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The BRIEF

Mais de 35% das novas páginas da web já são criadas por inteligência artificial

Relatórios apontam avanço da IA na produção e no consumo de conteúdo online, enquanto mudanças na Busca do Google levantam dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo econômico da web aberta.

Avatar do(a) autor(a): Alice Labate

schedule21/07/2026, às 17:15

Relatórios e estudos indicam que a inteligência artificial (IA) está transformando a internet. Mais de 35% das novas páginas da web já são produzidas por IA, enquanto mais da metade do tráfego online é gerada por robôs e sistemas automatizados, cenário que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo econômico da web aberta.

Segundo reportagem do portal Gizmodo, a adoção crescente de ferramentas de IA generativa coincide com mudanças na Busca do Google. Hoje, respostas produzidas por IA aparecem no topo dos resultados para diversas consultas, reduzindo a necessidade de que usuários acessem páginas da web.

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Um estudo da Growth Memo aponta que 75% dos usuários que utilizam o Modo IA permanecem conversando com o chatbot em vez de clicar em links de sites.

A tendência preocupa empresas de mídia e produtores de conteúdo porque o modelo tradicional da internet depende do tráfego gerado pelos mecanismos de busca. Ao acessar páginas da web, usuários visualizam anúncios que financiam jornalistas, criadores e outros profissionais responsáveis pela produção de conteúdo original. Com menos visitantes humanos e mais respostas entregues diretamente por IA, esse modelo passa a enfrentar novos desafios.

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IA produz, IA consome: a internet está morta?

Outro levantamento mostra que mais de 50% do tráfego da internet atualmente não é gerado por pessoas, mas por sistemas automatizados. O dado foi divulgado em relatório da Cloudflare publicado neste mês e reforça que robôs já representam parcela significativa da atividade online.

O Google, no entanto, contesta parte das interpretações sobre os impactos de seus recursos de IA. Em nota enviada ao Gizmodo, um porta-voz da empresa afirmou que o estudo segundo o qual 75% dos usuários permanecem no Modo IA "não era representativo", argumentando que os participantes receberam "tarefas forçadas e não naturais que provavelmente influenciaram seu comportamento". Segundo a companhia, a pesquisa não refletia consultas nem hábitos reais dos usuários.

A empresa também defendeu a precisão de seus recursos baseados em IA. Em comunicado ao portal, o Google afirmou: "Testamos rigorosamente a qualidade desses recursos usando amostras estatisticamente significativas de consultas representativas de usuários. As respostas são precisas na grande maioria das vezes e, quando erramos, usamos esses exemplos para aprimorar continuamente nossos sistemas”.

Apesar da defesa da companhia, o Gizmodo relata que respostas produzidas pelo Modo IA ainda apresentam erros factuais. Em um teste feito pelo jornalista Mike Pearl, a ferramenta afirmou, de forma incorreta, que o presidente de Madagascar seria conhecido pelo apelido "Andy" e inventou um suposto ex-chefe de governo de Montserrat. Após ser questionada, a própria IA reconheceu o erro e respondeu: "Você está absolutamente correto, e peço desculpas por ter fornecido informações completamente incorretas na minha última resposta”.

Para o Gizmodo, a evolução dessas ferramentas também está alterando o comportamento dos usuários. Em vez de procurar páginas publicadas por pessoas, cresce o hábito de fazer perguntas diretamente aos chatbots, que sintetizam informações disponíveis na web. A mudança pode reduzir ainda mais o acesso aos sites originais e colocar pressão sobre um modelo que, durante décadas, sustentou financeiramente a produção de conteúdo na internet.

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