Uma ação coletiva protocolada nos Estados Unidos acusa as três maiores fabricantes de memória RAM de cooperarem pela manutenção da crise de chips. Os autores do processo — consumidores individuais e empresas — alegam que a Samsung, a SK Hynix e a Micron reduziram a oferta de componentes artificialmente para manter os preços altos.
A ação judicial 3:26-cv-06345 acusa o trio de orquestrar a crise simplesmente reduzindo o fornecimento de memórias no mercado. O processo argumenta que só essas três companhias detêm controle sobre a indústria e não há concorrentes capazes de romper essa hegemonia.
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"As empresas que formam o oligopólio de DRAM reduziram simultaneamente a produção, coordenam uma mudança de foco para a HBM e a saída da DDR3 e DDR4 e, de outras formas, reduziram e restringiram a oferta de DRAM convencional, enquanto os preços disparavam com uma escala e rapidez impressionantes", diz o texto.
O setor de hardware vive um severo desequilíbrio entre oferta e demanda há meses, impulsionado principalmente pela demanda elevada de componentes vinda de data centers. Um dos itens mais escassos é a memória RAM, cujos preços teriam aumentado em quase 100% no segundo trimestre de 2026.
Ao mesmo tempo, empresas como Samsung registraram lucro recorde no mesmo período. Nos primeiros três meses do ano, a fabricante alcançou R$ 495,4 bilhões em receita. Em contrapartida, a sul-coreana estaria buscando formas de aumentar a produção de componentes.
A baixa disponibilidade de componentes gerou um efeito cascata e uma sensação de escassez generalizada em tecnologia. Notebooks, tablets, celulares e até consoles ficaram mais caros — até a Apple revisou o próprio catálogo.
Condenação já aconteceu no passado
Em 2005, a Samsung Electronics foi condenada pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) ao pagamento de US$ 300 milhões em multas criminais pela prática de fixação de preços de memórias DRAM.
O cenário atual é diferente, porém. O mercado de inteligência artificial (IA) realmente está aquecido e sem sinais de desaceleração. Os principais nomes do segmento, como a OpenAI e a Anthropic, parecem interessados em se apropriar de poder computacional onde é possível, já que a demanda por seus serviços cresce e os modelos generativos se tornam mais custosos.
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