No final de março, o rapper Jay-Z relançou o Tidal com a intenção de levar o controle sobre as músicas – e sobre o dinheiro – de volta para os artistas, de forma diferente do que acontece com as taxas supostamente baixas pagas por outros serviços de streaming, como Spotify e Pandora. Duas semanas depois da estreia relativamente bem-sucedida, que colocou o aplicativo no top 20 a App Store, os números parecem indicar que a empreitada acabou fracassando.

Atualmente, no entanto, o app não se encontra nem mesmo entre os 700 programas mais baixados na loja da Apple. Quando a situação se tornou evidente, até mesmo o CEO Andy Chen acabou deixando sua posição enquanto a Aspiro, a empresa responsável pelo serviço, passava por realinhamento de seus funcionários.

Como se a situação por si já não fosse ruim para o Tidal, o fracasso coincidiu com uma inesperada ascensão de seus principais concorrentes. Na última segunda-feira (20), o Pandora e o Spotify ocuparam respectivamente a terceira e a quarta posição na lista de maiores receitas nos iPhones dos Estados Unidos, marcando a primeira vez em que dois serviços de streaming de música chegaram simultaneamente ao top 4 em vendas.

A situação por si só já é bastante incomum, mas a grandeza do feito é aumentada ainda mais quando consideramos que os dois serviços musicais conseguiram tirar o poderoso Candy Crush Saga da lista dos 4 maiores. Até mesmo o súbito crescimento do Spotify é curioso, já que algo similar não acontecia desde novembro de 2014 e a ascensão coincidiu com o lançamento de uma campanha em que o Tidal atacava os rivais.

Tiro pela culatra

Ao que parece, a ofensiva do serviço de Jay-Z contra o Pandora e o Spotify acabou saindo pela culatra e acabou aumentando voltando a atenção do público justamente para os aplicativos que pretendia derrubar. E para piorar as coisas ainda mais para o Tidal, o Beats Music também vem crescendo e começou a ganhar espaço entre os 20 programas com  maiores rendimentos na App Store dos EUA.

A situação toda parece apontar para uma tendência que já pode ser notada anteriormente, segundo a qual a realização de ataques a aplicativos populares acaba apenas os fortalecendo. Antes de se consolidarem como sucessos, tanto o Twitter quanto o Snapchat foram alvo de rodadas de notícias sobre sua aparente falta de utilidade e abertura para a disseminação descuidada de imagens íntimas entre adolescentes.

Em meio à sua situação ruim, o Tidal agora se vê forçado a encarar ao menos três grandes rivais com fundos quase ilimitados e popularidade crescente. O novo CEO da Aspiro terá que saber não apenas reorganizar a casa, mas posicionar o serviço de forma competitiva dentro de um mercado em que não faltam opções que contam com qualidade e planos para todo tido de usuário. Podemos apenas esperar para ver se a aposta de Jay-Z vai dar a volta por cima.

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