Atualização (20/06/2016): Diante da polêmica sobre o processador mais lento da versão brasileira do Moto Z, a Motorola/Lenovo resolveu vir a público comentar o seu posicionamento sobre a situação. Por meio da assessoria de imprensa, o TecMundo teve a oportunidade de conversar com Renato Arradi, gerente de produtos da área de Mobile da Lenovo, para esclarecer esse caso.

Mais detalhes neste link.

Notícia original:

Parece que a prática de trazer versões inferiores de determinados produtos para o público brasileiro está realmente se tornando moda. O mal que aconteceu com o LG G5 – que por aqui chegou batizado de LG G5 SE e com um hardware inferior ao modelo internacional – também vai afetar o smartphone mais recente da Lenovo, empresa que é dona da Motorola. No Brasil, o Moto Z terá um processador inferior àquele que será vendido nos Estados Unidos.

Durante o anúncio do Moto Z no começo do mês, a Lenovo confirmou que o smartphone pode realmente ser considerado um top de linha. Equipado com um chipset Snapdragon 820 de 2,2 GHz, o aparelho traz o chip mais recente e potente da Qualcomm debaixo do capô. Por aqui, o dispositivo terá o mesmo componente, porém com frequência de 1,8 GHz, um redução de 20% em relação à velocidade apresentada pelo modelo americano.

No Brasil, o Moto Z terá um processador inferior àquele que será vendido nos Estados Unidos

Uma versão "inferior" do Moto Z também deve ser oferecida para a Alemanha, já que no site oficial da Motorola naquele país também menciona um Snapdragon 820 com 1,8 GHz. Entretanto, no Reino Unido, a versão "capada" não estará presente, e os consumidores poderão usufruir de toda a velocidade oferecida pelo mais novo smartphone da Lenovo.

De acordo com a fabricante de chips, são dois modelos do chipset que estarão na jogada: o MSM8996 (Snapdragon 820) e o MSM8996 "Lite" (Snapdragon 820 "Lite"). A diferença entre eles ficam bem visível de acordo com as suas especificações:

Snapdragon 820

  • CPU: 2,15 GHz + 1,6 GHz
  • GPU: 624 MHz
  • Memória: 1,866 MHz

Snapdragon 820 "Lite"

  • CPU: 1,8 GHz + 1,36 GHz
  • GPU: 510 MHz
  • Memória: 1,333 MHz

Portanto, a diferença não fica apenas por conta dos processadores mais potentes, mas também àqueles que oferecem frequências mais baixas. Para piorar ainda mais, a versão "Lite" do Snapdragon 820 possui uma GPU e memória que também não alcançam a velocidade máxima de operação do a versão padrão.

E na prática?

Colocando os "pesos" na balança, é fácil perceber que a "sacanagem" da Lenovo é bem mais branda do que aquela armada pela LG. O G5 SE é consideravelmente inferior quando comparado à versão internacional, o que não acontece com o caso do Moto Z. Entretanto, embora a redução de apenas 20% na velocidade do processador não traga reflexos negativos na prática, não tem como não se sentir prejudicado ao investir em um aparelho desses.

Lenovo Moto Z

Considerando as outras especificações técnicas do smartphone – 4 GB de memória RAM e GPU Adreno 530 –, é praticamente certo dizer que o Moto Z vai atender as demandas dos usuários mais exigentes. Porém, é impossível dizer que essa diferença na frequência do processador não vá causar problemas para o dispositivo no longo prazo, com a possibilidade de até mesmo não oferece suporte para algum – ou alguns – Moto Snaps, os módulos oferecidos pela iniciativa ModoMods.

Nenhuma novidade

Quem acompanha o TecMundo sabe que esse não é o primeiro caso de downgrade e infelizmente parece que não será o único. O caso mais emblemático é exatamente o caso da LG, que trouxe o seu smartphone top de linha com especificações técnicas bem inferiores quando comparado à versão vendida internacionalmente.

Lá fora, o LG G5 vem equipado com um chipset Snapdragon 820 de 2,15 GHz. No Brasil, o G5 SE possui um Snapdragon 652 de 1,8 GHz, um modelo de chip que pertence a uma série menos potente da Qualcomm. Além disso, há uma diferença na quantidade de memória RAM: o G5 "nacional" tem 3 GB, enquanto o G5 "original" tem 4 GB.

Moto Z seguindo a tendência do LG G5 SE

Outra caso um pouco menos grave é o da Samsung com o lançamento do Galaxy S7, o aparelho top de linha da companhia. Nos Estados Unidos, o smartphone também vem equipado com o Snapdragon 820, enquanto o modelo nacional traz o Exynos 8890, da própria sul-coreana.

Na época, o que acabou complicando a situação para a Samsung foi a diferença de desempenho das duas variações em testes de benchmark. Porém, de acordo com os executivos da sul-coreana, é muito difícil verificar problemas com isso na prática, o que faz um pouco de sentido se levarmos em conta que os chipsets são quase equivalentes.

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