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The BRIEF

Modelos mais baratos de IA ganham espaço e ameaçam liderança da Anthropic

Dados de 70 mil empresas mostram que o modelo mais caro da empresa responde por apenas 11% dos gastos com suas ferramentas de IA, enquanto alternativas mais baratas avançam.

Avatar do(a) autor(a): Alice Labate

schedule25/08/2026, às 16:30

O uso de modelos de inteligência artificial (IA) mais baratos está ganhando espaço entre empresas e pode colocar em xeque a estratégia dos grandes laboratórios de tecnologia de concentrar investimentos em sistemas cada vez maiores e mais sofisticados. Segundo dados de 70 mil empresas americanas coletados pela plataforma de pagamentos Ramp e divulgados pelo Financial Times, o Fable 5, modelo mais caro e avançado da Anthropic, representa apenas 11% dos gastos totais dessas companhias com as ferramentas de IA da empresa.

O levantamento indica uma mudança no comportamento dos clientes corporativos. Em vez de utilizar os modelos mais potentes para todas as atividades, as empresas estariam recorrendo a sistemas mais baratos, incluindo versões anteriores da própria Anthropic e modelos de código aberto desenvolvidos por concorrentes chineses, para tarefas consideradas menos complexas.

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Para Miles Clements, sócio da empresa de capital de risco Accel, que investiu US$ 1 bilhão na Anthropic, “a maioria das pessoas não precisa operar na vanguarda”, segundo declaração ao Financial Times. Ele também afirmou que o período em que os clientes preferiam utilizar exclusivamente modelos de ponta “não foi uma era duradoura”.

O cenário ganha importância diante das expectativas em torno da Anthropic e de uma possível oferta pública inicial de ações da empresa. O Fable 5 teve um lançamento conturbado em junho, após a repercussão sobre sua suposta capacidade de realizar ciberataques de forma autônoma.

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O governo de Donald Trump chegou a determinar a suspensão do acesso de clientes estrangeiros ao modelo, citando riscos à segurança nacional, mas posteriormente revogou as restrições à exportação. Mesmo após a controvérsia, porém, a adoção do sistema não acelerou como esperado.

Segundo o Financial Times, a receita anualizada da Anthropic chegou a US$ 65 bilhões em julho. O indicador representa uma projeção para os 12 meses seguintes com base no desempenho atual da companhia. O valor ficou abaixo dos US$ 80 bilhões estimados por investidores mais otimistas.

Ao mesmo tempo, a OpenAI avançou na disputa: depois de perder espaço para a Anthropic ao longo do ano, a empresa alcançou receita anualizada de US$ 40 bilhões, impulsionada pelo GPT-5.6, descrito na reportagem como significativamente mais barato de operar do que o Fable 5.

Modelo mais caro ainda pode ampliar receita total

A estabilização dos gastos com o Fable 5, no entanto, não é necessariamente vista como um sinal negativo. Alex Imas, diretor de economia de IA Geral (AGI) do Google DeepMind, afirmou que a análise não deveria considerar apenas o desempenho isolado do modelo. Ao comentar os dados do Financial Times, ele escreveu: “Uma maneira melhor de interpretar este gráfico é: 'Fable é um ótimo complemento aos outros modelos, o que aumentou a receita geral da Anthropic'”. Segundo Imas, “os gastos com Fable podem diminuir e ainda assim agregar valor se for complementar aos outros modelos”.

O impacto dessa mudança sobre o futuro da Anthropic e da OpenAI ainda é incerto. Para Ara Kharazian, economista-chefe da Ramp, é praticamente impossível prever qual empresa dominará o mercado. Em declaração ao Financial Times, ele afirmou: “Se você analisar as tendências anteriores, espera que a Anthropic domine o mercado. Mas como [o modelo mais recente da OpenAI] foi tão bom e a Fable teve um desempenho inferior, aconteceu o contrário”. Os dados sugerem, portanto, que o mercado de IA pode estar se afastando da lógica de que modelos necessariamente precisam ser maiores e mais caros para conquistar clientes.

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