Elon Musk, CEO da Tesla, se pronunciou sobre um acidente envolvendo um automóvel da companhia que aconteceu no início da semana e não parece nada feliz com a repercussão do caso. Na ocasião, a motorista de um Model S bateu em um caminhão dos Bombeiros enquanto mexia no celular e deixava o carro ser guiado apenas pelo modo Autopilot, que automatiza algumas funções, mas ainda exige que o motorista fique atento à estrada.

Em um tweet publicado dois dias após o caso ser noticiado, Musk criticou o fato de um acidente que resultou apenas em um tornozelo quebrado ser capa de jornal enquanto o fato de cerca de 40 mil pessoas morrerem todos os anos nos EUA devido a acidentes de trânsito “receber quase nenhuma cobertura”.  O comentário foi acompanhado de um link para uma notícia do jornal americano The Washington Post.

O principal argumento do empresário envolve dizer que carros autônomos são mais seguros que os modelos tradicionais e que a implementação deles em massa diminuiria o número de fatalidades causadas por quem dirige sob efeito de drogas, sem o cinto de segurança ou desatento ao que acontece na pista. Apesar disso, como nota o Recode, existem alguns pontos dessa ideia que merecem ser questionados.

Musk já falou diversas vezes que os carros da Tesla com Autopilot são até quatro vezes melhores que os concorrentes, com uma fatalidade registrada a cada 515 milhões de quilômetros rodados. A empresa, no entanto, nunca deixou claro se esse número corresponde à distância percorrida com a função ativada ou apenas por qualquer carro que venha de fábrica com a opção, por mais que ela esteja desligada.

A comparação mais constante é com as 40 mil mortes em 5 trilhões de quilômetros rodados por outros veículos em 2016 nos EUA, o que dá aproximadamente uma morte para cada 130 milhões de quilômetros (os valores originais foram convertidos de milhas para quilômetros). Mas esse número leva em conta distância e acidentes em todo tipo de pista — o Autopilot da Tesla funciona apenas em rodovias — e inclui ainda ciclistas, motociclistas e pedestres, o que infla bastante o número final.

Outro ponto envolve o fato de a Tesla ainda apostar bastante nesse modo semiautônomo do Autopilot, que é criticado por outros profissionais da área.

Outro ponto envolve o fato de a Tesla ainda apostar bastante nesse modo semiautônomo do Autopilot, que é criticado por outros profissionais da área. John Krafcik, CEO da Waymo, é um dos que não acredita na segurança dos veículos com direção autônoma do nível 3, que é utilizada pela Tesla e pela Uber. Testes feitos pela companhia dele mostraram que é difícil exigir que uma pessoa fique totalmente concentrada na rua enquanto não exerce nenhuma função dentro do carro. Por isso, a aposta correta, segundo Krafcik, seria saltar direto para os carros que não exigem nenhum tipo de intervenção humana para funcionar.

Informações novas devem chegar no próximo semestre, quando Elon Musk promete que a Tesla irá divulgar resultados mais detalhados das estatísticas de acidentes envolvendo carros da companhia. Mas para além disso, uma pesquisa da Universidade de Michigan concluiu que seria necessário testar os carros autônomos por 17 bilhões de quilômetros antes de poder afirmar que eles são 90% mais seguros que os outros. Ou seja, é até possível que veículos autônomos sejam mesmo mais confiáveis que os tradicionais, mas os estudos científicos e testes publicados até aqui ainda não são suficientes para afirmar isso com toda a certeza.