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Ronaldinho Gaúcho: 3 detalhes que ficaram de fora da série documental da Netflix

Com três episódios, a série documental de Ronaldinho Gaúcho acompanha a trajetória do icônico atleta brasileiro, mas deixa de fora alguns detalhes importantes de sua carreira, como detalhes da prisão no Paraguai.

Avatar do(a) autor(a): Mateus Mognon

schedule20/04/2026, às 12:15

updateAtualizado em 20/04/2026, às 12:18

Ronaldinho Gaúcho: 3 detalhes que ficaram de fora da série documental da Netflix

A série documental sobre Ronaldinho Gaúcho chegou à Netflix e rapidamente chamou a atenção dos fãs de futebol. A produção revisita momentos marcantes da carreira do craque brasileiro, desde a ascensão no esporte até a consagração como um dos jogadores mais talentosos de sua geração.

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Com entrevistas, imagens de arquivo e relatos de pessoas próximas, a obra constrói um retrato carismático do ex-atleta. Mesmo assim, alguns episódios importantes da trajetória de Ronaldinho ficaram de fora ou foram apenas citados de forma superficial.

Entre derrotas marcantes, polêmicas fora de campo e negócios controversos, há capítulos que ajudam a entender melhor a carreira do jogador e poderiam agregar ainda mais história no documentário. A seguir, veja três momentos relevantes que não aparecem — ou aparecem de forma muito breve — no documentário.

A derrota para o Internacional no Mundial de 2006

Um dos episódios mais curiosos ausentes da série envolve a final do Mundial de Clubes de 2006, quando o Sport Club Internacional surpreendeu o poderoso Barcelona. Na época, Ronaldinho vivia o auge da carreira e era considerado um dos melhores jogadores do mundo.

Mesmo assim, o time brasileiro venceu por 1 a 0, com gol do reserva Adriano Gabiru, em uma das maiores conquistas da história do clube gaúcho. A derrota acabou se tornando um momento simbólico para o futebol brasileiro diante de um gigante europeu.

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Revelado no Grêmio, Ronaldinho Gaúcho foi derrotado pelo rival Internacional em 2006, no Mundial de Clubes. Imagem: Getty Images.

Em entrevistas posteriores, o próprio Ronaldinho admitiu que o resultado foi difícil de digerir. “Não que não levamos a sério, mas não era prioridade. Para mim doeu mais, estava no veneno. Para o resto do grupo parecia que era uma pelada”, afirmou o ex-jogador.

Curiosamente, o jogo ocorreu em um momento de decepções para o jogador, que havia perdido a Copa do  Mundo no mesmo ano. Na época, rolaram especulações de que o craque pretendia comemorar a vitória do campeonato com uma camisa do Grêmio, time que o revelou e principal rival do Internacional. Enquanto o documentário podia ser um ótimo momento para esclarecer a "lenda urbana do futebol", o momento foi apagado da série do jogador.

A prisão no Paraguai e detalhes pouco explorados

Outro tema que aparece de forma bastante resumida na série é a prisão de Ronaldinho no Paraguai em 2020. O documentário traz algumas informações e sugere que tudo foi um grande mal-entendido, sem mostrar detalhes de uma investigação muito mais complexa.

O ex-jogador e seu irmão, Roberto Assis, foram detidos após entrarem no país com passaportes falsos. A situação desencadeou uma investigação que revelou um esquema maior de falsificação de documentos envolvendo autoridades e empresários locais.

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Pasaporte paraguaio falso de Ronaldinho Gaúcho.

O documentário não explica o motivo para Ronaldinho e seu irmão terem passaportes paraguaios, e a dupla diz que apenas “recebeu os documentos”. Meses antes, no entanto, os irmãos estavam com os passaportes brasileiros apreendidos por causa de um crime ambiental e fecharam um acordo com o Ministério Publico para receber os documentos. 

Curiosamente, é possível adentrar no Paraguai, bem como em outros países do Mercosul, usando apenas a Carteira de Identidade. Ou seja, tecnicamente falando, a exigência de um passaporte falso para Ronaldinho Gaúcho era totalmente desnecessária, o que tornou a situação ainda mais nebulosa. 

Os irmãos passaram 171 dias detidos em Assunção, primeiro em um presídio, onde Ronaldinho participou de um campeonato com detentos, e depois em prisão domiciliar em um hotel. Ao final do processo, o jogador fez um acordo com a Justiça paraguaia e pagou multa, o que levou à suspensão do processo e ao encerramento do caso em 2021.

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Ronaldinho ficou preso no Paraguai, mas fez acordo para ser liberado. Imagem: Getty Images.

Mesmo após a conclusão da investigação, alguns personagens centrais continuaram sendo procurados internacionalmente. A empresária Dália López e o intermediário brasileiro Wilmondes Souza Lira, apontados como pivôs do caso, chegaram a entrar na lista de procurados da Interpol.

De acordo com Sérgio Queiroz, advogado de Ronaldinho na época, o jogador brasileiro foi utilizado como “cortina de fumaça”. O esquema criminoso em questão envolvia uma ONG falsa, falsificação de documentos e evasão fiscal.

O último grande desdobramento do caso envolve a prisão de Dália López, que fez o passaporte falso de Ronaldinho Gaúcho. Após seis anos foragida, ela foi detida em abril deste ano em Assunção, no Paraguai.

O brasileiro Wilmondes Souza Lira, que fez a ponte entre Dália e Ronaldinho Gaúcho, ainda está foragido e segue na lista de procurados da Interpol.

Criptomoedas, NFTs e rede social

Nos últimos anos, Ronaldinho também se envolveu em diversas iniciativas ligadas ao universo digital, incluindo criptomoedas e NFTs. Esses projetos aleatórios que não deram certo, porém, não aparecem na narrativa da série documental.

Além de lançar uma moeda digital chamada de Ronaldinho Soccer Coin em 2018, o jogador também promoveu a Atari Token, criptomoeda associada à empresa de games Atari. O ex-jogador chegou a divulgar o projeto em suas redes sociais com a frase “Atari Token para a lua”, incentivando investidores a conhecerem a iniciativa.

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Pouco tempo depois, a própria Atari anunciou o encerramento da criptomoeda após rescindir contratos ligados ao projeto. O token acabou perdendo valor no mercado e foi abandonado pela empresa em favor de uma nova iniciativa.

Além disso, Ronaldinho também participou de projetos envolvendo NFTs e até parcerias com jogos no metaverso. Em um deles, o craque virou personagem de um game de futebol digital, mostrando como sua imagem segue sendo explorada em diferentes frentes mesmo após a aposentadoria.

As incursões digitais de Ronaldinho ainda incluem até mesmo a criação de uma rede social própria, que foi lançada no site oficial do jogador em 2016. A plataforma, que trocava as curtidas por um gesto de hang loose, não está mais disponível para ser utilizada atualmente.

Em 2025, o jogador voltou a lidar com criptomoedas e lançou a Ronaldinho Coin, chamada também de STAR10, que teve uma desvalorização de 80% após suspeitas de manipulação. No entanto, logo após o lançamento do documentário, o valor do token voltou a subir. 

Com três episódios, o documentário de Ronaldinho Gaúcho está disponível para assistir na Netflix. E aí, o que você achou da série? Deixe seu comentário!

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