Um grupo de parlamentares dos EUA apresentou uma proposta para criar um imposto sobre empresas de inteligência artificial (IA) e usar os recursos para financiar a criação de empregos caso a tecnologia provoque aumento do desemprego. Segundo reportagem da Fortune, o projeto estabelece que a alíquota poderá subir automaticamente conforme a taxa de desemprego avançar, com os recursos destinados a setores como construção, infraestrutura, cuidados infantis e assistência a idosos.
A proposta foi apresentada pelas deputadas Sara Jacobs e Valerie Foushee e pelo deputado Greg Casar. O texto prevê dois modelos de tributação, aplicando aquele que gerar maior arrecadação: um imposto sobre o valor dos tokens, pequenas unidades de dados processadas pelos modelos de IA, ou sobre a receita obtida com serviços de IA e determinadas transações com empresas afiliadas. De acordo com a Fortune, as alíquotas iniciais seriam de 2% sobre tokens e 3% sobre receitas quando o desemprego estiver em 5% ou menos, com elevação dos percentuais à medida que a taxa aumentar.
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Congresso amplia pressão sobre o setor de IA
A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo no Congresso americano para tentar antecipar os impactos da automação sobre o mercado de trabalho. Conforme relatado pela Fortune, Foushee e Casar já haviam apresentado uma proposta para que o Government Accountability Office estudasse os empregos criados, eliminados ou modificados pela IA, enquanto Jacobs apoiou outro projeto que obrigaria grandes empregadores e órgãos federais a informar ao Departamento do Trabalho demissões relacionadas à tecnologia.
No Senado, Ron Wyden propôs mudanças na tributação de centros de dados de IA e um novo imposto, enquanto Elizabeth Warren defendeu a cobrança das empresas com base, entre outros fatores, na energia consumida por seus centros de dados.
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O senador Bernie Sanders também vem defendendo medidas para distribuir parte dos ganhos econômicos gerados pela IA. Segundo a Fortune, ele propôs o American AI Sovereign Wealth Fund Act, que estabeleceria um imposto único de 50% sobre OpenAI, Anthropic e xAI e daria aos americanos participação nessas empresas por meio de ações.
Outros parlamentares, por sua vez, trabalham em propostas de monitoramento das demissões relacionadas à IA e programas de requalificação. O setor empresarial também entrou no debate: Josh Gottheimer e Mike Lawler propuseram um crédito tributário equivalente a 30% das despesas elegíveis com treinamento em IA, limitado a US$ 2,5 mil por funcionário por ano.
A preocupação com a substituição de trabalhadores também aparece entre executivos e investidores de tecnologia, segundo a Fortune. Bill Gates defendeu recentemente um imposto sobre tokens de IA e robôs para corrigir um sistema tributário que, segundo ele, atualmente "incentiva a substituição de pessoas por máquinas". Gates afirmou ainda que "muitos empregos desaparecerão para sempre". Gabriel Weinberg, fundador da DuckDuckGo, disse que sua empresa aceitaria um imposto de 10% sobre o uso de tokens de IA, percentual que, segundo ele, equivaleria aos 10% pagos pelos empregadores em impostos sobre a folha de pagamento.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também afirmou que uma onda de desemprego provocada pela IA poderia exigir novas fontes de arrecadação e mecanismos para compartilhar os ganhos do setor. Conforme a Fortune, Amodei chegou a sugerir um imposto de 3% sobre a receita gerada pelo uso de modelos de IA, que seria "redistribuída de alguma forma", classificando a medida como uma "solução razoável para o problema".
Sam Altman, CEO da OpenAI, encontrou-se com Sanders em junho para discutir a possibilidade de o público ter participação na empresa e também concordou com o senador sobre a ideia de permitir que americanos se beneficiem dos lucros gerados pelo avanço da IA.
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