Há quem diga que, sem o seu lendário primeiro mouse, o Macintosh poderia ser hoje apenas mais um tópico histórico sem tanta relevância. Difícil dizer, naturalmente. Entretanto, fato é que o periférico não apenas vingou como ainda determinou o novo padrão para toda a indústria.

E a solução anatômica e de baixo custo que ocupou o lugar das milhares de linhas de comando associadas aos computadores dos anos 70 tem uma assinatura unívoca: Jim Yurchenco. O recém-formado engenheiro da Hovey-Kelley foi contratato pela Apple para aperfeiçoar um trambolho da Xerox, tornando-o mais barato de produzir e mais fácil de usar.

Buscando inspiração na Atari

Conforme disse Yurchenco em recente entrevista ao site Wired, os problemas do modelo de mouse apresentado pela Xerox logo saltaram à vista. De acordo com o engenheiro, o dispositivo era excessivamente complexo. Embora o funcionamento básico de rastrear os movimentos de uma bolinha já estivesse ali, havia uma série de switches que precisavam ser ativados, de forma que o movimento fosse recriado na tela do Macintosh.

Naquele momento, Yurchenco diz ter se lembrado de um velho arcade da Atari, em que um dispositivo relativamente simples, o Track-Ball, reproduzia os giros de uma bolinha que se parecia com um mouse atual de ponta cabeça — na verdade, até hoje é possível encontrar ideias semelhantes por aí.

Uma bolinha flutuante

Partindo da base do Track-Ball, Yurchenco eliminou ainda todos os mecanismos que mantinham a bola presa no mouse da Xerox. Embora o “deixar que a gravidade faça o seu trabalho” tenha limitado consideravelmente a precisão dos movimentos registrados pelo periférico, logo se tornou claro que aquilo não teria muita relevância para alguém que estivesse olhando para o monitor.

Mas o preço de produção foi igualmente determinante para a aprovação do novo mouse pela Apple. Enquanto que o mouse da Xerox custava onerosos US$ 400 por unidade, a Track-Ball modificada de Yurchenco consumia apenas US$ 25 por peça.

Atualmente aposentado, o engenheiro soma mais de 80 patentes, tendo ainda inventado diversas outras tecnologias vanguardistas durante a década de 1980 — incluindo o Palm V, por exemplo.

Além de uma alta soma merecidamente originada de suas criações, Yurchenco ainda compartilhou à Wired algumas boas dicas para os iniciantes. Por exemplo: “Nunca interprete um ‘está feito’ como ‘ficou bom’, e nunca interprete um ‘ficou bom’ como ‘está ótimo’”. Isso e mais a velha cartilha do criador: não tenha medo de falhar. Bem, não fosse assim, talvez nós ainda estivéssemos digitando linhas de comando em um novíssimo DOS, hein? Enfim.

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