Quem olha para o homem em cima da sua prancha nem imagina que o sujeito de cabelos bagunçados com aparência de um jovem de 25 anos tem, na verdade, 38 e é dono de uma das empresas que mais cresceu na última década. Estamos falando de Nicholas Woodman, criador da GoPro.

Adepto de esportes radicais, Woodman desenvolveu para si uma câmera capaz de acompanhar seu ritmo e registrar seus momentos esquiando ou surfando para mostrar tudo aos amigos. Depois disso, a câmera chegou às lojas em 2004 e desde então não para de crescer.

De lá para cá, as vendas dobram a cada ano, chegando à arrecadação recorde de US$ 521 milhões — quase R$ 1,2 bilhão — em 2012. Atualmente, um terço das câmeras vendidas nos EUA leva a marca GoPro, batendo inclusive gigantes com muito mais tempo de mercado, como a Sony, em número de vendas.

Homem-empresa

No início, a GoPro era uma empresa de um homem só: Woodman era engenheiro de produto, responsável por pesquisa e desenvolvimento, vendedor, embalador e, é claro, garoto-propaganda. Para promover sua própria invenção, ele a usava em qualquer lugar.

“Eu ainda era uma empresa de uma só pessoa, e nós tínhamos recém-lançado nossa primeira câmera, a Hero”, revela ao Bussinessweek. “Nós a vendíamos por US$ 19,99 em surf shops e eu costumava vestir uma em todos os lugares a que ia — ao supermercado, ao buscar um café — como forma de promover a câmera”, complementa o bilionário.

Além disso, ele usava sua Kombi para entregar as câmeras vendidas e, curiosamente, ela foi roubada no dia em que ele fechou seu primeiro grande negócio com um distribuidor japonês durante um evento de esportes de ação em San Diego, em 2004.

Filho de peixe

O sucesso de Woodman, porém, não veio à toa, apesar de ser resultado também de sua própria insistência. Fato é que um dos caçulas dos bilionários da tecnologia nos Estados Unidos é filho de Dean Woodman, um banqueiro de investimento cuja firma intermediou a compra da rede de fast food Taco Bell pela PepsiCo (dona da Pepsi, Elma Chips e outras marcas) durante a década de 1970.

Tanto seu pai quanto seu padrasto Irwin Federman possuem bons contatos no Vale do Silício, o paraíso tecnológico dos EUA, mas, segundo o próprio Woodman, os frutos das boas relações vieram apenas depois de sete anos com investimentos caseiros. Isso porque a GoPro foi sua terceira — e mais independente, digamos assim — tentativa de se estabelecer no mundo da tecnologia.

Nas duas anteriores, Woodman recebeu dinheiro de investidores para montar seu negócio, que não prosperou. “Perder dinheiro de outras pessoas foi terrível. Eu era o cara que ia por aí e convencia as pessoas a investir seu dinheiro. Eles acreditavam em nós e em mim e isso não deu certo”, justifica o criador do GoPro.

Uma ideia que deu certo

Durante uma viagem para surfar no sudeste asiático, Woodman teve a ideia de uma câmera resistente. O “estalo” para a criação veio quando ele pensou na possibilidade de um dispositivo capaz de registrar imagens decentes de seus momentos sobre a água. “Surfar é uma experiência tão incrível, com um enorme elemento de ego”, conta ele à Popular Mechanics. “Você viu aquela onda? Eu entrei no tubo! Não? Você não viu!”

No retorno para os Estados Unidos, o então futuro executivo passou a ganhar a vida vendendo colares de conchas que trouxe da Indonésia. Com sua Kombi, ele conseguiu juntar US$ 10 mil que, somados a US$ 35 mil emprestados da sua própria mãe e US$ 200 mil do pai, serviram de capital inicial para a empreitada.

O esforço deu certo e, segundo a Forbes, Woodman possui hoje um patrimônio líquido de US$ 1,3 bilhão. O crescimento da GoPro na última década foi tanto que a companhia atraiu a atenção de grandes nomes do setor, sendo a “cereja do bolo” o investimento de US$ 200 milhões feito pela Foxconn em dezembro de 2012.

Esse dinheiro permitiu a Woodman aumentar seu patrimônio pessoal — estima-se que ele ainda é dono de 45% da GoPro — e provavelmente contribuiu para amadurecer a ideia de abrir a companhia para novos investimentos: em fevereiro deste ano, a empresa anunciou o projeto de fazer uma oferta pública de suas ações.

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