A Marinha norte-americana é uma das forças militares mais avançadas do mundo, contando com integrantes de diversas especializações e usando tecnologia de ponta para suas operações e equipamentos. O que fazer então com um destroier – ou contratorpedeiro – construído nos anos 1970 e aposentado em 2003? A resposta é simples: usá-lo como o maior veículo controlado remotamente no mundo para fazer testes de todo o tipo em alto-mar.

O USS Paul F. Foster (DD-964), de 1976, participou de diversas missões durante seu período de atividade, sendo o primeiro navio a disparar mísseis Tomahawk na História, durante a famosa Operação Tempestade no Deserto. Para continuar servindo à corporação, o veículo de 8 mil toneladas foi reformado e trazido de sua aposentadoria em 2005 como o Navio de Testes de Autodefesa da Marinha.

Apesar da idade, a tecnologia do Foster é muito mais próxima dos equipamentos militares de hoje em dia do que o destroier usado anteriormente na posição. Isso faz com que o navio seja o playground ideal da Marinha para experimentos avançados, como um sistema de defesa a laser ou testes com combustíveis alternativos para mover a estrutura colossal dos navios de guerra – o que já acabou expandindo a tecnologia verde para outros equipamentos da força militar.

Manobras remotas

Obviamente, grande parte dos testes envolvem disparos de mísseis, armas e outros sistemas de ataque montados no navio ou, ainda, sistemas de defesa diversos, para neutralizar ataques vindo da água, da terra ou do ar. Para fazer essas operações com segurança, o Foster foi modificado para ser controlado totalmente à distância, sem a presença de uma única pessoa a bordo. Ele sai do porto Hueneme, na Califórnia, e ruma para uma região específica no Oceano Pacífico, onde pode ser manobrado livremente.

Ainda assim, com todo o tipo de projétil sendo jogado contra o destroier, como ele continua de pé, sem danos graves à sua estrutura? A verdade que o navio reboca uma barca a cerca de 45 metros de distância, e este é o alvo para os testes mais destrutivos, envolvendo mísseis de alto poder de destruição. A embarcação carrega diversos containers que são montados para simular outros tipos de alvos.

Para garantir ainda mais a integridade do destroier, os ataques direcionados à embarcação rebocada são feitos com projéteis sem explosivos, então, mesmo disparos imprecisos que atinjam ao Foster causam apenas danos de choque entre o míssil e a couraça do navio. Desse modo, a segunda “vida” da embarcação massiva é prolongada e o Foster se mantém como opção para garantir o futuro dos equipamentos navais.

Esse, aliás, é um trabalho bastante importante, já que os testes extensivos feitos com o navio são a chave para assegurar que as estratégias elaboradas pela inteligência e os equipamentos desenvolvidos pelos militares norte-americanos estejam funcionando corretamente. Desse modo, eles podem ser transportados mais seguramente para situações reais de combate e continuar a garantir o domínio dos Estados Unidos em combates sobre as águas.