmes e séries utiliza-se da base de vídeos por torrent para disponibilizar conteúdo de forma rápida, fácil e intuitiva, sem os malwares que podem acompar o download ou as propagandas pornográficas dos sites.

Por tantas facilidades garantidas (apesar das instabilidades no serviço), não são poucas as pessoas que gostariam de dar um abraço no idealizador desse projeto. Mas, afinal, quem é ele? Por muito tempo, o criador do programa assinava como Sebastian, mas esse é só um pseudônimo para um programador argentino de 29 anos que vive em San Cristobal, distrito de Buenos Aires.

Federico Abad teve a ideia para o Popcorn Time em janeiro de 2014, quando quis assistir a um filme de forma rápida — algo difícil com a internet lenta da Argentina e a demora para que lançamentos cheguem aos cinemas do país, segundo ele. A solução? "Eu disse que precisávamos de algo tipo o Netflix", disse o rapaz ao jornal norueguês Dagens Naeringsliv.

Nasce uma lenda

O Popcorn Hour nasceu semanas depois e virou uma febre na hora pela facilidade de uso e pelo catálogo vasto, cheio de clássicos e lançamentos. Abad conta que deixou o serviço o mais simples possível para que até mesmo a própria mãe pudesse usá-lo. "Quando eu crio alguma coisa, ela é meu estudo de caso. Se ela não consegue usar, então ninguém consegue", alega. Por isso, bastam dois cliques para chegar da página inicial até o longa-metragem em si.

O rapaz é designer e tem uma casa decorada com móveis bem "anos 80", além de um fliperama carregado com centenas de clássicos. Ele tem dois gatos: Login e Logout. Curiosamente, Abad revela que é assinante da Netflix e que adora o serviço, mas que está insatisfeito com o catálogo da Argentina. Sua série atual favorita é "Mr. Robot", que acabou de fechar a primeira temporada. Ele assiste ao programa por sua antiga criação, claro.

A pipoca estourou

Abad deixou de ser o líder da equipe do Popcorn Time quando o programa foi tirado do ar pela primeia vez e foi revivido pela comunidade, tornando-se de código aberto. Antes de "se aposentar", ele manteve um grupo de programadores em um apartamento em Buenos Aires trabalhando exclusivamente para melhorar seu "Netflix pirata".

Ele alega que o principal motivo para o abandono foi o desgaste pessoal e profissional que o projeto causou — empresas reclamavam que ele havia "roubado" funcionários e Abad até perdeu uma namorada por não dar atenção a ela na época, só ao Popcorn Time.

Porém, as questões judiciais também assustaram. Ninguém do projeto original chegou a ser preso (exceto dois dinamarqueses que fizeram guias para o app), mas um advogado da Warner Bros. visitou o perfil de todos da equipe no LinkedIn e Abad levou isso como uma espécie de aviso de que estava sendo vigiado. Por enquanto, o Popcorn Time segue firme e forte, permitindo sessões caseiras de cinema para muita gente ao redor do mundo — incluindo a mãe de Abad.

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