(Fonte da imagem: Reprodução/Smithsonian)

Feita na época da Roma Antiga, o Cálice de Licurgo é uma taça de vidro de mais de 1.600 anos que tem uma característica curiosa: quando iluminado pela frente, apresenta uma cor verde, mas, quando a luz vem de trás, sua coloração muda para vermelho sangue. Segundo reportagem da revista Smithsonian, pesquisadores britânicos descobriram que o efeito é causado por uma técnica de nanotecnologia, que agora pode render avanços para a Medicina.

Em 1990, análises com microscópio de pequenos fragmentos quebrados do objeto revelaram que o vidro foi misturado a partículas de ouro e de prata com 50 nanômetros de diâmetro. Com essa medida, seriam necessárias mil delas para atingir o tamanho de um grão de sal de cozinha, o que faz com que os romanos antigos passem a ser considerados os pioneiros da nanotecnologia.

Quando a luz bate no vidro, os elétrons dos metais misturados vibram de uma forma que altera a cor dependendo da posição do observador. A partir do estudo, os pesquisadores imaginaram que a presença de líquidos no cálice alteraria ainda mais a interação dos elétrons e, portanto, a cor da taça.

Promessas do passado

Como não era possível fazer testes utilizando a relíquia histórica, os cientistas fizeram pequenos furos em pequenas plataformas de plástico e acrescentaram as partículas de ouro e prata nesses espaços. Quando os buracos foram preenchidos com líquidos diferentes, as cores mudavam – vermelho para óleo e verde claro para água, por exemplo.

O protótipo mostrou-se 100 vezes mais sensível para variações no nível de sal nas soluções testadas do que os sensores comerciais atuais que utilizam técnicas similares. Atualmente, alguns tipos de testes de gravidez são exemplos de usos de fenômenos de mudança de cor baseados em nanotecnologia.

No futuro, a tecnologia pode ser adaptada para a criação de dispositivos móveis capazes de detectar patógenos em amostras de saliva ou urina, ou ainda para impedir que terroristas entrem em aviões carregando líquidos perigosos, entre outras coisas.

O mito

O Cálice de Licurgo original, datado do século 4, mostra o rei que dá nome à taça preso em um emaranhado de videiras por conta de presumidos atos ofensivos contra Dionísio, o deus do vinho. A peça foi adquirida na década de 1950 pelo Museu Britânico, onde permanece em exposição. 

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