A plataforma de inteligência artificial (IA) ChatGPT fez uma alteração discreta no modo de geração de textos. Nas últimas semanas, ela deixou de atender pedidos de usuários que pedem a escrita de textos literários que copiem diretamente o estilo de pessoas de renome na área.
O site Arstechnica fez testes solicitando introduções no estilo de determinados escritores e escritoras e detectou a mudança. O chatbot agora até entrega o texto solicitado, como uma introdução de um conto, mas não segue na íntegra um prompt que pede a cópia ou emulação de pessoas do setor literário.
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Semanas atrás, o grupo No Latency publicou um relatório que também traz uma conclusão parecida: o ChatGPT só colaborou com o grupo de forma integral na elaboração de textos de autores já falecidos, enquanto figuras ainda vivas recebem a resposta alternativa.
Mudou também no Brasil?
O TecMundo replicou os testes no contexto brasileiro e também detectou que o ChatGPT agora discursa a respeito do resultado antes de entregá-lo. Nos dois casos, o chatbot fez uma introdução curta de uma história — mas sem adotar palavras como cópia ou simulação, preferindo dizer que o material é "inspirado" por alguém.
"Em vez de imitá-lo de forma muito próxima, segue uma introdução original inspirada nesses traços", diz o chatbot, que antes listou características que ele considera importantes para serem adicionadas ao texto — como ironia sutil, diálogo com o leitor e digressões filosóficas de Machado de Assis, ou ritmo acelerado e atmosfera opressiva de Raphael Montes.
Por que o ChatGPT fez isso?
A OpenAI não se manifestou oficialmente sobre a mudança e nem é possível saber exatamente quando essa alteração foi realizada, mas é possível que o chatbot tenha sido reprogramado para evitar consequências jurídicas para a plataforma.
Copiar o estilo de escritores de forma integral muito possivelmente significa que o modelo de linguagem foi treinado com base em obras inteiras dessas pessoas — algo que é feito normalmente sem autorização e qualquer compensação financeira aos envolvidos.
Fora algumas rivais, a própria OpenAI já responde ações judiciais de autores e editoras que reclamam desse uso de trabalhos, que podem até ser usados para a criação de trabalhos falsos ou que, por simular um estilo, podem ser considerados uso comercial de um material. Situação parecida é vivivda também por serviços de IA generativa de áudio e vídeo, como o caso do Suno e artistas da área da música.
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