À medida que aprendemos mais sobre o cérebro, também descobrimos novas formas de aprimorá-lo. Isso quer dizer que cientistas estão descobrindo maneiras de fazer com que um dos principais órgãos do ser humano se torne mais saudável e funcione de forma mais eficiente. Uma das técnicas que têm chamado atenção só foi possível por conta da popularização da internet e da facilidade de comprar coisas na grande rede.

Estamos falando da estimulação cerebral por meio de descargas elétricas ou pulsos magnéticos em uma determinada área do cérebro. Graças à grande quantidade de dispositivos estimuladores disponível na internet – e a consequente diminuição de preço desses produtos –, muitos pesquisadores estão se aventurando nesse campo de estudo para descobrir quais são os verdadeiros efeitos dessa técnica no ser humano.

Nada de novo

Porém, engana-se quem pensa que a estimulação cerebral é uma técnica nova. Neurocientistas já trabalham com várias formas de ativação de partes do cérebro há pelo menos 15 anos.

A estimulação cerebral de determinadas áreas do órgão não é necessariamente uma técnica nova

Mas a popularização de dispositivos simples que podem ser usados para esse fim tem atraído ainda mais a comunidade que esbarrava na barreira dos custos. Agora, cada vez mais cientistas se aventuram a experimentar técnicas de estimulação e comprovar que um pequena descarga elétrica ou pulsos magnéticos realmente fazem diferença.

Exemplos de pesquisadores são Ruairidh Battleday e Anna-Katherine Brem, cientistas de Oxford que trabalham com técnicas e drogas de estimulação cerebral. "De fato, estimulações elétricas e magnéticas se mostram promissoras no aprimoramento de funções cognitivas", disseram em uma nota enviada por email ao site Tech Insider.

Na perspectiva médica, por exemplo, seria possível tratar males como depressão, ansiedade e outros distúrbios com a estimulação de determinadas partes do cérebro

Uma prova de que essa técnica realmente tem futuro é uma carta aberta publicada por pesquisadores no Annals of Neurology contando alguns dos possíveis benefícios. Segundo o texto, a aplicação desse método poderia trazer aprimoramentos para a memória, reconhecimento de padrões, habilidade de prestar atenção, habilidades matemáticas e muito mais.

Porém, os pesquisadores Battleday e Brem acreditam que há ainda mais campos a serem explorados. Na perspectiva médica, por exemplo, seria possível tratar males como depressão, ansiedade e outros distúrbios com a estimulação de determinadas partes do cérebro.

A estimulação de determinadas áreas do cérebro pode trazer vários benefícios – e riscos – para os pacientes

Perigos

Entretanto, não é muito difícil imaginar que essa técnica também pode ter os seus riscos. A frase de Michael Weisend, neurocientista na Wright State Research Intitution, retrata muito bem a preocupação com a estimulação cerebral: "Essa é uma abordagem muito mais parecida com um tiro de espingarda do que um procedimento com um bisturi".

Em sua maioria, os pesquisadores se preocupam com os seguintes aspectos:

  • A possibilidade de afetar regiões do cérebro que não estavam "na mira" das descargas elétricas e dos pulsos magnéticos;
  • Receber reações diferentes das estimulações dependendo do que o receptor estiver fazendo. O resultado, portanto, pode variar se a pessoa estiver lendo um livro ou assistindo à televisão, fazendo com que a estimulação tenha efeitos adversos dependendo da atividade em curso;
  • Aprimoramento de determinada área do cérebro com o sacrifício de outra função cerebral.

Assim, a estimulação cerebral não pode ser encarada como uma maravilha da ciência que não possui falhas, mas sim uma técnica que ainda precisa passar por muitos anos de desenvolvimento. Porém, não há como negar que os avanços estão acelerados e muito em breve poderemos ter resultados positivos no aprimoramento de seres humanos.

Como diz a carta aberta mencionada anteriormente, "os procedimentos caseiros de estimulação estão aqui para ficar" e com certeza vão dar um gás para que técnicas avançadas – e seguras – possam ser desenvolvidas.

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