O primeiro voo de teste de Orion, a nova cápsula da Nasa projetada para se aventurar pelo espaço, foi adiado para a sexta-feira devido a fortes rajadas de vento e problemas técnicos do foguete propulsor, informou a agência espacial nesta quinta-feira. Após uma série de adiamentos ao longo das três horas de duração da janela de lançamento desta quinta-feira, a Nasa decidiu tentar novamente na sexta a partir das 07H05 locais (10H05 de Brasília), saindo de Cabo Cañaveral (Flórida, sudeste dos EUA).

"Apesar das corajosas tentativas da equipe de lançamento e dos encarregados da missão em todo o país, basicamente ficamos sem tempo para tentar encontrar a solução", disse o porta-voz da Nasa, Mike Curie. Este voo de testes só orbitará a Terra e viajará sem tripulantes, mas a Orion está destinada a levar humanos ao espaço nos próximos anos.

A demora foi uma ducha de água fria para os milhares de turistas e os entusiastas do espaço que tinham se reunido em uma região conhecida como Costa Espacial da Flórida para ver na primeira fila o lançamento do foguete Delta IV Heavy com seus três propulsores.

Esta é a primeira nave americana criada para levar seres humanos ao espaço em mais de quatro décadas, depois que as missões Apolo levaram homens à Lua. A previsão é de que dará duas voltas em torno do planeta durante quatro horas e meia antes de voltar pousando no Oceano Pacífico.

Como não há veículos americanos capazes de enviar humanos ao espaço desde que a Nasa aposentou sua frota de ônibus espaciais em 2011, alguns especialistas viam o lançamento de Orion com grande expectativa, porque se o programa for bem sucedido, liberará os Estados Unidos da dependência nos foguetes Soyuz russos para enviar seus astronautas à Estação Espacial Internacional.

"Faz algum tempo, desde que terminou o programa de ônibus espaciais, que não vivíamos a situação de lançar uma nave americana de solo americano e começar algo novo", disse Mike Sarafin, principal diretor de voo do Centro Espacial Johnson, em Houston.

Próxima parada: Marte

Inicialmente, a cápsula Orion, capaz de transportar quatro pessoas, seria encarregada de levar astronautas à Lua como parte do programa Constellation, da Nasa, que, no entanto, foi cancelado pelo presidente Barack Obama em 2010. Mas a agência espacial americana resgatou o desenho de sua cápsula, no qual gastou US$ 4,7 bilhões entre 2005 e 2009, e a destinou a enviar humanos a um asteroide ou inclusive a Marte nas próximas décadas, talvez por volta dos anos 2030. No entanto, a Nasa não estabeleceu planos, nem orçamentos precisos.

Orion poderia ser a primeira nave do tipo capaz de viajar tão longe desde as missões Apolo enviadas à Lua nos anos 1960 e 1970. O teste avaliará o rendimento da cápsula diante de desafios chave como a separação do foguete por estágios, a elevada radiação, o calor abrasador (de 2.200°C) e o pouso no mar com para-quedas perto do sudoeste de San Diego, na Califórnia. A viagem de retorno simulará uma volta da Lua.

Os críticos do projeto Orion, que também incluiu a construção dos foguetes mais poderosos do mundo (Space Launch System, SLS), acusam seus custos e a falta de atenção do governo com problemas verdadeiramente importantes, A última estimativa da Nasa indica que o desenvolvimento do SLS/Orion terá custado entre 19 e 22 bilhões de dólares até 2021, muito mais que 18 bilhões de dólares estimados em 2011. O primeiro voo de testes tripulado do Orion está previsto para 2021. Depois disso, trata-se de um mistério qual será o destino exato da nave.

Por Kerry Sheridan - Cape Canaveral

Via EmResumo

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