Nos Estados Unidos, as redes de cinema tradicionalmente têm 90 dias para lucrar com a exibição de filmes antes que eles passem a ser distribuídos em serviços de streaming e comercializados no formato de DVDs, Blu-rays ou cópias digitais. O Netflix resolveu mudar um pouco as coisas, mas isso enfureceu algumas pessoas.

Beasts of No Nation, primeiro longa-metragem original produzido pela companhia, tem aspirações de concorrer ao Oscar no ano que vem, mas uma das exigências da Academia de Cinema é que as produções concorrentes sejam exibidas na tela grande. Isso precisa acontecer pelo menos no mesmo dia em que a produção é disponibilizada para exibição doméstica. Por isso, o Netflix tentou distribuir o longa nas principais cadeias de cinema daquele país, mas decidiu liberar o filme em streaming para os seus assinantes no mesmo dia.

AMC, Carmike, Cinemark e Regal, as quatro principais empresas de exibição de filmes nos Estados Unidos, decidiram então boicotar o filme, se recusando a lançá-lo em suas salas. Afinal, que lucro elas teriam ao exibir um filme que está disponível na smart TV, no computador ou no celular de praticamente qualquer pessoa no mesmo dia em que ele chegou ao cinema?

Ainda assim, o filme está em cartaz em algumas cadeias menores de exibição, o que limita o acesso do público que gostaria de ver o longa na telona, mas que cumpre as exigências da maior premiação do cinema mundial. Resta saber se os membros da Academia serão flexíveis em relação à distribuição pouco comum da película ou se também farão seu próprio boicote, ignorando a obra que tem sido extremamente elogiada pela crítica e pelo público.

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